Sofrimento de Animais

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Acho que se os animais falassem não seria conosco que iam bater papo.

Millôr Fernandes
Millôr definitivo: a bíblia do caos. Porto Alegre: L&PM, 2007.

A PALAVRA “QUASE” RESPONDIDA A KARDEC: A QUESTÃO DOS ANIMAIS, O PRINCÍPIO INTELIGENTE E O BOM SENSO DIANTE DOS FATOS ESPIRITUAIS.
Marcelo Caetano Monteiro.
Há temas dentro do estudo espírita que exigem mais do que opiniões rápidas: exigem leitura integral das fontes, análise histórica, compreensão filosófica e, sobretudo, o mesmo método que Allan Kardec utilizava diante dos fenômenos: observar, comparar, analisar e aguardar o amadurecimento das conclusões.
Entre esses temas encontra-se a questão da sobrevivência do princípio inteligente dos animais após a morte física. Muitos negam qualquer possibilidade de continuidade espiritual ligada aos animais, utilizando apenas uma interpretação superficial de algumas respostas de O Livro dos Médiuns. Entretanto, o próprio Kardec demonstra que determinados assuntos não devem ser encerrados precipitadamente, pois o conhecimento espiritual também possui etapas de desenvolvimento.
A chave para compreender esse assunto está em uma palavra aparentemente simples, mas profundamente significativa:
QUASE.
A QUESTÃO 600 DE O LIVRO DOS ESPÍRITOS: O SENTIDO DO “QUASE IMEDIATAMENTE”
Em 18 de abril de 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec apresenta a questão 600:
“Depois da morte do animal, o princípio inteligente que nele havia se acha em estado latente e é logo utilizado quase que imediatamente, por certos Espíritos incumbidos disso, para animar novos seres, em os quais continua a obra de sua elaboração.”
A resposta afirma que o princípio inteligente dos animais é aproveitado rapidamente para novos processos evolutivos.
Mas é necessário observar cuidadosamente: a ideia não é apresentada como um desaparecimento absoluto do princípio inteligente, mas como uma continuidade evolutiva em outro estágio.
E aqui surge uma palavra fundamental:
QUASE.
Se a resposta fosse “imediatamente”, indicaria uma transição automática, sem qualquer intervalo ou condição intermediária. Porém, ao utilizar a ideia de algo que ocorre “logo” ou “quase imediatamente”, abre-se uma margem filosófica importante: existe uma passagem, um estado de transição, um período intermediário.
A palavra “quase” demonstra que Kardec não estava tratando de um mecanismo simples e matemático, mas de um processo da Natureza, envolvendo leis espirituais ainda não totalmente conhecidas.
O próprio codificador do Espiritismo jamais transformou aquilo que estava em estudo em dogma fechado.
O LIVRO DOS MÉDIUNS: UM NOVO MOMENTO DE INVESTIGAÇÃO.
Em 1861, Kardec publica O Livro dos Médiuns, obra dedicada ao estudo das manifestações espirituais.
No capítulo XXV, item 283, encontramos a análise sobre:
“Evocações dos animais.”
Ali aparece a orientação:
“Depois da morte do animal, o princípio inteligente que nele havia se acha em estado latente e é logo utilizado...”
A princípio, alguns interpretam essa passagem como uma negação definitiva de qualquer manifestação espiritual relacionada aos animais.
Contudo, é preciso compreender o método de Kardec.
O assunto não terminou em 1857.
Em 1865, na Revista Espírita, Kardec volta ao tema diante de um fato novo: uma comunicação envolvendo uma cadela chamada Mika, relatada por um correspondente de Dieppe.
E qual foi a postura de Kardec?
Ele poderia simplesmente negar.
Poderia afirmar:
“Isso é impossível, a questão já está resolvida.”
Mas não fez isso.
O MÉTODO DE KARDEC: NEM CREDULIDADE, NEM NEGATIVISMO.
Kardec escreve, diante do caso:
“Nosso honrado correspondente faz bem em não considerar definitivamente resolvida a questão. De um fato único, que além disso não passa de uma probabilidade, ele não tira uma conclusão absoluta.”
Essa frase revela o verdadeiro espírito científico de Kardec.
Ele não aceita qualquer fenômeno sem análise.
Mas também não rejeita um fato apenas porque ele parece contrariar uma compreensão anterior.
Esse equilíbrio é uma das maiores marcas do pensamento kardecista.
O verdadeiro investigador não diz:
“Já sei tudo.”
Ele diz:
“Examinemos.”
O ANO DE 1865: UM PONTO NOVO PARA REFLEXÃO.
O caso estudado em 1865 representa um momento posterior à publicação de O Livro dos Médiuns.
Portanto, não se trata de ignorar o que Kardec havia publicado anteriormente, mas de compreender que o próprio método espírita admite o aprofundamento progressivo.
A ciência humana funciona assim.
Uma descoberta posterior não destrói necessariamente um conhecimento anterior; ela pode ampliá-lo, refiná-lo ou demonstrar que determinados aspectos ainda necessitam de investigação.
Foi exatamente essa atitude que Kardec adotou.
Ele afirma na Revista Espírita:
“A questão do princípio e do fim do Espírito dos animais apenas começa a surgir.”
Essa declaração é extremamente importante.
Kardec não disse:
“Tudo está definitivamente encerrado.”
Ele reconheceu que havia uma questão em desenvolvimento.
O PONTO CENTRAL:
NÃO EXISTEM ESPÍRITOS DE ANIMAIS COMO ESPÍRITOS HUMANOS ERRANTES.
O ensino predominante. apresentado por Kardec é claro:
Não existem, no mundo espiritual, animais desencarnados vivendo em uma condição semelhante à dos Espíritos humanos.
O animal não possui o mesmo desenvolvimento intelectual e moral do ser humano.
Por isso, não se pode atribuir ao animal uma comunicação mediúnica humana, com linguagem, raciocínio e elaboração de ideias equivalentes.
A comunicação apresentada por um animal, como se fosse um Espírito humano, deve ser analisada com cautela.
Kardec alerta contra as aparências:
“Evoca um rochedo e ele te responderá.”
Ou seja: uma manifestação pode ocorrer através de um Espírito que assume determinada forma ou identidade para responder ao evocador.
O fenômeno mediúnico exige discernimento.
MAS A QUESTÃO NÃO É TÃO SIMPLES.
O próprio Kardec reconhece que existem fatos envolvendo animais que merecem estudo.
Ele afirma:
“Se os animais veem os Espíritos, evidentemente não é pelos olhos do corpo. Então, também eles têm uma espécie de visão espiritual.”
Aqui encontramos um ponto profundo.
Se existe percepção espiritual nos animais, então existe uma dimensão além da simples matéria.
A questão deixa de ser:
“O animal possui espírito igual ao homem?”
A resposta é: não.
A questão passa a ser:
“Como ocorre o desenvolvimento do princípio inteligente na escala da criação?”
E essa é uma pergunta muito mais ampla.
A AFINIDADE ENTRE O HOMEM E O ANIMAL.
Na comunicação apresentada em Paris, em 21 de abril de 1865, surge uma reflexão sobre os laços entre animalidade e humanidade.
O texto aponta para uma continuidade evolutiva, onde existem fases intermediárias e períodos de transformação.
A ideia central é que a Natureza não trabalha com rupturas absolutas, mas com processos graduais.
A evolução espiritual não seria um salto inexplicável, mas uma longa construção.
O animal não é um homem incompleto.
O homem, porém, representa uma etapa superior no desenvolvimento do princípio inteligente.
A IMPORTÂNCIA DA PALAVRA “QUASE”
A palavra “quase” impede interpretações rígidas.
Ela nos lembra que estamos diante de um processo espiritual complexo.
O princípio inteligente animal não permanece indefinidamente como Espírito individualizado semelhante ao humano, mas também não devemos transformar a expressão “logo utilizado” em uma negação de qualquer possibilidade de estados intermediários.
A própria investigação de Kardec em 1865 demonstra prudência:
Não afirmar além dos fatos.
Não negar além das evidências.
CONCLUSÃO:
O VERDADEIRO ESPÍRITO KARDECISTA É O DA INVESTIGAÇÃO.
Negar rapidamente uma possibilidade espiritual porque ela parece desconfortável não é o método de Kardec.
Aceitar tudo sem exame também não é.
O caminho espírita é o caminho do equilíbrio:
Razão iluminando a fé.
Observação guiando a conclusão.
Humildade diante das leis da Natureza.
A questão dos animais permanece como um convite à reflexão sobre a grandiosidade da criação.
O Espiritismo não apresenta um universo fragmentado, onde a vida humana está isolada do restante da existência.
Ele apresenta uma marcha ascendente do princípio inteligente, em uma obra divina onde cada ser participa do desenvolvimento universal.
E talvez a maior lição esteja justamente na palavra aparentemente pequena:
QUASE. Porque, no estudo das leis espirituais, muitas vezes uma única palavra revela que a sabedoria ainda está em movimento.
FONTES:
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 18 de abril de 1857. Questão 600.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 1861. Capítulo XXV — Das Evocações. Item 283 — Evocações dos animais.
KARDEC, Allan. Revista Espírita. Maio de 1865. “Manifestação do Espírito dos Animais.”
KARDEC, Allan. Revista Espírita. Junho de 1860. “O Espírito e o cãozinho.”
KARDEC, Allan. A Gênese. Capítulo XI — Gênese espiritual.

Quando alguém lhe disser que detesta os animais, cuidado!!!!


Desde a infância, os primeiros sinais de Psicopatia se observa nos maus tratos aos animais!!!

A passagem bíblica de Provérbios 12:10 afirma que o justo cuida de seus animais, enquanto o coração dos perversos é cruel, indicando que a bondade com as criaturas é um sinal de justiça.


PS: Hoje aos meus 80 anos, quando percebo que uma pessoa não gosta de animais, saio fora!!!

Depois que minha filha nasceu já nos primeiros anos ela já demonstrou seu amor pelos animais, ela já com 5 aninhos arrumamos a Juli, uma cachorra mistura de pincher e chiuaua, coisinha mais boazinha, acompanhou toda sua infância e pré adolescência, morreu aos 13 anos.
Depois tivemos a Teka, uma Jack Russell, coisa mais linda, viveu 14 anos dando muitas alegrias para nós.
Logo depois compramos o Jack, outro Jack Russell, nunca vi cachorro tão bravo, territorial, levamos mordidas pra todo lado, mas mesmo assim nós o amamos até aos seus 16 anos, teve que fazer eutanasia, sofreu muito com câncer ósseo.
Esses foram nossos companheiros e amigos verdadeiros!!!
PS: Foram 43 anos com cachorros, nunca os levamos na rua para fazer suas necessidades, faziam no nosso quintal, temos nossa consciência tranquila sobre isso!!!

A vida me ensinou a defender e amar
os animais independentemente de raça, cor ou espécie

A crueldade contra os animais é um ciclo que começa dentro das famílias e de alguns núcleos culturais que usam os animais para entretenimento cruel, a aplicação das leis para frear isso ajuda, mas não supre.


A inspiração pode vir de fora, mas podemos adaptar usando as nossas próprias referências.


A direção para mudar essa realidade perturbadora é a Cultura e a Educação, sem querer incentivar a copiar ninguém, observe como os japoneses incluem os animais em tudo desde um de pacote de biscoito, roupas, cosméticos e até points de encontro.

Lembrem-se sempre: As flores mais bonitas, assim como os animais mais coloridos, sempre serão os mais prováveis a ter venenos.

Todos os animais nativos fazem parte do meu espírito. Sinto um sentimento de posse visceral territorial em relação ao meu país. Sempre tive mais ciúmes do meu país do que se um homem.

“Esteja receptivo para aprender a amar com os animais.”

"A ternura para com os animais está entre as mais elevadas virtudes humanas."

Ser humanista é ter amor pelo animais, respeitando também o Estado laico e as pessoas das mais variadas orientações sexuais.

Aquele que nutre compaixão com os animais consegue conhecer verdadeiramente o seu lado racional.

Os animais tendem a comer com o estômago; o ser humano, com o cérebro.

Alan Watts
The Wisdom of Insecurity (1951).

A consciência ainda é o software misterioso que compete a humanidade, não somos mais animais 100%, mas mesmo assim defendemos esse direito até com certificados.

A dignidade de muitos é mais nítida nos animais que lutam pela vida do que nos humanos que apenas a consomem.

⁠Quase na mesma proporção que o ser humano domou e domesticou os animais, ele se deseducou.


Aprendeu a controlar a natureza, mas perdeu o controle sobre si mesmo.


Construiu máquinas capazes de atravessar continentes em horas, mas já não encontra tempo para atravessar o silêncio de uma conversa verdadeira.


Acumulou informações, mas nem sempre sabedoria.


Multiplicou conexões, enquanto enfraqueceu vínculos.


Na tentativa de dominar tudo o que estava ao redor, acostumou-se a acreditar que também podia submeter o tempo, as pessoas, os sentimentos e até os limites da própria existência.


Confundiu progresso com pressa, liberdade com individualismo e inteligência com acúmulo de dados.


A educação que antes acontecia no exemplo, na convivência e na contemplação foi sendo substituída pelo imediatismo, pelo consumo e pela necessidade constante de ter razão.


Pouco a pouco, desaprendemos a ouvir, a esperar, a pedir perdão, a reconhecer nossa ignorância e a aprender com aquilo que é diferente de nós.


Talvez a maior ironia seja que os animais, tantas vezes considerados inferiores, continuam obedecendo ao equilíbrio da natureza, enquanto o homem, que se considera racional, frequentemente age contra ela e contra si mesmo.


E agora, quem irá reeducá-lo?


Não será uma tecnologia, uma ideologia ou um algoritmo.


A reeducação começa quando cada pessoa aceita voltar a ser aprendiz.


Quando reconhece que caráter vale mais que aparência, que consciência vale mais que conveniência e que nenhuma transformação coletiva acontece sem uma profunda transformação individual.


O ser humano só reencontrará seu caminho quando compreender que educar não é apenas ensinar a fazer, mas, sobretudo, aprender a ser.


Porque o verdadeiro progresso não está em dominar o mundo, e sim em governar a si mesmo.

⁠As
Diversas Espécies de Animais Irracionais se Ajudando, e os Racionais se Matando.


Parece uma inversão da natureza, mas talvez seja apenas o reflexo da nossa própria contradição.


Enquanto o gato brinca com o papagaio — e até com o cão —, outros pássaros dividem espaço com outras espécies e até animais que disputam território conseguem, em determinadas circunstâncias, cooperar pela sobrevivência.


Nós, dotados de razão, transformamos diferenças em muros e divergências em guerras.


A ironia é que chamamos de “Irracionais” aqueles que agem movidos pelo instinto, mas somos nós que frequentemente usamos a “Desinteligência” para justificar a Intolerância, a Ganância e a Violência.


Inventamos fronteiras, ideologias, preconceitos e motivos sofisticados para fazer aquilo que nenhum animal precisa de discurso para fazer: atacar o semelhante.


Talvez o problema não esteja na Razão, mas no uso que fazemos dela.


A Inteligência deveria nos ensinar que ninguém sobrevive sozinho, que a vida é interdependente e que destruir o outro muito raramente significa vencer.


No entanto, às vezes parece que quanto mais avançamos tecnologicamente, mais retrocedemos na capacidade de conviver.


Talvez os animais não sejam tão Irracionais assim.


Eles simplesmente não precisam convencer ninguém de que são superiores para coexistir.


E nós, tão orgulhosos de sermos Racionais, ainda precisamos aprender uma lição elementar da natureza: conviver não é concordar com tudo; é reconhecer que o outro também tem direito de existir.

"Amo todos os animais, com pouquíssimas exceções. Quanto aos animais humanos são muitas as exceções!"
Frase Minha 0133, Criada no Ano 2007

USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com

"Gosto de muitos animais como eles são. Gosto de muitos humanos como eles poderiam ser!"
Frase Minha 0169, Criada no Ano 2007

USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com