So aquilo que Nao nos Pertence e que nos Completa
Mulher
Escrevi teu nome em todos os cantos da minha mente
Só consigo pensar em você
Tu me fascina
Quero ser sua sina
Perdida em teus olhos
Nem os meteoros podem explicar minha falta de orbita
Apenas flutuando
Entre as constelações de suas pintas
Ao te adimirar
Pego fogo
Invadindo sua atmosfera
Mulher, você é poesia
Um soneto raro
O sonho de todo romancista
Bruna Furtado
A realidade de um apaixonado só existe na cabeça do mesmo. A paixão distorce tudo o que vê, cria situações que só existe em sua cabeça e em nada mais; mas quando acaba... Abra os olhos apaixonados sob seus pés está o caminho do perigo, cuidado para não se tornarem assassinos de amores.
Só existe um modo de preservar-se para conseguir o aprimoramento moral: pensamento elevado e lugares abençoados. O ser humano é frágil e vulnerável e por isso precisa de muita cautela. Se duvidar dessa verdade pense na lógica da clausura de algumas freiras e freis e no isolamento de monjes e monjas. Alguns lugares, embora não se tenha a intenção, contaminam e alteram o pensamento levando a ações de desordem espiritual.
A cada dia me convenço: Só escreve bem quem sente ardor no peito. A chama é fogo em letra. O resto é vazio.
Só se é feliz sendo. Ninguém alcança felicidade justo na fuga ou abstinência do que o faz ou faria feliz.
O maior triunfo de alguns é o tropeço notório daquelas pessoas às quais fingem só admirar, mas na verdade nutrem por elas a mais profunda e dissimulada inveja. Tal triunfo, no entanto, nunca tem consistência, porque afinal, pessoas de fato dignas de admiração, quiçá inveja, não caem definitivamente. Vão ao solo, reerguem-se, dão a famosa volta por cima e seguem, deixando à míngua os invejosos. A inveja é um alimento venenoso. Desnutre a alma de quem a nutre e julga, equivocadamente, atingir o outro.
Só a felicidade justifica o viver a dois, e isto só é possível se houver amor na igual medida em ambos os lados. Quando não é para ser feliz, de nada vale ao ser humano estar com alguém.
Esse tal de "até que a morte nos separe" não se restringe à natureza física da questão afetiva. É mais adequado ao sentimento, propriamente. Seremos fiéis aos nossos pares ou cônjuges na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, na pobreza ou na fartura, e seremos felizes assim, não exatamente até que um dos dois morra... muito menos ambos.
O amor é de fato perecível... Muitas vezes morre antes que nós. Quando isso acontece, já não vale a pena insistir numa relação que leva o peso e a fedentina de um cadáver... O ex-amor.
Como só se educa se fazendo imitar, saibamos de uma vez por todas, que o ato simples de ser tem muito mais eficácia do que a canseira do ensinar com palavras.
BRASILIDADE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ama chocolate
Só de coco.
Também gosta de cocada
De mamão.
O seu café da manhã
Não é café.
É vitamina de melão.
REFLEXÃO ANTI-JOGO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Só se fala em vencer; chegar na frente; fazer a diferença... temos que aprender a empatar; chegar junto; fazer a igualdade.
REMÉDIO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Potencialmente, só existe mesmo remédio contra o remorso de não ter melhorado por não tomar o remédio.
DESGASTE AFETIVO
Demétrio Sena, Magé- RJ.
Só discuta uma relação de amor pela terceira vez, quem tiver discernimento para saber que a terceira deve ser também a última vez. Se não for assim, nada mais vai valer a pena.
NOSSO DIA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Só depois de saber se quer assim
como tudo permite ou diz que seja,
diga sim ao meu sonho de nós dois
ou me veja em meus olhos pra entender...
Por enquanto se feche pra balanço,
analise o contexto das lembranças,
dê um toque de luz na solidão;
uma boa mexida em seu arquivo...
Faço minhas andanças e retorno
para ver se a paixão se preservou
ou ainda está viva nossa história...
É melhor nos calarmos no momento,
pra que o tempo nos dê sabedoria;
nosso dia não tem que ser agora...
DESILUSÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Um dia ele percebeu que de ambos, era só ele quem propunha. Fora sempre assim. Nenhuma proposta era "de lá pra cá". Só de "cá pra lá". Nunca teve uma chance de responder. Dizer sim ou sim, como sempre seria, mas dizer. Ser solicitado por ela. Ficar envaidecido pela procura. Ter sua vez de ser cortejado.
Foi assim que outro dia resolveu trocar de margem. Remanejar os extremos. Ficar em silêncio e ver no que dava. Tinha esperança de que o silêncio faria "vir de lá" o que sempre "foi de cá". Jurava em seu íntimo que aquilo não era uma disputa, mas achava que ele mesmo nunca dera uma chance de ser o alvo; a caça. Era sempre o caçador.
O tempo se foi. Ele foi se deixando. Sua espera ganhou brio, quando percebeu que nunca "veio de lá" qualquer convite. Nenhuma proposta; solicitação. Ela não o amava; correspondia ao seu amor. Não o queria. Cedia generosamente ao seu querer. Até então, estava sempre ali. Provisoriamente ao seu alcance.
No fim das contas, ele não a tinha. Era tão somente contemplado pela preguiça do seu não... pela esmola do seu sim.
