Somos Passaros de uma Asamario Quintana
Existem tantas palavras
Palavras que não se diz
e, se as virmos escritas
Parece que cava
Uma cova no peito
E cresce uma trova bonita
E enleva a alma de um jeito
Pra durar depois da vida
Que a gente queria sentir e não sente
Não sente porque ninguém diz
Palavra feliz de dizer
Quando a gente olha direito
É fácil saber o fácil
É tudo que nem todo mundo
É capaz de fazer
Outro igual, nem parecido
Explícita sutileza, ao mostrar o sentido
Parece uma coisa à toa
Adornada com laço de fita
Que ecoa na alma... tão boa ela era
Mas era somente uma palavra
Simples, feliz e bonita
A que nada imita
Passou-se uma vida
Bastava fazer-se ouvida
Era só dizê-la
Escrevê-la
Pra num verso recitá-la
Num gesto tão simples
A gente o recita
Mas o simples
Simplesmente é resto
Difícil demais
traduzir em palavras
Que gente não diz
E se diz, parece que sente
Ter deixado de ser gente
A palavra é uma semente
Simples, feliz e bonita
A ser plantada
Numa cova que se cava
Ali no peito
é por isso que existe uma lista
de palavras que nunca são ditas.
Edson Ricardo Paiva.
Nem sempre
Olhar para os dois lados
Antes de atravessar uma estrada
É suficiente
Cuidado
Por querer viver o que não lhe cabe
Muita gente destrói a vida
Vende a alma
E só percebe
Quando descobre que agora
É coisa morta, que se pensa viva
Que não sente nenhuma paz
Nem mesmo na própria calma
E deseja a morte querida
E tem medo também da morte
Por não ter sabido viver
Se um pobre sabe sentir-se rico
Pode ser mais rico
Que um rei que não sente nada
As pétalas secam
As folhas caem
A árvore que mais cresceu
No final daquela estrada
Um dia há de ver-se
Enfraquecida desde as raízes
Por árvores que, infelizes a rodeavam
Isso é tudo que se deve saber
A respeito da vida.
Edson Ricardo Paiva.
Pterodactilia.
Era doença sem nome.
Uma crença que não tinha um credo.
Era Deus a fazer poesia
Daquelas que o tempo não leva
Tão belas, que leva muito tempo
Para lê-las todas
Um meio-dia infinito
Era um minuto na eternidade
Mas o vento
Sempre as levaria
Pra lugar distante
Pois, diante de força tamanha
A existência do Universo
É breve
A verdadeira força do vento
Se esconde
No ato de soprar de leve
E sem pressa
Transformando
A mais alta montanha
Em algo leve
Em algo que o vento leve
Tão depressa quanto a vida
Era a pterodactilia de Deus
Doença de fazer
Versos
Poesias
Universos
Fazendo-as parecer
Um pensamento esdrúxulo
E em meio a tudo isso.
Durante o correr de Eras
Saber que era o mundo inteiro
Alguma coisa que coubesse
dentro de um cinzeiro
E sobraria espaço
Era somente questão de espera
Outra parada em qualquer estação
Escrito e previsto
Que o começo e o fim
Se encontram num lugar comum
Num ângulo
de trezentos e sessenta graus
Vai e volta e se consome
E assim bem e mal se vão
Todo lugar é um lugar qualquer
E qualquer lugar é lugar nenhum
Aquilo que ontem era tudo
Desaparece em movimento mudo
Em questão de momento
O vento leva
Até mesmo o sinal de igualdade
E tudo acaba
Sendo eternamente igual
Não se divide o invisível
Em partes iguais
Ponto final
Nada mais.
Edson Ricardo Paiva.
O debate na mata
Uma espécie
de embate civilizado
Parece conversa
Que versa
Sobre a maneira ingrata
Insensata
E menos estranha
Com que tanto bate
Quem apanha
Termina sempre em empate
O Sapo coacha e me diz
Que burrice não mata
O porco guincha o que acha
Ruge o leão, estridente
O cavalo pensante relincha
A coruja ulula mais que o vento
O Veado enfurecido,
Vocifera, exigindo
O direito de ser comido
O macaco eloquente
Abarrotado de exigência
Pula mais alto que a árvore
Quer falar mais bonito que Deus
Fez-se gente
Inteligente e tão triste
Veio até me dizer
Que Deus não existe
A mim
Resta saber
Dentro e fora da roda
Quem pensar diferente
Não presta
Mas eu posso aplaudir
Enquanto a Floresta incendeia
Sem consenso ou pensamento
Inteligível
Nem tampouco inteligente
Todo mundo vence
Ou se convence que sim
A mim
Me cabe olhar de longe
A formiga que trabalha indiferente
E o Tigre calado
Fingindo de amigo
Pois seu simples olhar,
Me diz tudo
Com o tempo aprendi
Que quando um olhar não diz nada
Toda conversa é perdida
Melhor é fazer-me de mudo.
Edson Ricardo Paiva.
Um pouco mais distante.
Era uma vez um cara
Que viveu num tempo
Um pouco mais distante
E saiu de casa de manhã
Em busca de uma longa espera
Na ânsia, como a conhecemos
Confundindo lágrimas com pérolas
Enxergou como pérolas grandes
As coisas simples e pequenas
Na inexperiência
de quem não se afasta,
Nem guarda a devida distância
Mas ele era apenas um cara
Que viveu num tempo diferente
E saiu pra colher diamantes num campo florido
Se soubesse, que depois do sol à pino
Perderia o rumo (no silêncio há sombras que se arrastam)
Inebriado, pelo falso colorido do desconhecido
Não tivesse ido tão longe
Escolhesse outro destino
Recolheu migalhas, como os próprios pássaros
Que apagaram o rastro na floresta
Só que agora ele não era mais
apenas mais um cara
Que viveu num tempo um pouco mais distante
Era alguém que estava perdido
Tão perdido como todo tolo
Que pensava saber onde estava
Iludido por pensar saber quem era
Perdido desde o dia
Que saiu de casa em busca de uma longa espera
O mundo não era assim
Porém, tinha se tornado, ao fim
Pra alegrar os olhos
de todo aquele que se vê perdido
E que, a partir de agora
Pra sempre ele estaria assim.
Edson Ricardo Paiva.
Vida Flor.
A vida é o dia de uma flor
Quando a chuva aproveita
Bota as pétalas de lado, assim
Se espelhando numa poça rasa
Detalhando os seus tim-tins
Orgulhosa da própria beleza
Ajeita luz do sol
Renovando a folia
Acredita, enquanto há tempo
Tempo é tudo quanto mais havia
Quando o tempo de já não mais crer vier
Ele vem, crer ela não quer...aceita
Bota espinhos, tenta defendê-la
Tristes mãos que, porventura, recolhê-la
Assim, como um sol que renasce
E que jamais se opõe
Ao orvalho das trevas
Escolhe uma melhor lembrança e a leva
Molha-te por molhar-se
Escolhe um ramalhete pra passar teus dias
Que, por ora, ornamenta e tenta e tenta
Tanto tenta que, quando desiste
Já não sente assim, tanta tristeza
Tenta, mas aprende a desistir também
Nem jamais te arrependa de nada
Desaprenda o sorrir
Mesmo assim, depois, aprende
Rir-se de si mesma.
Edson Ricardo Paiva.
Eu nunca quis te vencer, eu sempre quis jogar ao seu lado, ser uma bela dupla, vencer juntos...
Não foi meu objetivo te ter presa em minhas mãos, por isso te deixei livre para partir...
Ela parecia nervosa suas mãos estavam frias e tremia,usava uma blusinha branca que deixava seu colo a vista, ela tinha uma corrente dourada que adornava seu pescoço do pingente não me lembro bem, pois quando á abracei senti aquele perfume que nunca senti em mais ninguém a alegria em seu rosto resplandecia de tal forma que a noite se transformava em dia e eram claros os sentimentos,mãos dadas apaixonados andando pela calçada coisa de criança,como era linda nossas esperanças...
No silêncio há paz,na falta de respostas há muitas duvidas,nos pensamento mil e uma coisas mas nem uma é a certeza absoluta,No olhar o peso dos anos nos anos tantos dias de espera que desacelera lentamente meu coração,e então quando ele parar no silêncio haverá paz...
Aumento no ultimo volume o som aqui no meu castelo da solidão,sento em meu trono solitário com uma vista embaraçada para o mundo, olho fixo para as vidas que que seguem seu curso muito e muito distante daqui, cada uma com seu propósito cada uma fazendo o que lhe agrada,posso entender os seus desejos seus anseios pois tenho todos eles dentro de mim, posso entender que nada é fácil que nada vem de graça porque comigo também não é diferente...
E seu fosse uma estrada que te indicasse uma direção, um caminho será que assim você me seguiria?
E se você estivesse caída e eu fosse uma mão estranha estendida será que você exitaria em pega-la?
E quem sabe seu eu fosse um bom conselho que saiu da boca de quem todos á julgam mal,será que assim mesmo você confiaria?
E se eu viesse a ti como sempre errante e vesse em meus olhos arrependimento,concederia assim seu valioso perdão?
E se como sempre eu tivesse medo,por acaso me abraçaria e me diria que tudo iria ficar bem?...
E a musica ficou tocando repetidamente por horas sem que eu percebesse,queria muito uma bebida naquele momento, o vento a chuva tudo estava no seu lugar menos eu e meus pensamentos...
Outro dia, em sonho, entrei na mata
E à beira de uma cascata eu vi sentado
Sem qualquer possibilidade de fuga
Não sei se era tartaruga
Não sei se era Jabuti
Não sei se era Cágado
A única certeza que eu tenho
É que foi numa tarde de sábado
Num galho pertinho dele
Me olhava manso, o Sabiá
Não me canso de lembrar
Que cansado que eu estava
Disse quase resfolegando
Fica tranqüilo meu amigo
Em minha presença não há perigo
Hoje ando quase tão lento
Quanto a Preguiça e quanto a ti
Minha passagem por aqui
é coisa que invento
Pra espantar a solidão
Nem trago no coração
A antiga maldade de outrora
E somente o que peço agora
É um pouco de companhia
E então o bicho respondeu
Pois eu há muito espero este dia
Pois já te vi correr como o vento
E percebi
quando começaste a ficar lento
No meu íntimo,
também conheço os teus intentos
Apesar da aparência de bicho
Sou alguém que há muito conhece
e nunca andei depressa
Apesar das tuas preces:
Meu nome é tempo
Aquele, que mesmo quando você me esquece
Te encontra nas ruas
e ainda te reconhece
Quando do tempo eu tentei fugir
O Pássaro encantado
Que até então, se encontrava calado
Olhou pra mim como que rí
e simplesmente falou:
Bem-te-ví
Faço comigo mesmo
Uma guerra noturna
declaro um armistício
pra tentar me destruir
Me convenço de que é chegada
a hora de morrer
Penso que passou
da hora de partir
Tenho uma breve lembrança
dos lugares onde eu fui
das pessoas com quem eu estive
será, que uma vida só se vive?
Creio que não
tenho quase certeza que não
tenho certeza que não
não.
É que a gente distorce
tanto a realidade
Que nem sabe mais
distingüir a qualidade
do que é real ou fantasia
pode ser que este dia e esta hora
sejam agora, somente ilusão
e eu esteja em outro lugar
no despertar de outra Aurora
Quantos meses do ano
ainda viveremos cercados
Por uma vida repleta de enganos?
Começa mais um Janeiro
E o Mundo continua sendo
Um simples viveiro de Seres Humanos
Perdidos no tempo e no espaço
De fracasso em fracasso
Vai passando Fevereiro
Fingimos dar as mãos
Esquecemos dos irmãos
e pensamos em dinheiro
De fracasso em fracasso
Atravessamos o mês de Março
Progresso ninguém viu
Não viu ao menos
passar o mês de Abril
Assim você caiu
E assim eu também caio
De corte em corte
de taio em taio
Passa Maio
De egoísmo em punho
Atravessamos Junho
Enchendo o Mundo
de Lixo e entulho
A Humanidade passa Julho
O Governo cria outro imposto
e a gente elege um novo encosto
Assim chega o mês de Agosto
A família recebe um novo membro
e passa Setembro, Passa Outubro
Passa novembro
Humanidade, raça ruim!
O Ano e o Mundo
Cada vez mais perto do fim
Chega Dezembro
E a gente continua
e há de prosseguir
Pra sempre assim.
Numa tarde qualquer, você recebe uma visita e resolve mostrar seu álbum com as fotos da família. Pega o álbum e logo de início percebe que você envelheceu um pouco desde que colou sua última foto naquele álbum. A pessoa que te visita vai te acompanhando nas suas reminiscências. Você chora, você ri, você sente saudades e viaja no tempo.
De acordo com a sua aparência no passado, jeito de vestir ou de cortar o cabelo, as amizades que tinha, pessoas com quem andava, trejeitos que fazia você vai percebendo que não mudou apenas fisicamente; seu jeito de pensar também mudou e hoje você não faria de novo muita coisa que fez e julgava correta à época.
Da mesma maneira que essa tarde passa, a vida também passa. Na verdade a nossa vida é uma ilusão como num álbum de fotos. Numa hora você é criança, depois você é uma pessoa jovem e bonita e, quando menos espera, não tem mais aquela juventude e beleza do passado, mas em compensação você aprendeu com a vida e não pensa mais da maneira errada que hoje percebe que enxergava a sua vida. Eu não digo isso por acaso: Digo pra te fazer refletir. Se hoje você tem a chance de fazer coisas boas e tornar as pessoas felizes, faça. Se você tem vontade de fazer alguma coisa ou dizer alguma coisa da qual há de se arrepender, se há chances de magoar algum companheiro de jornada cuja companhia te agradava, te fazia bem e se essa pessoa nunca te prejudicou e pode te fazer falta um dia, pense bem antes de fazer. A vida é uma ilusão, como uma foto que exibe algo que não existe. Se hoje você tem dinheiro, poder, influência, beleza, juventude, força física, sucesso ou algo assim, lembre-se: A pessoa que está te visitando nessa tarde é Deus, o álbum está nas mãos dEla e a gente nunca sabe o que vai haver na próxima página. Ela ri e chora junto com você durante todo o tempo, mas tudo aquilo que está no seu álbum você não poderá esconder dela. A vida passa depressa como a tarde.
Tenha uma vida justa, digna e feliz. Procure não colar no seu álbum fotos que possam te comprometer e te envergonhar quando a noite chegar e Deus te colocar pra dormir. O Mundo dos sonhos pode ser o único mundo que realmente existe.
O Mundo é como um violão pendurado na parede e a vida é como uma canção. Existem milhares de canções pra se cantar e muitas mais que ainda não foram escritas. Aprenda os segredos do Mundo como quem aprende os segredos de um instrumento e faça da sua vida a mais linda canção que já se ouviu. Ainda dá tempo!
