Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
Entre a inconveniência de discordar de tudo e a subserviência de concordar com tudo, reside o absurdo.
Entre o não automático e o sim sistemático, reside o absurdo de recusar por padrão ou agradar por convenção.
Entre o não automático e o sim sistemático, reside o absurdo de negar por impulso ou ceder por costume.
A substituição da verdade objetiva por opiniões pessoais alimenta o relativismo exagerado e a pós-verdade, onde sentimentos e crenças sobrepõem dados e razão.
Quem centraliza tudo manipula pela ação e enfrenta a solidão do poder; quem cede tudo, passa ‘procuração’, aceita o jogo, manipula por omissão e enfrenta a humilhação de se submeter.
Meu corpo, minhas regras até onde a convivência permite; não estamos sozinhos no mundo, e no coletivo também há regras e limites.
A única ideologia que a periferia conhece é a luta pelo pão nosso de cada dia; o resto não passa de papo gourmet de quem usa a pobreza alheia como trampolim para subir na vida.
