Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
Idas e vindas
Dois sentidos da estrada
Amor e ódio
Cobiça e generosidade
Luz e escuridão
Dilema sem fim
Não existe segredo
São muitas as estradas
Vou estar em todas
Voando, a pé ou na imaginação
Êxtase puro
Idas e vindas!
Enxergo a neve
Branca como as nuvens
Paz imediata
Paz ingrata
Ouro de tolo
Magnetismo incontrolável
Véu de noiva
Drink no inferno
Prisão sem jaulas
Professor de muitas aulas
Caçadora de almas
Neve de ilusões.
DIAMANTE
Preparei meu melhor figurino
Um sábado a noite
Uma balada com os amigos
Muita gente, pouca luz
E num instante, vc surge brilhante e me seduz
Trocamos olhares e pronto
Encontrei meu DIAMANTE
O que eu faço agora
Não tenho carro e sou pobre
e vc, notoriamente nobre
outra surpresa acontece
O DIAMANTE com muita humildade
Retribui com felicidade
O flagrante dos olhares
que certamente irá durar
por toda eternidade.
CHOVEU EM JULHO
Fecham-se as cortinas. Fim do espetáculo. As buscas desenfreadas cessaram. Nada foi encontrado, talvez pelo motivo de não haver nada a se buscar. Frustrações travestidas de pesquisas emocionais. Não se corrige um erro com outro. O fim é certeiro. Não raramente desordeiro. Desta vez, choveu em julho. Um clarão rompeu o intelecto e a inspiração salva. Choveu em julho.
Sei que sou o pior
sei que já teve o melhor,
Sei que tenho vários defeitos
mas, ao seu lado faço todos ficarem perfeitos
As coisas em nossa volta
Anda cercada de reviravoltas.
As coisas fluem com o tempo
E nós humanos, seguimos no passatempo.
Sou poeta mas não por vocação, sim por amor as palavras, as palavras que me confortam, quando tenho medo, amo, odeio ou sinto grande esperança, e estes versos eu dedico a mim mesmo, porque? Por que minguem vai lê-los, ninguém vai sentir os sentimentos que eu sentiam no exato momento que o escrevia, pois não vale a pena o tempo perdido para lê-lo, todas estas besteiras, os sentimentos que são apenas meus, que apenas eu sou dono e que não quero que ninguém a mais saiba deles, pois são meus e apenas meus serão eternamente.
Se for para sofrer sofrerei sozinho, se for para sorrir, me alegrarei sozinho, como minhas piadas que apenas eu entendo, se for para amar amarei a mim mesmo, porque só um louco pode amar um louco eu.
Faço barcos de papel
Das cartas que me escreves
Vejo que a vida é breve, e o amor mais breve
ainda..
Gueixa
Você canta?
Você chora?
Você grita?
Tu Cantas para mim!
Tu Choras por mim!
Tu Gritas para mim!
Por quem você canta?
Por quem você chora?
Por quem você grita?
Por mim!
Canibalismo
Desejo te resguardar em meu colo
Desejo ser livre em seu colo
Desejo te querer em meu colo
Desejo doces em seu colo
Desejo ser uma dama
Desejo que você seja um lord
Desejo devorar sua língua, vibrando sons
roucos e socorros
Desejo devorar suas pernas, seus cabelo...
Desejo te devorar inteiro, mas só deixaria a língua
vibrando, me chamando, para te devorar novamente.
Mel
Doce ou Salgado?
Ai como gostaria de saber!
Saber experimentar o doce!
Saber experimentar o salgado!
Será que são iguais?
Sem gosto algum?
Lambuzo-me por dentro e por fora, tento sentir
o gosto das coisas simples.
Estou viciada...
Viciada por mel?
Não, não e não!
Excitada por mel?
Não, não e não!
Sugue-me! Beba o meu mel
Esquente o meu corpo
Transforma-me em um prazer carnal
Carícias agudas, serenas; mas quentes
Aposse-me com suas carícias e vá além
Possua o meu mel
Mas o mel, ah o mel..
Se acaba no universo!
Consumado/Consumido
Madrugadas frias,
Noites quentes,
O desejo viria,
Mais forte que o medo!
Tantos anos, negligenciei meus dotes
de amante.
Tarde descobri, se nosso beijo
foi mais que um beijo.
Nossos corpos encontrados e nossas vidas estacionadas?
Consumado/Consumido
Tudo continua como antes.
Só resta uma pergunta:
Será que foi um sonho?
"O poder do sorriso já fez desarmar as mais destruidoras armas!
Cultivar o sorriso é virtude, não e estado de espírito.
Às vezes queremos apenas ouvir aquele não som que vem num simpples esgar de lábios.."
Felicidade...
Parece simples falar sobre ela, mas não é não.
Ser feliz pra mim, significa muito mais do que pequenos e fugidios momentos.
Eu procuro guardar na minha lembrança os momentos felizes, os tristes, vou jogando numa lixeira, onde ficam os problemas, as tragédias, as doenças e as pessoas insignificantes.
Tenho memória seletiva.
Já fui muito magoada.
E já magoei também.
Mas, procuro viver dentro do que considero minha verdade.
O que me fizeram de ruim, procuro esquecer.
Alguns eu perdoo, outros é difícil, mas tento não pensar.
Marilina Leão 2014
Biografia de Marilina Baccarat de Almeida Leão.
Nascida em São Paulo - Capital, radicada em Londrina desde 1964. Escritora e músicista, com 13 livros editados.
Seu avô José Baccarat, foi prefeito e delegado de Santos na década de quarenta.
É acadêmica imortal, na academia de Letras de Vitória ES
Pertence a REBA - rede de escritoras do Brasil e pertence também a AJEB - associação de jornalistas e escritoras do Brasil.
O Relógio
Ao redor da vida do homem
há certas caixas de vidro,
dentro das quais, como em jaula,
se ouve palpitar um bicho.
Se são jaulas não é certo;
mais perto estão das gaiolas
ao menos, pelo tamanho
e quadradiço de forma.
Umas vezes, tais gaiolas
vão penduradas nos muros;
outras vezes, mais privadas,
vão num bolso, num dos pulsos.
Mas onde esteja: a gaiola
será de pássaro ou pássara:
é alada a palpitação,
a saltação que ela guarda;
e de pássaro cantor,
não pássaro de plumagem:
pois delas se emite um canto
de uma tal continuidade
Meus inimigos considero como invisíveis.
Mesmo sendo visíveis ao meu coração, trato-os tão bem... mais tão bem, que nem eles sabem que o são.
