Som Alto
Rastros
O silêncio é o som mais barulhento
É um rastro ensurdecedor
Restou apenas um sentimento esquecido no alento
Coberto pelo sereno aborrecedor
Em suas palavras houve uma paixão intensa
Que criou Inteferências nesta frequência
Transformando tudo em ilusão para uma última sentença
Seus vestígios contaminando a minha essência
Algo tão intenso que perdeu o sentido
Sem direção me perdi com as placas
E me pergunto com o coração partido
Será que também deixei marcas?
No meio de tantos momentos
Espero ter deixado alguns rastros
Mesmo que no fim sejam apenas fragmentos
Espero que lembre-se de mim quando olhar os astros
Em algum momento na água
Quando ouço aquele som solitário
Em algum momento no fogo
Me faz querer me ajoelhar e rezar
Em algum momento na água
Em algum momento na água
Doce Jesus, ele me carrega
Não sei se você percebeu, mas esse som
Tá marcado por cada traço teu
Tudo que a gente viveu e
Tudo que eu ainda pretendo viver
Tô com saudade da tua voz rouca de manhã cedo
Do teu jeito de acabar com todos os meus medos
Ouve o som que te acalma
Vê do que transpassa a alma
E caminha devagar nas ondas do teu próprio mar
“O silêncio é a mais poderosa forma de ensinamento transmitido de Mestre a discípulo. A voz sem som é a intuição pura, é a voz do som espiritual que fala no mais íntimo de nosso Ser e nos revela a natureza original do Criador do Cosmo.”
A Música da Felicidade é formada pelo Dom (potenciais), o Tom (atitudes) e o Som (métricas) que precisam estar em harmonia.
O som que me torna criança!
Chuva...
Terra molhada, barulho no telhado, cama quentinha, abraço demorado!
Tudo me faz relembrar a casa da vovó
Cheiro de bolo, de café quentinho e a voz dela chamando por mim
Eu correndo pela casa com sorriso exagerado de simplicidade...
Que saudade!
Da inocência, do sorriso verdadeiro, da alegria desmedida
Saudades de momentos que não voltam mais!
Foram anos inesquecíveis...
De dias maravilhosos
De horas únicas
De segundos deliciosos
De minutos adoráveis!
Hoje eu aqui com 27 anos, quando vejo, ouço e sinto a água cair do céu, fecho os olhos e mato todas às saudades, revivendo toda aquela felicidade que tive no interior na casa da vovó
Aqueles sim, foram olhares, sorrisos, abraços, e carinhos verdadeiros
O olhar que me cuidava
O sorriso que me alegrava
O abraço que me protegia
O carinho que tudo me dizia...
Aquela mão de pele branca com unhas rosadas de temperatura adorável
Que acalentava o meu rosto quando o meu sorriso respondia o dela.
Vovó... Te agradeço todos os meus dias de chuva
Pois hoje a cada gota sentida e ouvida volto a ser aquela criança que sempre foi muito bem assistida.
Posso levantar ao som do mar
Ouvir o calor das chamas
Tocar o orvalho nas rosas amargas
Sentir o frescor das ondas quebrando
Ver a empolgação dos pássaros
O que posso querer?
Do outro lado do rio
Crianças brincam com a inocência singular
Os momentos são únicos
Devem ser vividos
Sem serem despercebidos
O que devo fazer?
As lágrimas correm
Sem que eu saiba se são de alegria
Ou se ocorrem por saudosismo
Tempos bons ficam
Os ruins servem para ensinar
O que posso fazer?
O tempo corrói tudo
Destrói o que o homem ergue
Acaba com o que o criador originou
Implanta rugas em faces vigorosas
Mas os sentimentos permanecem
O que quero fazer?
Quis desvendar todos os mistérios
Aprendia a cada olhar
Cada gesto era muito pra mim
Alguma coisa a gente tem que amar...
Mas o quê? Eu não sei mais.
Eu não sei, tenho tanto medo. Estou esperando, cansei de escrever… Vou deitar. Ouço o som do amor se aproximando cada vez mais. É um som leve, leve. Quase como um suspiro. E está muito perto. Mais perto. Tão perto que ninguém vai me ouvir se eu gritar.
