Quase na mesma proporção que o ser... Alessandro Teodoro

Quase na mesma proporção que o ser humano domou e domesticou os animais, ele se deseducou.
Aprendeu a controlar a natureza, mas perdeu o controle sobre si mesmo.
Construiu máquinas capazes de atravessar continentes em horas, mas já não encontra tempo para atravessar o silêncio de uma conversa verdadeira.
Acumulou informações, mas nem sempre sabedoria.
Multiplicou conexões, enquanto enfraqueceu vínculos.
Na tentativa de dominar tudo o que estava ao redor, acostumou-se a acreditar que também podia submeter o tempo, as pessoas, os sentimentos e até os limites da própria existência.
Confundiu progresso com pressa, liberdade com individualismo e inteligência com acúmulo de dados.
A educação que antes acontecia no exemplo, na convivência e na contemplação foi sendo substituída pelo imediatismo, pelo consumo e pela necessidade constante de ter razão.
Pouco a pouco, desaprendemos a ouvir, a esperar, a pedir perdão, a reconhecer nossa ignorância e a aprender com aquilo que é diferente de nós.
Talvez a maior ironia seja que os animais, tantas vezes considerados inferiores, continuam obedecendo ao equilíbrio da natureza, enquanto o homem, que se considera racional, frequentemente age contra ela e contra si mesmo.
E agora, quem irá reeducá-lo?
Não será uma tecnologia, uma ideologia ou um algoritmo.
A reeducação começa quando cada pessoa aceita voltar a ser aprendiz.
Quando reconhece que caráter vale mais que aparência, que consciência vale mais que conveniência e que nenhuma transformação coletiva acontece sem uma profunda transformação individual.
O ser humano só reencontrará seu caminho quando compreender que educar não é apenas ensinar a fazer, mas, sobretudo, aprender a ser.
Porque o verdadeiro progresso não está em dominar o mundo, e sim em governar a si mesmo.
