Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
A linguagem antes censurada para excluir e não existir, hoje é fabricada para iludir, distrair, sugerir e conduzir.
Se antes o sistema ordenava “você não pode falar isso”, hoje os algoritmos induzem “você deve falar isto”.
Diagnósticos falsos, ditos, ouvidos, aprendidos, difundidos e confundidos em um mundo de aflitos e malditos.
Escutar a dor do outro sem ceder ao impulso de rotular, julgar, condenar, enquadrar, e sem a pressa de medicalizar.
A mente é um enigma que sussurra no silêncio; quem escuta o que não cabe nos manuais encontra sentidos que nem sempre têm nome.
Afeto com entrega é escuta que acolhe sem perder a leveza; é cuidado que abraça; é presença que compreende antes que a mente se apresse e o olhar condene.
Para o utilitarismo, o certo é o que reduz o sofrimento e nos faz viver mais felizes — fugir da dor e buscar o bem-estar define o caminho moral.
O capitalismo transformou o mundo num parque temático de realidades fabricadas e subjetividades capturadas, onde nada escapa nem mesmo a alma.
