Sonetos de Luís de Camões

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Se no que tenho dito vos ofendo,
Não é a intenção minha de ofender-vos,
Qu'inda que não pretenda merecer-vos,
Não vos desmerecer sempre pretendo.

1 As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram;

2 E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando:
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

(Os Lusíadas canto primeiro - 1 e 2)

Luís de Camões Os Lusíadas

Um mover de olhos, brando e piedoso,
Sem ver de quê; um riso brando e honesto,
Quase forçado; um doce e humilde gesto,
De qualquer alegria duvidoso;

Um despejo quieto e vergonhoso;
Um repouso gravíssimo e modesto;
Uma pura bondade, manifesto
Indício da alma, limpo e gracioso;

Um encolhido ousar; uma brandura;
Um medo sem ter culpa; um ar sereno;
Um longo e obediente sofrimento:

Esta foi a celeste formosura
Da minha Circe, e o mágico veneno
Que pôde transformar meu pensamento.

Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade a que chamamos fama!

Luís de Camões Os Lusídas

Estando em terra, chego ao Céu voando;
Numa hora acho mil anos, e é de jeito
que em mil anos não posso achar um'hora.

Luís de Camões Versos de amor e morte

Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;

É covardia ser leão entre ovelhas.

Luís de Camões

Nota: Adaptação de trecho do livro "Os Lusíadas" de Luís de Camões.

A tristeza no coração é como a traça no pano.

E sou já do que fui tão diferente
Que, quando por meu nome alguém me chama,
Pasmo, quando conheço
Que ainda comigo mesmo me pareço.

Inimiga não há, tão dura e fera,
como a virtude falsa da sincera.

Luís de Camões Os Lusíadas

Se noutro corpo uma alma se traspassa,
Não como quis Pitágoras, na morte,
Mas como quer Amor, na vida escassa...

Feliz daquele que no livro da alma não tem páginas escritas.

Muda-se o ser, muda-se a confiança.

Luís de Camões

Nota: Trecho de soneto de Luís de Camões.

Eu sou um velho moço

É fraqueza entre ovelhas ser leão.

Luís de Camões Os Lusíadas

Um baixo amor os fortes enfraquece.

Luís de Camões Os Lusíadas

O tempo cobre o chão de verde manto, que já coberto de neve fria, e em mim converte em choro um doce canto. E afora este mudar-se a cada dia, outra mudança faz de mor espanto: Que não se muda já como soia.

Basta um frade ruim para dar que falar a um convento.

Luís de Camões Obras Completas

O amor é uma dor que desatina sem doer.

Luís de Camões

Nota: Trecho adaptado de soneto de Luís de Camões.

No mundo não tem boa sorte, senão quem teve por boa a que tem.