Sonho Perdido
A decepção amorosa é como uma fase de luto. Sofremos com a angústia da perda da nossa própria pessoa que entregamos para a outra.
TEMPO PERDIDO
Sempre me levei a sério, talvez sério demais,
não faltava a compromissos, chegava antes do horário
os atrasos e a espera que me faziam passar eram normais
Nas antessalas de clientes, de médicos, passei muitas horas,
se somadas poderiam ser dias, talvez semanas, talvez mais
Mas o que eu teria feito com este tempo de vida que perdi?
O tempo sempre se usou de mim,
e eu o obedeci sem questionar.
E agora o meu tempo vai contando ao contrário,
tento imaginar quando tempo ainda tenho,
e quanto deste tempo ainda terei discernimento
para tomar conta de mim mesmo...
não tenho respostas, só dúvidas...
espero que o tempo deixe de ser tão cruel
e a esta altura, me seja benfazejo e breve
Sai pela mata, pra descobrir o que há de belo
Coloquei em minha bagagem o que de bom eu conquistei
No caminho encontrei cachoeira, encontrei belas árvores, paisagens borboletas, passarinhos.
A distração tomou conta, me fez por um instante só pensar no prazer
Esqueci dos problemas
Esqueci das dores
Esqueci das subidas e descidas
Esqueci uns amigos
Esqueci de mim
Esqueci de Deus
Preciso voltar para casa
O tempo que se perde se perdendo é tempo desperdiçado. Essa falta de desejar o que não se tem nos aprisiona. Perde-se muito tempo na falta. Sem desejo, sem prazer, acabamos sem tempo.
Perdida em lembranças
Tem dias que me perco nas lembranças,
de tempos de alegrias e esperanças,
do teu jeito de me fazer rir o tempo todo,
de tudo que éramos juntos
das coisas que somos tão iguais,
e da maioria que somos tão diferentes.
Minha inspiração para escritos profundos,
meu descanso para as agruras do mundo,
a certeza que tinha um apoio a todo segundo.
Quem é amado deve...
Quem ama pede...
A lua se insinua...
Entre vielas escuras...
Há fogo que devora...
Que mata e que dá...
Arde a cabeça...
Enquanto o olhar vaga...
Nem entre as estrelas encontras...
O que procuras...
Só porque houve outrora...
No presente indeciso vives agora...
Será que haverá o futuro,
Do que necessitas e sonhas ?
Procura o ar onde a respiração é doce...
E canta para afugentar a tristeza...
Porque és do tamanho que vês...
Porque sentes a falta do que não tens...
Vaga..
Longe de todo céu...
E no inferno onde abitas nada encontra...
O verme da agonia te devora...
Onde estás afinal,
Nessas horas mortas?
O nevoeiro é tão grande...
E o final não encontras...
Sim...
Tu bem sabes...
Tendes total culpa...
Entre o temor e o espanto...
Reconhece o amor perdido...
Peito endurecido...
Por mostrar-se soberbo e presumido...
Feristes e não percebeste o real sentido...
Tendo o teu erro algum desconto...
Saberia que sendo amado deve...
E que amando...
Deveria ter pouco pedido...
Agora buscas a noite escura...
Cujo medo te afigura...
Tão certa desaventura...
De vagas esperanças...
Nem mesmo te ajuda a lua...
Sandro Paschoal Nogueira
O amor é como a luz do sol: inesgotável e livre, incapaz de ser perdido ou roubado, destinado unicamente a ser compartilhado e irradiado.
No declive do tempo os anos correm...
Por mero acaso, sem saber porquê...
E antes que a bruma tire o brilho de nossos olhos...
Antes que gritemos e ninguém nos escute...
Antes que minha ausência se prenda a sua pele...
Permita-me fazer-te com o pouco que oferece-me mostrar-te o muito que posso dar-te...
Não me deixe fugir com o vento...
Ou perder-me de ti em lamentos...
Quanto mais sabemos...
Parece que mais erramos...
Ninguém já soube o que é o amor...
Se o amor é aquilo que ninguém viu...
Se devagar se vai ao longe...
Devagar te quero perto...
Se pouco me dás...
Muito te ofereço...
Tenho visto muitas coisas...
Algumas bem estranhas...
Da vida pouco entendido ...
Mas és para meus sonhos...
Todos os encantos requeridos...
Selecionei para ti essa manhã...
Para dizer-te isto...
Não tenho como voar...
De asas feridas...
Dentro de mim se acanham as certezas...
Por onde vai a vida?
Sem ti...
Será tão mal gasta...
Peito aberto em mil feridas...
Que este amor não me cegue...
Sei que nada me é pertencente...
Mas a magia evoco...
Entre seus abraços...
Abandono o peso do caminho...
E em ti me aporto...
O que estava perdido...
Por fim encontro...
Sandro Paschoal Nogueira
"À Deriva"
À deriva em um mar sem fim,
Sem rumo, sem destino, assim,
Um ser perdido, sem saber o que quer,
Buscando algo que nem pode descrever.
Caminha sem rumo pela estrada da vida,
Sem encontrar a paz tão desejada, querida.
Como folha ao vento, vai sendo levado,
Sem saber para onde está sendo guiado.
Na imensidão do universo, vagueia sem direção,
Procurando respostas, buscando a razão.
Mas o que procura, ele mesmo não sabe,
Um vazio profundo em sua alma invade.
À deriva, perdido em seu próprio ser,
Sem compreender o que o faz sofrer.
Tateando na escuridão da incerteza,
Em busca de uma luz, de uma clareza.
Quem és tu, alma errante e confusa?
O que buscas nessa jornada obtusa?
Que rumo tomarás, que caminho seguirás?
À deriva, quem és, só tu sabrás.
”Quando se está perdido no mar, navegamos através de pontos fixos. E o norte sempre será o norte e não onde você quer que seja”.
Sou um caos ambulante sem destino, ando pelos cantos e camas, tropeçando em sentimentos e histórias, não posso enxergar, tocar e sentir o sabor, mas me permita viver mais um minuto ao seu lado, porque esse pequeno momento é familiar e me faz sentir em casa.
O amor doi por quanto tempo? Um dia? Um ano? Para sempre? Porque você acha que vai ficar com uma pessoa para sempre e, acontece que não. O amor às vezes parece ser tão frágil... Todo mundo acredita que é fácil, que isso vai passar, mas no fundo você sente que está perdido.
Que lucrei, eu, Senhor com o tempo perdido?
Num e noutro despojo me achando o que a vaidade me propôs...
Nunca mostramos o que somos, senão quando entendemos que ninguém nos vê...
Mas se ninguém nos vê o que importa afinal ser ou parecer?
Escoar-se é um desperdício...
Assim como aprisionar o vento...
Pouco se ganha...
Tanto se perde...
Tantas coisas sem sentido...
Homem que sou...
Ó divina esperança onde estás que comigo brinca...
E não me convida à dança...
Tu que transforma os sombrios pedadelos em sonhos dourados...
Que nos inflige e nos obriga a levantar da cama...
Virgem de eterno devaneio...
Que hoje minhas mãos não alcançam...
A rotina é tão pesarosa...
As mesmas pessoas enfadonhas...
Dentro de mim, a noite escura e fria se anuncia...
Que me olhar não se perca...
Entre tantos outros que passam...
E farto de fadigas...
E de fragilidades tantas...
Que amanhã...
Em outro dia...
Então...
Eu floresça...
Sandro Paschoal Nogueira
Hoje não fiz nenhum
Poema,
Nem sequer
Uma Cena,
Foi escrito,
Esse grito
Silenciado
Me mantenho
Calado, Frustrado,
Na mente um amaranhados
De versos perdidos.
Eu tentando fazer um
Verso perdido.
Não sei se tô ficando louco ou tô ficando são
Olhando a vida diferente da minha noção
O certo está muito errado e o errado certo
Se jogar ou ter juízo com o fim perto
Não sei se você sabe que tudo tem um fim naturalmente
Então por que viver assim parcialmente
Não sei se topo levar essa razão
O mundo gira diferente da minha noção
Parece que de ponta cabeça tem mais sentido
O colorido dessa bola louca era mais divertido
Não, eu não sei, sei to ficando louco
Por que todos os sorrisos estão durando pouco
Por que todos os sorrisos estão durando pouco?
Pessoas vivem pregando o equilíbrio
Mas esquecem de que o equilíbrio é entre um lado e outro
E o lema é o desiquilíbrio
Onde a felicidade dura tão pouco
Não sei se você sabe que tudo tem um fim naturalmente
Então por que viver assim parcialmente
Quebrado em pedaços,
Questiono aos céus,
Ate quando será derramado,
Lagrimas em um escuro quarto,
Sem aguentar todo esse peso farto,
Enquanto esbaljamos um sorriso falso,
na esperança de um futuro raso
e torcemos para fazer parte de algo (maior)...
Eu sei que é de bater o queixo,
Mesmo lutando sem desleixo,
Em um mundo com tanto preconceito,
Enquanto busco dar apenas o meu melhor.
Só eu e o tempo
É só silêncio ao redor, um vazio sem fim,
O mundo caminha, mas não me leva a mim.
Sinto a distância entre mim e o lugar,
Como se não houvesse onde repousar.
Família é palavra que soa distante,
Um laço invisível, mas nunca constante.
Olho ao redor, não encontro ninguém,
Sou sombra de mim, perdida em alguém.
Os rostos que passam não sabem quem sou,
Vago entre os dias, sem porto, sem flor.
A casa não é casa, o chão não é meu,
E o que eu procuro? Nunca apareceu.
No fundo, eu sei, é só eu e eu,
Sem laços que prendam, sem mão que acolheu.
A vida é um ciclo que segue, sem par,
E no fim das contas, sou eu a cuidar.
É a angústia de ser sem nunca pertencer,
De existir no espaço e, ao mesmo tempo, perder.
Mas há uma certeza que aprendi a aceitar:
No final da estrada, sou só eu a me abraçar.
