Sombra

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" Aquele que deseja compreender as sombras do além deve, antes, examinar com coragem as sombras que ainda abriga. Pois toda paisagem espiritual começa na arquitetura invisível da própria consciência. "

O Canto do Galo e a hora sagrada.

Na sombra fria rompeu a alvorada,
Cantou o galo à terra consternada;
E Pedro, a face em pranto consumida,
Viu sua fé por si mesma ferida.
Negou três vezes o Mestre querido,
Com voz de medo e coração vencido;
Mas cada som do galo anunciava
A luz que a culpa em lágrimas lavava.
O céu calou... Jesus não o ferira;
Somente o olhou com santa e doce lira.
Naquele olhar, sem ira nem censura,
Nasceu a flor da eterna compostura.
Cantou o galo. O mundo estremeceu.
O homem caiu... mas Deus não o esqueceu.
Quem chora o erro, ao bem torna outra vez,
Pois a humildade é filha da altivez.
Ó galo humilde, arauto da verdade,
Que despertaste a humana enfermidade,
Teu canto foi mais forte que o açoite,
Rasgando em luz a escuridão da noite.
Pedro caiu para melhor subir;
Quem sabe amar também sabe carpir.
E o Cristo, manso, ao ver sua aflição,
Fez do remorso um hino ao coração.
Assim, quando o pecado nos alcançar,
Que o galo torne em nós a despertar;
Porque a alma que aprende a se curvar
É a mesma que Deus torna a levantar.

Sinônimo de amar é amar

Amar é verbo que ao peito faz doer,
Em cada suspiro, uma sombra espreita,
No palco do coração, um drama a tecer,
Onde alegria e tristeza se sujeita.

É como se a saudade fosse o mote,
E a espera, a trama que nos prende,
No enredo do amor, há sempre um corte,
Onde a felicidade se desvende.

Mas mesmo em meio ao pranto e à desventura,
Há uma centelha que persiste a brilhar,
É a esperança, a luz que nos procura,
Mesmo quando a escuridão nos faz chorar.

Sinônimo de amar é sofrer, é certo,
Mas também é a beleza de um amor aberto.

⁠Quando eu deixo de buscar por aqueles que se escondem na sombra da indiferença, descubro que a verdadeira reciprocidade não se implora; ela floresce espontaneamente na clareza do desejo mútuo.

MORIBUNDA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Nas frestas do ser, tecido em sombra e peste, dorme a carne, e a alma se reveste de ferrugem, pó e lama vil;
sou fruto putrefato de um solo hostil.
No ventre úmido do tempo triste e agreste, minh'alma enferma e macilenta investe, num sonho tosco, em busca do porvir; mas tudo é vão.
O osso, o mofo, o verme persistem. E neste palco de miséria e desatino, represento o triste destino de um bicho que sonhou sentir.
E ama, e chora, e continua a perecer.
Meus olhos, duas candeias já sem brilho, pendem cansados para o chão senil;
a vida foge, fria, sutil,
e só me resta o gosto vil da dúvida que rói todo o perfil.
Sinto no peito um breu sem consolo,
um poço sem fundo, um verso sem solo.
E nesta agonia, um réquiem vago a vida entoa, zombando do meu pranto que ainda condoa.
Sou barro e lodo, sombra e lama, verme que deseja chama, mas só sabe se arrastar.
E, ermo em vão, me vou sem norte,
levando no peito a própria morte,
que vive a sussurrar. Assim... num mundo vão
me desfaço e me consumi, num riso amargo e vão que não sorri.
E a noite é tudo o que sei e serei e senti.

SOMBRA FERIDA NO OSTRACISMO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
No meu porão não há arco-íris, há neblina e luto
um veludo de pó que emoldura o corte do absoluto.

As paredes, urnas frias, suspiram úmidos segredos,
onde a luz morreu em filas, sepultada entre medos.

Há um perfume de velório, metálico e ancestral,
cheiro de livros podres, de promessas em funeral.

As tábuas gemem documentos de infância em decomposição,
e eu, órfão de auroras, escuto o peito em erupção.

Os vermes fazem coro num idioma de sal,
recitam o credo antigo da desordem e do mal.

Não vêm risos prometidos das pontes do horizonte,
só ecos de um requiem que secos meus ossos aponte.

A túnica do sonho jaz rasgada, sem bordado,
e a esperança, cadáver, exala ar frio e embargado.

Vejo, entre teias grossas, um retrato de saudade,
o olhar do tempo fechado numa urna de verdade.

Quem trouxe velas aqui? Quem desabou essa cal?
E somente o vento com fome, sussurra: _ o funeral.

Não há prisma que ministre cores à noite do abandono,
apenas o vinho azedo do remorso e do engano.

As rimas que eu buscava, como penas, se desfazem,
perdidas nas catacumbas onde as vontades jazem.

E o coração, esse pássaro morto, pesa como um sino
que bate sem crença, anunciando o próprio destino.

Aqui as estrelas não descem; apenas descem os lamentos
de uma geometria morta, sem mapas nem alentos.

Trazem-me vozes em latim as lembranças desbotadas,

orações incompletas por almas já extraviadas.
E eu, médico das sombras, abro o livro da ruína,
escrevo nela com lágrimas a página da ladainha.

Não espero salvação que salvação há no pó?
A salvação é miragem, e o porão é o seu nó.

Se há amor, é funesto; se há fé, é contrição;
se há cor, é somente a púrpura da minha instrução.

Por fim, deixo aos ratos as medalhas do desvelo
e à penumbra consagro este pobre desassossego.

No meu porão não há arco-íris, há silêncio e ossos
e a voz do tempo que bebeu todos os nossos esforços.

E se acaso amanhã algum raio ousar romper o chão,
ele morrerá engasgado na cova da razão.

Assim reclamo meu tribunal de sombras e lutos,
onde escrevo, com sangue frio, os versos absolutos.

Que fique a certidão: no fundo desta invenção,
não há arco-íris só a eterna, sublime condenação.

"No próximo ano (como sempre faço) deitar-me-ei na rede, à sombra, e - entre goles de champã gelada - aguardarei as boas e as más chegarem. Sei lidar com ambas!"


Texto Meu No.1150
🤭

A sombra da inteligência aparece discretamente na humildade. 👀

⁠Se ficar por muito tempo na sombra, a luz cega à primeira vista.

​"Ser luz onde tudo é sombra não é desgaste, é privilégio."

“A sombra é o lugar onde a alma se senta quando cansa de fingir claridade para um mundo que só aplaude quem nunca precisou escurecer.”

“Sorte quase sempre caminha ao lado de uma sombra chamada autoconfiança.”

Em cada um há sombra e luz, cabe a você escolher qual delas quer enxergar em mim.

Melhor é a companhia da própria sombra do que a presença constante dos murmuradores.

Nunca haverá luz o suficiente para aqueles que só procuram viver na sombra.

⁠E nessa estrada o necessario é uma sombra para chegar e se encostar, e verao longe o brilho do sol voltar.

Busquei na sombra
sob o Sol sem conta
andar nos labirintos
da atenção sentimental,
Nos muros coloridos
encontrei e desencontrei,
Porque na verdade a cor
que preciso está no olhar
mais lindo jamais visto,
e por ele o coração está
completamente rendido.

Disco sombrio da sombra galáctica
girando no toca-discos da Via Láctea.


[[[Da curiosidade interminável.]]]


Ocultando o soul das intenções,
das emoções e da mais desejosa
de todas da história das paixões.


[[Do que vem para ser inabalável.]]

Sob a sombra
do seu cuidado:
tudo foi confiado.

Divina sombra
misturada à minha:
refundação universal.