Sociedade

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A sociedade em que vivemos não é ideal. Se veste de moralismo, mas caminha vazia de verdade.
Fala-se muito sobre certo e errado, mas poucos sustentam o peso das próprias palavras.
Porque a maior resistência hoje é continuar sendo inteiro em um mundo que lucra com a falta de caráter.

As camadas que a sociedade revela
Mostram instintos que ninguém quer ver,
Primitivos, rasgando a superfície,
Nem a educação consegue conter.
É a luta cega por poder,
A cortesia ficou pra trás,
Na ânsia de sempre querer mais,
Esqueceram do coletivo, da paz.
Helaine machado

Montada por camadas, a sociedade finge não ver,
Todos só querem ser felizes, custe o que custar,
Pra disfarçar a hipocrisia já escrita antes de nascer,
Um roteiro invisível que ninguém quer questionar.
Colocam jovens pra decidir destinos que não entendem,
Sem o peso real do futuro que vão herdar,
Enquanto os que mandam fingem que defendem,
Mas só sabem se beneficiar.
Helaine machado

Nossa sociedade é formada por dois sistemas muito claros e distintos entre sim. Ambos precisam de uma engrenagem para funcionar. No primeiro sistema, todas as engrenagens estão funcionando perfeitamente e seu público-alvo são os grandes tubarões que se alimentam dos peixes pequenos. Aqui tudo funciona. Já no outro sistema, onde vivemos a maioria de nós, teríamos tudo para dar certo, exceto pela falta das engrenagens, o que já referi como um sistema de catracas banguelas. Não gira, portanto, os serviços essenciais não chegam para quem precisa. No final, os tubarões estão cada vez mais famintos, insaciáveis e se esbaldando, e nós, os peixes pequenos, quando não somos engolidos pelo sistema que gira normalmente, somos atingidos por uma subnutrição que consome toda a energia física, mental e social. É impossível mudar o quadro porque muitos dos peixinhos se sentem como tubarões e não querem sair de suas razas águas para buscar e experimentar os sabores das águas profundas.

O modelo programado da sociedade leva o oprimido a admirar o opressor e a desejar estar no lugar dele para oprimir os outros.

Viver em sociedade sem ter consciência da realidade é viver iludido e programado sem se dar conta de que é escravo.

A sociedade em que você vive só vai mudar quando você mudar, pois enquanto você não muda, nada muda. Sua mudança será uma referência para a mudança ao seu redor, e, através dela, você servirá como incentivo inconsciente para a mudança dos outros. A mudança dos outros, por sua vez, será referência para mais pessoas, e assim por diante.

Estamos em uma sociedade que estimula o ego.

A sociedade coloca a busca pela riqueza material como objetivo de vida, mas não valoriza o afeto, que de fato é o que satisfaz o ser humano. O que realmente preenche nossa vida são os afetos, a solidariedade, o sentimento. Não existe nada mais rico do que isso. Porém, ninguém fala sobre isso, porque não gera dinheiro. Assim, as pessoas buscam objetivos materiais: patrimônios, ostentação, riqueza, e ficam correndo atrás disso até envelhecer. Quando chegam à velhice, próximas da morte, olham para trás e se frustram, percebendo que a vida não teve sentido. Isso acontece porque correram atrás de valores falsos, entrando em uma ilusão sem volta. Elas se dão conta de que não levarão nada material e que o tempo que poderiam ter dedicado aos afetos, ao amor, à solidariedade, ficou em segundo plano. A vida perde sentido, e o vazio muitas vezes é preenchido com antidepressivos, até morrerem frustradas.

Vivemos em uma sociedade onde as pessoas confundem humildade com humilhação, amor próprio com ego próprio, reciprocidade com interesse.

Quanto mais evitamos dizer para as pessoas sobre o que acontece na realidade da sociedade em que vivemos, menos chance temos de mudar alguma coisa. O conhecimento deve ser compartilhado, assim como o ar que respiramos, pois quanto mais se prende, guarda o conhecimento para que ninguém saiba, mais colaboramos para que o povo continue ignorante sobre a realidade da sociedade em que vive, e a mudança acaba ficando estacionada. É preciso alertar todos ao seu redor sobre o que acontece, espalhar conhecimento, o óbvio que muitos não enxergam, para não ser apenas mais um colaborador de um povo ignorante, refém de uma mente obediente, controlada indiretamente por dominantes que querem te manter calado sobre o que acontece, para continuar te manipulando e calando sua boca, para que possam roubar você e o seu povo, dividido e perdido do conhecimento ocultado da realidade.

Na minha visão, existem três éticas fundamentais que seriam úteis para harmonizar a sociedade:


1. Respeitar o espaço do outro;
2. Aceitar o outro do jeito que é;
3. Buscar a autonomia.

Enxergar a realidade da sociedade em que vive é a primeira coisa a se fazer, antes de você decidir o que fazer na vida.

As dificuldades vividas na sociedade mostram a importância da solidariedade.

A Lei do Sonambulismo

Chamam-lhe sonambulismo: o sono é pesado e voluntário da sociedade. Não é a ignorância dos factos, mas a vontade férrea de não os ver. É o pacto não assinado: ‘Deixai-me o meu sono, e eu deixar-vos-ei o vosso poder’. Enquanto houver mais medo de acordar do que de ser governado, o ciclo alimenta-se a si mesmo. O embriagado de poder e o adormecido pela preguiça são cúmplices numa dança milenar: um precisa do outro para existir.

SOCIEDADE
Enquanto os do Olimpo se alimentam da claridade que fabricam, os da Névoa navegam na bruma que lhes deixam e ambos, sem o saber, são reflexo um do outro: o poder feito mito, o povo feito abstração, numa dança onde o alto e o baixo são dois movimentos do mesmo rio parado.

DECLÍNIO
A sociedade arde e os especialistas procuram nas cinzas os fósforos já queimados.

HUMOR


Vivemos de reflexos, de ecos de nós mesmos e do eco ampliado na sociedade num jogo de câmaras onde a imagem original se perde na repetição. Mas nesse salão de espelhos, resta sempre uma porta aberta: o humor, que não desfaz o engano, mas o tempera com a luz dourada do crepúsculo, lembrando-nos que, mesmo na mais sombria paisagem, o sol se põe para que possamos, ao menos, rir da nossa própria sombra.
António da Cunha Duarte Justo

O que a sociedade pede para eu fazer, muitas vezes, é o contrário do que eu devo fazer. Isso porque, ao seguir o que ela quer, eu não estarei fazendo o que realmente desejo, mas sim o que ela espera de mim. Mas o que eu realmente quero? Essa resposta só eu posso encontrar, ninguém mais. E só vou descobrir isso na prática, vivendo, vivendo por mim, sem seguir imposições externas, mas sim me ouvindo e buscando o meu próprio caminho.

A maior ilusão que você abraça nesta sociedade é a de acreditar que deve gastar toda a sua vida trabalhando como um escravo, até os 60 anos, fazendo o que não gosta, em troca de uma aposentadoria modesta e uma estabilidade financeira que, muitas vezes, mal atende às suas necessidades. Enquanto isso, aqueles que exploram o seu esforço, roubam seus direitos e controlam as regras do jogo se aposentam muito antes de você, por meio da sua própria escravidão diária. Eles conquistam sua liberdade financeira com a sua dedicação e sacrifício, enquanto você continua preso a um sistema que, muitas vezes, parece mais uma armadilha do que uma verdadeira oportunidade de crescimento.