Sinto o Vento na Janela
Sinto no meu pesar que pude te amar tanto como pude contigo errar, meu peito pesa e minha cabeça se escurece me vejo em tão há lamentar um erro que podia evitar.
A culpa me persegue, meu coração dói e minha alma me enoja, posso dizer que sinto por tanto mal lhe fazer.
...E sinto no meu peito um amor que não dá pra medir, mensurar e quantificar, pois é de outra dimensão tão antigo como o céu, a terra e o mar.
De cabeça fria, com razão, maturidade e espiritualidade, sinto e ratifico que meu coração não admite mágoa. Ele explica: quem provoca mágoa está em crise espiritual. Pena também não admito. Como Soberano doutrina, peço à Luz que resgate, ilumine seu caminho, harmonize sua vida e reencontre a paz. Assim, e apenas assim, sem mágoa, serei mais feliz!
No dia das mães, sinto a dor de todas as mães que sentirão a saudade de seus filhos levados pela Covid. Que o presente de Deus para essas mulheres seja o derramamento de copiosas bênçãos!
MINHA NOVA LEI
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Decidi que o que sinto requer o seu eco
e que não me darei ante a mão recolhida,
doravante não peco por sonhar sozinho
nem mergulho no caos ao encontro do nada...
Meu olhar quer espelho nos olhos de alguém,
quero chama por chama como troca justa,
nunca mais vou além do sentido que faça
esperar que um afeto me faça viver...
Decretei que suporto sentir solidão;
jamais foi o meu fim me acomodar comigo
e não perco meu chão porque não sou amado...
A partir da partida que repete a dor
deste amor que renasce como nunca sei,
minha lei é gostar um pouco mais de mim...
DEPOIS DELA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sinto falta de alguém; pessoa muito querida. Talvez a única inteiramente capaz de me acolher e respeitar como sou. Que jamais confundiu ou censurou minhas esquisitices; meus hábitos e manias menos ortodoxos; a forma crua de ser... inclusive os meus respeitosos desrespeitos.
Quero ter de novo a pessoa mais amiga, desarmada e sincera que já tive ao meu lado. Aquela que sempre correspondeu às minhas manifestações de afeto, sem as distorções, os temores e os cuidados comuns e desnecessários. Esse alguém que me despertava em mim, sem jamais querer me transformar em outro... tirar nem pôr... impor seu jeito e suas leis.
Alguém me devolva o que perdi. Ou a quem perdi. E ao fazê-lo, saiba que há de me devolver ao meu eu... porque toda beleza, magia, leveza e sinceridade que se foram, me levaram pra bem longe de mim... depois dela, nunca mais me vi nas regiões internas ou periféricas do meu corpo.
PREFÁCIO DO QUE FAÇO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Às vezes me sinto incomodado ao escrever sobre temas como amor ao próximo, perdão, justiça, temperança... Reconheço imediatamente que, não tão depois, posso vir a contradizer tudo isso com uma prática desumana. Um não perdoar ou pedir perdão. Com a injustiça, o egoísmo e a indiferença que deprecio em prosa e verso.
Peço ao leitor de minhas páginas, que não me abandone por causa das minhas eventuais contradições. Pode até parecer hipocrisia, mas não é. O fato é que ao escrever como quem o faz para o mundo, escrevo para mim próprio. Tento me transformar em alguém melhor, e ao mesmo tempo, contagiar mais alguém.
EDUCAÇÃO E CUIDADO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Use o sinto muito de segurança... sempre peça desculpas.
SINTO DE SEGURANÇA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
É um quero não lá muito querido.
Ferido por um não poder buscar.
É um amo que odeio ter que omitir.
Mentir pra quem sabe da verdade.
É um sinto pelo qual sinto muito,
por não proporcionar esperança...
... ...
Um quero com amo encarcerado;
um amo com quero reprimido;
um sinto que é sinto de segurança.
LIVRE
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Inventei um olhar expressivo e contido
pra falar o que sinto e também desdizer,
desfazer o sentido na moldura insossa
deste mesmo silêncio, quando necessário...
É preciso saber deixar marcas na estrada
pra voltar do prenúncio de fim da ilusão,
quando a porta fechada se fecha pra chave
que se perde na mão do momento inseguro...
Aprendi a trazer o sentimento ao rosto
e deixa-lo disposto ao querer gradativo
de quem logo depois poderá desquerer...
Venha livre de medos ou me aguarde assim,
será sempre sem fim o que for de bom tom
para todos os dons que a natureza flui...
MINHAS ASAS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Perco minhas certezas e não sinto falta,
cada dia me supre de novas surpresas,
desde quando abri mão de querer tudo à mão
ou criar uma pauta pra reger a vida...
Desaprendo as verdades que viraram placas;
hoje volto no tempo e reciclo saudades;
o depois está posto no próprio depois,
para ser nada menos do que já será...
Quanto ao mais não preciso saber de meus pés,
minhas asas me levam por qualquer espaço
que se abra no tempo e no sonho disperso...
Neste meu descompasso aprendi a morrer
sem o medo que rege uma vida murada,
uma saga iludida por vontades prévias...
LOUCURA DE AMOR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
A razão do que sinto esvaiu no sentir;
sentimento e sentido não são paralelos;
não existe a corrente que os una de fato
como elos que o tempo não apartará...
O amor e o bom senso disputam espaço
e se matam no auge das contradições,
corações e cabeças empunham espadas
de combates eternos no campo afetivo...
Ambos vencem ou perdem, amor só empata,
venho aqui me render à tua rendição
ou à bala de prata que nos vencerá...
Essa coisa de amar vai das trevas à luz;
faço jus à loucura mais lúcida e sã;
curo tal bem querer ou adoeço a cura...
ESPONTÂNEO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sou entrega
enquanto sinto acolhimento...
nunca fui arrombamento.
INFINITO PROVISÓRIO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Hoje sinto que o sempre se fez nunca mais,
todo amor é nenhum, vejo a cara do nada,
tudo jaz onde o jazz nos tirou pra dançar
no salão das quimeras que dão rumo à vida...
Porque fomos eternos provisoriamente,
nossa chama imortal foi chamada e se foi,
deu à mente o que outrora foi do coração
e não disse a que veio, quando disse adeus...
Acabou essa estrada que não tinha extremo,
é de não acabar que se acaba o que paira
sobre o caos insondável de muitos mesmismos...
Já não resta sentido para sentimentos
que perderam a graça, todo viço e vício,
nosso amor foi comício pros ébrios da praça...
PRESENÇA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sinto falta de alguém que me guarde pra si,
mas que guarde segredo até mesmo pra mim;
se no fim do silêncio eu vier a saber,
saberei não saber, pra calar o que sei...
Tenho tal nostalgia de alguém cujos olhos
sejam tão confiáveis no espelho dos meus,
e dirijam tão bem nos desvãos do meu corpo,
que nem Deus, caso exista, precise zelar...
Tive alguém com quem fui esse claro mistério;
com quem tive o silêncio que dizia tudo;
gritos mudos de anseios e de contrição...
A saudade que sinto é de quem jamais tive,
mas que vive na sombra de minhas lembranças
de senti-la tão perto como ainda está...
MÁGICO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
É minha magia;
meu grande show:
quando me sinto
ser extinto,
me substituo
por quem sou.
SEM VOCÊS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sem vocês me sinto fim. Uma espécie de folia sem reis que pede prendas aos grãos de areia do Saara. Uma planta desprovida de folhas, folha desidratada e fila imensa de absolutamente ninguém.
Eu, sem vocês, não passo de pátria sem nação. Caminho sem solo e reta sem ponto... corpo sem ossos. Até com alma, porém sem ossos. Copo desprovido de fundo, pelo qual resvalam conteúdos desperdiçados. Sinto-me ninguém, com sem, sem com. Grito que não soa, cabeça sem mula e lenda sem região. Mitologia sem Grécia. Templo sem igreja.
É assim que sou sem vocês. Um misto imenso de nadas. Isto sem aquilo. Conto de fada sem fada. Conta sem produto... simples assim: eu sem vocês não sou eu... ou sou eu sem mim.
SÓ
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sou tão só,
tão atado
a este nó
de ser tao sem,
que sinto falta
de sentir falta
de alguém.
