Solitário
BÂTON ROUGE
Sobre a velha cômoda,
já sem lustro e descascada,
solitário,
o velho e gasto bastão vermelho espera,
paciente,
a última boca a pintar.
Todas elas,
as velhas prostitutas,
o têm usado
para mascarar a face
precocemente desgastada pela vida.
E ele, coitado,
se doou, aos poucos,
a todas elas,
as velhas prostitutas
de apenas trinta anos.
Já tem pouco a dar.
Mas vai, agora,
uma vez mais,
emoldurar o sorriso quase sem dentes
da mais idosa
e fazê-la parecer linda e feliz,
como nos velhos tempos.
E, na concessão dos últimos beijos
daqueles lábios ressequidos,
que ainda tentam demonstrar paixão,
pouco a pouco
desaparece o velho batom
escarlate.
E assim, com ele, vai também
um pedaço da vida e das lembranças
delas todas,
as velhas prostitutas,
já mais velhas
e, agora,
de sorriso mais sem graça...
Quem nunca sentiu um vazio? o vazio, solitário, amendrotado, incapaz, inútil, incapaz, esse vazio, sente-se quando pra você nada mais tem sentido.
O solitário tem fé.
Como um rei que não ama.
Eu me desespero sem ter uma dama.
Canto só nesse canto.
Sem meu doce encanto.
Quem amava.
No passado me enforcava.
E hoje me ensina.
E logo tira meu clima.
Rezei pra Deus nos unir.
Mas tenho de esperar.
O negocio não pode sucumbir.
Hoje só posso orar.
Ter fé e esperar.
Posso ver meu ser conseguindo te alcançar.
O solitário aqui tem fé.
O negocio vai dar pé.
Amor Solitário
Amei demais.
Mas não fui correspondido.
Amei com todo coração.
Mas fui pego de surpresa pela razão.
Que me deixou sem sentimento algum.
Como um vinho sem rum.
Minha vida foi se acabando.
Num toque de blues.
Nada tinha a declarar.
Minha vida ficou fora do lugar.
As pessoas chegaram até a me abandonar.
E eu fiquei empacado no mesmo lugar.
Sem conseguir me movimentar.
Tudo isso porque...
Não consegui mais amar outra pessoa.
A não ser você.
Que apesar de todos os versos.
Que a ti dediquei.
Você só soube me humilhar.
Mais e outra vez.
Agora sem nada para falar.
Meus versos resolvi expressar.
E minha vida começou a mudar.
E sem você para me amar.
Escrever é um ato solitário, é colocar-se em palavras.
Palavras são como folhas de plátino soltas ao vento... em direção aos novos horizontes.
Deixá-las voando irreverentes, sem cordas para serem puxadas e sem lugar determinado para pousarem, sempre a favor do vento.
Assim é o ato da escrita, deixar fluirem palavras que, voando devagar, ao cair, adubarão terras distantes.
-Solitário-
Meu choro nesse momento é meu único consolo
Minha saudade é tão profunda que mergulho em uma lágrima
Uma simples e singela lágrima. Procuro a saída e não consigo encontrar.
O mundo está tão distante de mim
Hoje olhei pra todos em minha volta
Todos felizes, sorrindo
Mais eu não conseguia encontrar um motivo
Para pelo menos fingir felicidade.
Pra que sorrir se você não está aqui?
Se você hoje não me deu motivos?
Pra que sorrir se os retratos já foram quebrados?
Pra que sorrir, se meus olhos permanecem fechados
Num mundo inóspito, escuro, cheio de mágoa?
Aí vem essa sensação de estar voltando pra casa o tempo todo
Num caminho longo e perigoso
Uma estrada sombria onde os sentimentos foram perdidos
Onde os olhos já não brilham mais.
Acho que vou ficar por aqui
Já que tudo esta acabado.
Vou morar em um lugar qualquer
Tentar buscar a felicidade na minha solidão
Inventarei a fórmula perfeita, que tenha solidão e felicidade
Mesmo assim eu me lembrarei do seu perfume.
O distante solitário no banco de uma praça
Apaixonante de palavras meigas
O garoto dos planetas, dos meus planetas
O Garoto das estrelas
O presente passado atormenta quando nós somos o único guardião solitário de muitas lembranças que nunca foram registradas ou escritas mas permanecem vivas, ao inverso do tempo que tudo esfumaça e apaga, a cada passo que dou em direção do novo, sempre tem um detalhe ou uma situação que reacendem no frescor do espirito às memoráveis passagens, que saudades.
No entanto, o corvo solitário
Não teve outro vocabulário,
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda a sua alma resumisse.
Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora."
E o corvo disse: "Nunca mais!"
Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convivência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: "Nunca mais".
Segunda vez, nesse momento,
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo;
E mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera
Achar procuro a lúgubre quimera,
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais".
Eu sei que está congelando lá fora, mas acho que nós deveriamos andar. Quando tudo estiver solitário, eu posso ser o meu próprio melhor amigo, eu pego um café e o jornal, eu tenho minhas próprias conversas.
Na solidão da noite te procurei e não te encontrei
O meu coração solitário clamava por ti, esperando te ouvir.
Os meus pés descalços apressavam a te encontrar em qualquer lugar.
Os meus olhos atentos buscavam os seus que se perdeu.
O meu corpo suado desejava o seu que um dia foi meu.
Procurava te encontrar por todas as cidades e além mar.
Vaguei por toda direção, mas te encontrei dentro do meu coração.
Seja como um lobo solitário, a tal ponto de não te deixes influenciar por ninguém, mas fiel ao teu bando. O Lobo sabe ouvir e ser o melhor amigo de sempre se você não traduza a sua confiança e, sobretudo, ele honra a Lua porque ele sabe quão grande é o seu poder e uiva para fazê-lo sentir o quanto é grato.
Árvores dançando, cabelos ao vento. Janelas abertas e um ser solitário. Lágrimas na face, amor sem medida. Indecisão fora da conta. Paredes úmidas, escorrendo...amando...chorando.
Companhia
Descobri que solitário
não mais hei de ser;
enquanto houver caneta, papel
e o direito de escrever.
Pobre coração inocente e solitário que confunde o amor com a paixão. Que se machuca, que sofre com essa dor e desilusão.
Coração tão mole, cego e tolo, que pula feito um bobo quando te vê, e chora como criança longe de você.
Pobre coração inocente, tão sensível e carente, que se entrega por inteiro com um sentimento puro e verdadeiro. Mas depois se arrepende e retorna tão descontente com medo de amar.
Uma paixão à flor da pele que fecha os olhos para as consequências e não teme poder errar.
Coração que às vezes se engana, mas que está sempre acima da razão.
Coração que não pensa ao agir, mas que não deixa nada ir em vão.
Solidão
Já se sentiu solitário?
Sente-se solitário agora?
Encontrou alguém que compreende seus sentimentos
mais profundos
seus pensamentos
e que o aceita como você é?
Conversa com você
e faz com que sua vida se torne mais significativa
e o ajuda a descobrir sua beleza interior?
Encontrou um tesouro!
