Soneto Amor Impossivel

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“Mulher é feito flor. Se você quer ter o privilégio de tê-la linda e delicada, enfeitar sua vida, sentir seu cheiro bom, tem que cuidar. Tem que regar. Caso contrário, ela morre.”

O destino é uma ponte que você constrói até a pessoa amada.

Às vezes o que a gente mais quer, não acontece. E algumas vezes o que não se espera, acontece.

Quando uma pessoa desiste de um relacionamento, não há nada que você possa fazer para segurá-la.

Eu só quero que você saiba que eu te amo e que eu não mudaria nada em você.

⁠Você pode odiar as suas falhas, mas são essas coisas que eu acho especial em você.

“E que você descubra que rir é bom. Mas que rir de tudo, é desespero.”

Uma vida sem verão é como um ano sem amor.

QUARTO SONETO DE MEDITAÇÃO

Apavorado acordo, em treva. O luar
É como o espectro do meu sonho em mim
E sem destino, e louco, sou o mar
Patético, sonâmbulo e sem fim.

Desço na noite, envolto em sono; e os braços
Como ímãs, atraio o firmamento
Enquanto os bruxos, velhos e devassos
Assoviam de mim na voz do vento.

Sou o mar! sou o mar! meu corpo informe
Sem dimensão e sem razão me leva
Para o silêncio onde o Silêncio dorme

Enorme. E como o mar dentro da treva
Num constante arremesso largo e aflito
Eu me espedaço em vão contra o infinito.

Vinicius de Moraes
Álbum "Vinicius em Portugal"

Último Soneto

Já da noite o palor me cobre o rosto,
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto!

Do leito, embalde num macio encosto,
Tento o sono reter!… Já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece…
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!

O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.

Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos, por piedade,
Olhos por quem viveu quem já não vive!

Soneto da Despedida

Eu aprendo com o tempo
e tudo isso irá mudar
eu vou seguir o vento
e espero aprender a amar

Esse destino incerto
que assombra minha vida
mostrando tudo de perto
a doce e vã batalha perdida

Irei sem olhar adiante
levando apenas a saudade
como um simples viajante

Alguma coisa nessa cidade
me parece muito importante,
ou seria somente... vontade

O Proveito da Amizade(soneto)

O que proveitaremos nós da amizade?
A fidelidade,o valor,o sonho?
Não..amizade não se resume em felicidade
se resume em mais cisas do que suponho.

o que aproveitaremos nós da amizade?
As brigas,desentendimentos e despedidas?
Sim...amizade é viver a verdade,
se conhece um amigo nas quedas da vida.

Aprenderemos sempre mais nas dores
amigo se reconhece com o tempo
é pondo em prova,que se acha acertar.

Amizade sim tem seus valores
mas às vezes são jogados ao vento
Perdoar à tempo...isso devemos aproveitar!

SONETO DOS TEUS BEIJOS

Que sejam para sempre bem molhados
Molhados e com gosto adocicado
Teus beijos em mil beijos bem selados
Teus lábios beijam sempre apaixonados

E além de serem doces e molhados
Que teus beijos sejam em mim despudorados
No toque tão lascivo do pecado
Teus beijos para sempre eternizados

Eu quero ter teus beijos minha amada
Com boca, com tua lingua, com teus lábios
Ter sempre esses beijos bem selados
Bons beijos com o gosto do pecado

Teus beijos entre nós despudorados
Na certeza de um beijar apaixonado

Soneto

Arda de raiva contra mim a intriga,
Morra de dor a inveja insaciável;
Destile seu veneno detestável
A vil calúnia, pérfida inimiga.

Una-se todo, em traiçoeira liga,
Contra mim só, o mundo miserável.
Alimente por mim ódio entranhável
O coração da terra que me abriga.

Sei rir-me da vaidade dos humanos;
Sei desprezar um nome não preciso;
Sei insultar uns cálculos insanos.

Durmo feliz sobre o suave riso
De uns lábios de mulher gentis, ufanos;
E o mais que os homens são, desprezo e piso.

Soneto do coração

Sábio foi quem disse que o coração é involuntário,
bate quando quer, bate como um otário,
bate mais forte quando te vê,
bate somente por você.

Aperta quando estou longe,
alivia quando estou perto,
me deixa calmo como um monge,
porque perto de você está liberto.

Pelas veias segue apressado,
controlando todo meu corpo,
e meu coração ainda incontrolado.

Central do corpo, central da mente,
me entregando em emoções,
quero enterrá-lo como indigente.

SONETO DOS VINTE ANOS

Que o tempo passe, vendo-me ficar
no lugar em que estou, sentindo a vida
nascer em mim, sempre desconhecida
de mim, que a procurei sem a encontrar.


Passem rios, estrelas, que o passar
é ficar sempre, mesmo se é esquecida
a dor de ao vento vê-los na descida
para a morte sem fim que os quer tragar.


Que eu mesmo, sendo humano, também passe
mas que não morra nunca este momento
em que eu me fiz de amor e de ventura.


Fez-me a vida talvez para que amasse
e eu a fiz, entre o sonho e o pensamento,
trazendo a aurora para a noite escura.

Soneto do Desapego:

Encontrei-me quando te vi
Em caminhos dispostos ao vento
Por muito tentei lhe seguir
Mas deveras de vida mudar

Meu jeito me fez dispersar
Fiquei assim fora de mim
Cantado tão só por se só
Voltei a pensar em você

Será que no amanhecer
Consigo parar de sonhar
Parar de viver a ilusão?

Por mais que eu tenha razão
Só não consigo explicar
O quê me faz gostar de você

SONETO DA AUTENTICIDADE
(para o mestre Ariano Suassuna)

Expoente muito mais do que digno
Da alma e da autêntica cultura nordestina.
Autor duma obra que traz um brio condigno
Expresso em livros e no abrir das cortinas.

Professor... Escritor... Igualou-se aos gênios
E fez da aula, um nobre espetáculo
Multiplicando o valor de cada vocábulo
Como se todos tivessem algum irmão gêmeo.

De vigorosa identidade e analogia cultural
Porque Mateus, todavia preferiu os seus
Tal qual na história do Movimento Armorial.

Notável dramaturgo, mundialmente paraibano
Que o Nordeste há tempos vem atiçando
E o Brasil reverencia como Mestre Ariano.

Soneto XXXVIII

Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.

Fazia, de papel, toda uma armada,
e estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino.
ao longo das sarjetas, na enxurrada...

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são de papel, são como aqueles,

perfeitamente, exatamente iguais...
_Que meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!

SONETO DE MARTA

Teu rosto, amada minha, é tão perfeito
Tem uma luz tão cálida e divina
Que é lindo vê-lo quando se ilumina
Como se um círio ardesse no teu peito

E é tão leve teu corpo de menina
Assim de amplos quadris e busto estreito
Que dir-se-ia uma jovem dançarina
De pele branca e fina, e olhar direito

Deverias chamar-te Claridade
Pelo modo espontâneo, franco e aberto
Com que encheste de cor meu mundo escuro

E sem olhar nem vida nem idade
Me deste de colher em tempo certo
Os frutos verdes deste amor maduro.

Vinicius de Moraes
Álbum "Antologia poética"