Sobrevive Amor Acima de tudo
Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.
Tudo passa, tudo passará.
Da memória surge uma tela em mim,
cheia de lugares onde nunca estive:
coisa inglória, sofá horrendo, mofo e tristeza.
E a selva amazônica
— tribos, índios, saqueadores —
aparece nessa tela onde nunca estive:
Pindorama de águas, verdes, animais e horrores.
Cheio desses lugares onde nunca estiveste,
poderíamos algo materializar:
tempos antes de beijos silvestres,
e depois trilhar vias tortuosas.
Sentir pulmões e diafragmas
inflar de ar, o cheiro da mata;
correr com bichos assustados,
mil cantos, berros,
e, ao fim, sentir-se voltar para casa.
Joguemos então a tela
e o sofá no crematório das inutilidades.
Tá tudo bem!
Tudo bem você ter perdido dinheiro, ter pedido o isqueiro, ter esquecido o casaco na mesa do bar, tudo bem perder a hora, ou esquecer o andar do prédio ou daquela moça.
É que ninguém nunca te disse que tá tudo bem perder.
Mas a gente perde a piada mesmo, pensa que perdeu o amor da nossa vida, perde a paciência e a tolerância, porque ficamos esperando o prêmio, o bônus que acompanha o ganhar e quando não ganhamos a gente resmunga, se culpa, se frustra.
É que a gente anseia tanto que não compreende que em alguns momentos é necessário perder para encontrar e se quebrar para ser inteiro.
Dizer tudo o que pensa sem preocupar em magoar as outras pessoas não é sinceridade, é maldade aliada a falta de educação.
Ser sincero é dizer o que pensa e sente sem deixar de lado o respeito pelos sentimentos alheios.
