Somos aquilo que fazemos quando Ninguem nos Ve
As sem-razões do amor
O amor não pede licença à lógica,
chega quando não é chamado
e permanece mesmo sem explicação,
feito chuva mansa em dia inesperado.
Amei sem saber o motivo,
sem rumo, sem garantia.
Meu coração escolheu antes da mente,
e eu apenas segui o que pulsava.
Há amores que não resolvem a vida,
mas dão sentido ao caos.
São as sem-razões do amor,
existindo mesmo quando tudo falha,
mesmo quando doem,
ensinam a ficar inteiro.
Porque amar não é cálculo nem acordo:
é entrega sem defesa,
é aceitar que algumas coisas
só existem porque não têm razão.
Então, hoje a pergunta não é:
“Quando Deus vai terminar de me moldar?”
A pergunta é:
“Estou disposto a ser moldado hoje?
Enquanto houver barro nas mãos do Oleiro, há esperança, há propósito, há glória sendo formada.
Quando o ontem fica aberto como ferida mal costurada,
o amanhã vira palco de ensaio —
não porque superamos,
mas porque ainda tentamos entender onde sangrou.
Sua voz fica
Quero ouvir a sua voz,
porque nela existe um lugar
onde descanso.
Quando o mundo pesa,
é o som dela que
me lembraquem eu sou.
Eu me sinto mais
próximaquando ouço ela,
como se a distância se
encolhesse em silêncio,
como se cada palavra sua
tocasse onde ninguém mais alcança.
Mesmo quando você
não está aqui, sua voz fica
— eco suave dentro de mim.
E enquanto eu puder ouvi-la,
sei que nunca estarei realmente longe de você.
Porque é nas cicatrizes
que o amor cria raiz.
Elas não afastam
— aproximam.
E quando dois corações
se reconhecem feridos,
descobrem que curar juntos
também é uma forma de amar.
Mil vozes
Quando o pensamento corre sem destino, mil vozes falam ao mesmo tempo dentro de você.
Não há assunto, não há forma,
só o barulho do que sente demais
e não sabe por onde começar a entender.
Então você para.
Fecha os olhos,
encara o silêncio,
e a meditação vira abrigo.
Não apaga o caos —
mas ensina a escutá-lo
sem se perder nele.
E aos poucos,
a mente desacelera,
o coração encontra ritmo,
e aquilo que parecia confuso começa a respirar.
Meditar não resolve tudo,
mas ajuda
— e às vezes, ajuda muito.
Te quero tanto…
Te quero tanto que o
pensamento insiste em
te procurar mesmo
quando o silêncio
tenta me distrair.
És desejo calmo e
inquieto ao mesmo tempo,
Presença que não toca o corpo,
Mas ocupa inteiro o coração.
Te quero tanto que meu
tempo aprende teu nome,
E cada espera vira esperança disfarçada.
Em ti, o querer não cansa, amadurece —
É chama que não queima,
Mas aquece tudo o que sou.
Te quero tanto que não
peço posse, peço encontro.
Não imploro promessas,
Apenas o instante em que
teus olhos dizem
Que me querem também.
Pausa (Entre Nós)
Quando estamos juntos,
o tempo aprende a ser delicado conosco,
como se cada segundo soubesse
que o amor também precisa de suavidade.
Entre teus gestos e o meu silêncio,
tudo ao redor perde a pressa de existir,
e a vida faz uma pausa para nos olhar,
reconhecendo em nós um instante raro.
Então entendemos, sem dizer nada,
que não é o amor que corre atrás do tempo,
é o tempo que se curva diante de nós,
respeitando aquilo que nasceu para ficar.
E quando a terra exala seu cheiro terroso, me lembro que amor também floresce na chuva.
Nosso toque, como a água, é instante e eterno,
e cada gota sela o pacto de nossos corações
O amor me amou
O amor me amou
quando eu já não sabia ficar,
sentou ao meu lado no silêncio cansado, fez morada no que em mim era medo e chamou de lar aquilo que eu chamava de fim.
O amor me amou
sem pedir forma ou promessa,
tocou minhas falhas com mãos pacientes, ensinou que até o que dói pode florescer quando alguém escolhe ficar.
O amor me amou
— e nisso eu renasci:
não inteiro, não perfeito, mas verdadeiro, aprendendo que ser amado, às vezes, é simplesmente
existir sem fugir.
Antes da dor, depois da luz
O amor me amou
quando eu já não acreditava
que fosse possível amar de novo.
Quando a luz virou sombra,
a felicidade virou mágoa,
e o dia que era sol
fez noite dentro do meu peito.
Mas você chegou…
viu quem eu era antes da dor
e quem sou depois da escuridão.
Viu-me num quartinho,
feito um garotinho chorando, quebrado,
enquanto ao meu redor
era breu, tempestade e trovão.
Você não teve medo,
lutou contra meus próprios sentimentos,
gritou meu nome no meio do caos.
Olhei pra trás
e vi a tempestade
e a solidão daquele quarto.
Não saí do lugar.
Mas você se aproximou.
Me abraçou.
E tudo o que em mim estava morto
floresceu de novo.
Ficaram apenas as cicatrizes —
pois o seu abraço me curou,
me conectou de um jeito que palavras não alcançam.
Dias longos, anos curtos
Dias longos como estradas sem fim quando estou longe de você,
o relógio arrasta correntes pelo chão da sala, cada minuto pesa como inverno sobre meus ombros,
e a saudade é um sol parado queimando devagar.
Mas quando tua voz atravessa o silêncio, os anos encolhem como cartas dobradas no bolso,
o tempo vira rio apressado
correndo entre nossos dedos,
e a vida
— que parecia extensa
— cabe inteira num abraço.
Dias longos, anos curtos:
aprendi que o amor distorce calendários, faz da espera uma eternidade suspensa
e de uma vida ao teu lado…
um instante que passa voando.
Nós nos atraímos como ferro e ímã,
mesmo quando fingimos distância,
há uma força invisível que nos denuncia.
É o silêncio encurtando caminhos,
é o acaso nos empurrando um para o outro como se o destino tivesse mãos.
Teu olhar me encontra como bússola enlouquecida, apontando sempre para o teu norte.
Resisto, mas meu corpo trai a lógica,
pois alguns encontros não pedem permissão:
eles acontecem,
como a maré obedecendo à lua.
E quando finalmente nos tocamos,
não é escolha
— é natureza.
Somos matéria rendida à própria essência, dois pedaços do mundo que se reconhecem
e se colam porque nasceram para isso.
Não te prometo caminhos sem tropeços,
mas prometo ficar quando o medo tentar te parar.
Se o mundo fechar portas,
mudamos a direção,
se o erro doer,
respiramos juntos e recomeçamos.
Amar você é aprender que coragem
nasce quando dois corações insistem.
Corações em Alerta
Quando teus olhos cruzam os meus,
Minhas pupilas se abrem,
Como portas secretas
Que convidam a alma a se revelar.
O coração dispara sem aviso,
A respiração se perde em ondas,
E cada gesto teu desperta
Uma tempestade de adrenalina e desejo.
No calor que invade a pele,
Sinto o prazer da dopamina florescer,
E a oxitocina sussurra baixinho
Que quero estar perto, sempre perto de ti.
E nesse brilho que nasce nos olhos,
No sorriso que se entrega sem razão,
O corpo inteiro celebra teu nome,
Amando-te antes mesmo do coração compreender.
Será que estou sendo egoísta?
Será que estou sendo egoísta
Por desejar teu colo quando
o mundo pesa em mim?
Por querer teu silêncio junto ao meu,
Como se o amor também fosse descanso enão só entrega sem fim?
Será que estou sendo egoísta
Ao te querer por perto mesmo quebrado,
Ao temer te perder
antes mesmo de te ter,
Ao confundir cuidado com medo
E saudade com exagero?
Não
— estou apenas sendo humano.
Amar também é precisar,
também é falhar,
Também é perguntar quando o coração treme.
Se há egoísmo aqui,
ele nasce do amor
Que não sabe existir sem sentir.
Amigo é quem fica quando faltam palavras,
quem entende o caos sem pedir legenda,
quem segura o riso e a queda
com a mesma lealdade simples e rara.
O amor,
a gente escolhe viver.
O respeito,
a gente mantém mesmo
quando dói.
A bondade,
a gente reparte sem
calcular retorno.
O perdão,
a gente pratica
para não virar prisão.
Nem todos vão retribuir
do jeito que esperamos,
nem todos sabem vestir
a roupa da reciprocidade.
Mas seguir certo nunca
foi sobre aplausos,
é sobre dormir em paz
com a própria consciência.
Porque quando ninguém vê,
Deus vê.
E quando ninguém reconhece,
Ele reconhece.
A recompensa não nasce
da mão dos homens,
vem do céu
— no tempo certo, do jeito certo.
É você...
É você quando o mundo pesa
e alguém fica.
Quando o silêncio ameaça me engolir
e uma presença basta para me lembrar
que ainda existe chão sob os pés.
Você não chega fazendo barulho,
chega ficando.
É você quando me entende sem tradução,
quando segura minha mão
antes mesmo de eu pedir ajuda.
No meio do meu caos,
é abrigo.
No meio das minhas dúvidas,
é certeza tranquila,
daquelas que não precisam prometer nada.
E talvez seja isso que mais importa:
você não me salva —
me acompanha.
Não me ensina a viver,
vive comigo.
Veio sem aviso, sem plano, sem pressa…
e ficou,
como quem escolhe todos os dias.
