Somos aquilo que fazemos quando Ninguem nos Ve
O amor é como uma lâmina afiada. Quando mais você se agarra a ela, mais dolorosa e profunda é a ferida.
(Xi Men Yan)
Nosso país será justo quando brancos, negros, indígenas e outras etnias viverem em condições de igualdade de direitos sociais.
"Você não tem noção o nojo que sinto quando você me envolve com suas palavras, problemas e fingimentos. Quando vejo estampado no seu rosto o que antes eu achava belo, e o que antes eu ansiava ver. Te agradeço, por fazer eu enxergar e perceber que só quem me merece sou eu, porque de pessoas como você, eu quero distância. Au revoir."
“Gorjeio é mais bonito do que canto porque nele se inclui a sedução. É quando a pássara está namorada que ele gorjeia.”
Manoel de Barros
O amor constrói. Gostarmos de alguém, mesmo quando estamos parados durante o tempo de dormir, é como fazer prédios ou cozinhar para mesas de mil lugares.
A perfeição é atingida não quando não há mais nada a acrescentar, mas quando não há mais nada para tirar.
A mudança apenas acontece quando pessoas comuns se envolvem, se comprometem e se unem para exigi-la. Nossa democracia não irá funcionar sem a noção de que todos tenham oportunidades.
O Peso da Presença: Quando o Medo de Ser Incômoda Nos Faz Ausência
Ao meu medo de ser incômoda, atribuo meus afastamentos e ausências.
Já fui aquela pessoa extremamente presente, que ao menor sinal estava lá, de prontidão.
Ainda sou, mas hoje me blindo de informações — uma pausa do mundo para não exceder meus limites,
os quais já foram exaustivamente ultrapassados.
Se for realmente urgente, coloco minhas dores no bolso, me faço forte e estarei lá, presente.
Mas o receio de ser incômoda, de parecer forçar algo, inclusive a presença,
me faz recuar de imediato.
Ainda que meu desejo seja permanecer, escolho me afastar, recolher-me, curar-me.
De alguma maneira, encontro força na solidão escolhida,
para não me tornar um peso na vida de quem amo.
E assim, me torno ausência antes que me tornem excesso.
A Força que Me Sustenta
Às vezes, é preciso ser Mulher-Maravilha, mesmo quando estamos quebradas. Colocamos a armadura, escondemos as feridas e seguimos em frente.
Guardamos a vulnerabilidade no bolso, vestimos o sorriso e encaramos os holofotes, as mídias, os stories.
Não por sermos imbatíveis, mas porque sabemos quem tem nos sustentado de pé, e porque ainda há um propósito a ser cumprido.
Minha fé está em Deus, e nele encontro descanso.
Permito-me viver sob Sua graça, que me alcança com generosidade, carinho e proteção.
E se um dia eu decidir parar, lembre-se: lutei até o fim.
Silêncio da Partida: Quando Só Para Mim Tinha Importância
Às vezes, chego a um ponto em que finjo estar tolerando tudo. Tenho preguiça de argumentar, de tentar explicar. Calo-me, mas não engulo. Apenas me preparo para partir. A decisão já está tomada, mesmo que a tristeza ainda me acompanhe. Porque, ao longo do caminho, percebo que aquilo que para mim tinha tanta importância, para o outro não significava nada. E isso dói. A dor não vem do afastamento em si, mas da constatação de que, mesmo quando entregamos o nosso melhor, muitas vezes somos deixados para trás.
A tristeza não é uma fraqueza, mas um reflexo de tudo o que tentamos construir, das esperanças que alimentamos, e das promessas que não se cumpriram. O que resta agora é seguir em frente, mesmo com os olhos ainda voltados para o passado. Porque, mesmo sabendo que só para mim tinha importância, há algo mais forte dentro de mim, algo que me permite seguir. A liberdade vem da escolha de ir, mesmo quando a partida se faz silenciosa, e a dor é uma lembrança do que não foi recíproco.
E, com o tempo, essa dor se transforma. Não mais como um peso, mas como a sabedoria de quem se escolhe, de quem aprende a se dar valor, mesmo que o outro não tenha visto. O fim não é o fim, mas o começo de algo que só a mim importa agora.
Efêmero e Infinito
Quando eu for, um dia desses,
poeira, levada pelo vento,
quero ser como as estrelas—
que mesmo quando morrem,
não se apagam.
Que meu brilho, mesmo distante,
ainda toque olhares,
ainda ilumine caminhos,
ainda ecoe na memória
de quem um dia me viu brilhar.
Que eu permaneça,
não apenas na lembrança,
mas no sentir.
#AtravésDoMeuOlhar
Renacente
És raiz que o vento não arranca, mesmo quando o tempo insiste em testar tua fé. És mar que se refaz em ondas, sendo força, sendo entrega, sendo tudo o que quiser.
Tens no olhar o peso dos séculos, memórias que ecoam além do corpo e da pele, mas na tua essência, há um brilho inquebrantável, um lume que nem a sombra repele.
Caminhas entre destroços e ainda assim constróis beleza, transformas dor em poesia, silêncio em canção. És feita de alma que não se dobra, de ternura que é resistência, de amor que é revolução.
Persistes, porque és feita de verbo e coragem, de fotografia e palavras que nunca se apagam. És mulher que sente e não se rende, mulher que é inteira, mesmo quando o mundo tenta partir em farrapos a tua estrada.
És tempo que recua e avança, és entrega e refúgio, és pulsar e calmaria. És mulher que não se desfaz, porque és, simplesmente, poesia.
Feliz teu dia, feliz tua existência.
Quando o Mar é Você
Há dias em que não é o mundo que me engole — sou eu que me afundo em mim.
A superfície parece perto, mas é como vidro: vejo o sol lá em cima, sinto o calor à distância, e ainda assim não consigo atravessar.
Seria simples nadar, se o peso não estivesse costurado nos meus ossos.
Seria fácil pedir socorro, se a voz não se dissolvesse antes de chegar à boca.
E assim fico, boiando no sal da minha própria tristeza,
enquanto os outros, da praia, acenam como se fosse só mais um mergulho.
Dizem para nadar até a areia, mas não sabem que a areia já não existe para mim.
Que a ideia de “voltar” é tão distante quanto um porto que nunca conheci.
O mar é fundo, frio, e tem o mesmo nome que eu.
E no silêncio submerso, percebo:
às vezes não é que a gente queira se perder.
É que o cansaço de tentar se salvar
parece mais letal do que simplesmente deixar-se afundar.
Fotografia em Movimento: Congelar e Fluir
O movimento, quando registrado pela fotografia, é a dança do tempo diante da lente. Há nele duas possibilidades igualmente poéticas: congelar o instante ou deixá-lo fluir.
Ao congelar, a fotografia revela o detalhe invisível ao olhar comum, a gota suspensa no ar, o salto interrompido, o gesto que se eterniza. É como se o tempo fosse interrompido para mostrar a grandeza de um segundo.
Ao fluir, a imagem ganha suavidade, trilhas de luz, borrões de cor e formas que evocam a sensação de passagem. O movimento se torna memória em expansão, carregando a emoção do instante em vez de apenas sua forma.
Entre congelar e fluir, está a sensibilidade do fotógrafo em escolher como deseja contar a história. Às vezes, é preciso capturar a nitidez de um momento único; em outras, deixar que o olhar sinta o deslizar do tempo.
Fotografar o movimento é abraçar o paradoxo de parar o tempo e, ao mesmo tempo, deixá-lo seguir. É mostrar que cada instante tem sua beleza, seja na pausa que revela, seja na continuidade que emociona.
Espontaneidade: A Alma da Imagem
Autoral: Jorgeane Borges
Tem um provérbio africano que diz assim: "Eu espero que quando a morte vier te encontrar, te encontre vivo".
A ideia é que tem gente que morre antes, enquanto existe. Viver é mais que existir, é encontrar-se com o bem eo belo da vida, consigo mesmo,
é encontrar-se com o amor.
