Sobre Responsabilidade

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Governar é assumir responsabilidade pelas consequências das decisões tomadas em nome de muitos.

O Direito alcança sua maior grandeza quando transforma responsabilidade em consciência, punição em reparação e liberdade em compromisso com o outro.

Perdoar alguém não significa negar sua responsabilidade; significa recusar ao passado o direito de governar eternamente o futuro.

A liberdade exige responsabilidade justamente porque nenhuma autonomia existe sem consequências.

A lei pode proteger uma convicção sem assumir responsabilidade por sua verdade metafísica.

A responsabilidade comunicacional começa onde a mensagem deixa de ser apenas linguagem e passa a produzir mundo.

Quanto maior a capacidade técnica de influenciar, maior deve ser a responsabilidade ética e jurídica de não transformar influência em dominação.

Responsabilidade é o preço jurídico de sermos tratados como autores daquilo que fazemos.

Se toda decisão humana tiver uma causa anterior, a responsabilidade não desaparece necessariamente; ela apenas se torna filosoficamente mais difícil.

Uma sociedade que delega decisões às máquinas não elimina sua responsabilidade; apenas corre o risco de escondê-la atrás da interface.

Entre a certeza que ordena e a dúvida que liberta, começa a responsabilidade de pensar.

A multidão oferece abrigo contra a responsabilidade de existir; tornar-se indivíduo começa quando já não podemos esconder nossa consciência atrás da voz dos outros.

Toda liberdade genuína traz consigo uma sombra inevitável: a responsabilidade por aquilo que escolhemos fazer com ela.

Uma multidão raramente perde a razão; ela simplesmente distribui a responsabilidade pela irracionalidade entre seus integrantes.

Cultivar o próprio jardim é reconhecer que nenhuma filosofia substitui a responsabilidade concreta de transformar aquilo que está ao alcance das nossas mãos.

O poder político não pertence pessoalmente ao governante; é uma responsabilidade confiada para proteger direitos que não foram criados pelo próprio poder.

A responsabilidade começa diante de algo que não podemos dominar completamente, inclusive diante da singularidade do outro perante o Direito.

A distância geográfica não elimina nossa responsabilidade moral nem necessariamente nossa responsabilidade humanitária.

Onde termina a necessidade legítima de sigilo começa a responsabilidade pública de informar.

Quanto maior o poder do Estado para classificar uma informação, maior deve ser a responsabilidade jurídica sobre os limites dessa classificação.