Sinto falta do meu Passado
ORAÇÃO DO ATOR
Ó meu Deus! Ator Onipotente, criador do maior Espetáculo - o Universo - ouve-me nesta prece de amor!
Dai-me a perseverança, a paciência, a dignidade e o amor!
Fazei com que minha personalidade não se deixe influenciar pelo meu personagem, mas, que eu possa colher dele, toda a vivência, todo vigor, toda força, toda magnitude!
Que eu transforme a realidade em uma nova realidade, que eu recrie a obra da arte com toda força inteira e que eu colha do meu trabalho toda justiça, toda fortaleza, toda grandeza e todo amor!
Fazei com que as luzes dos refletores se tornem luzes divinas a iluminar todos os atos da minha vida, para que eu faça do palco um altar, sempre na intenção de o respeitar, dignificar, amar e venerar...
Que cada representação seja para mim, um Ato de Fé!
Que cada trabalho seja um sacrifício de glória e sucesso!
Para que eu envelheça, crescendo na representação e representante, crescendo na velhice; sempre trabalhando, sempre trabalhando, trabalhando, emocionando e glorificando. Enfim, para quando eu não mais existir, a minha atuação aqui na Terra não tenha sido em vão, e que, quando cair o pano, no ato final, todos aqueles que convivem comigo, possam aplaudir-me gritando: Bravo, Bravo!
E assim, eu possa agradar ao Maior Diretor Universal: DEUS!
[São Genésio: Padroeiro dos Atores]
Quando chovia e era Natal
meu coração explodia...
Nos dias de chuva
a alegria era incontida.
E eu corria... e como corria.
A felicidade era tanta
que em mim não cabia.
E nas noites de Natal
mesmo quando não chovia,
eu era apenas uma criança
e era eu que chovia... e como chovia.
Naqueles corredores
deixei meus risos,
Naquelas janelas
debulhei meu pranto,
Naquele jardim
iluminei meus sonhos,
Naquele sobrado
fui feliz enquanto...
nâo acreditei que a vida
machucasse tanto.
É, meu amigo, tudo passa, tudo passa!
Enquanto os bons sofrem e choram,
Os maus comemoram, e acham graça.
Destilarei meu sarcasmo e minha ironia, enquanto a hipocrisia insistir em prosperar. Os maus e seus cúmplices sorrateiros, regarão os meus canteiros até o bem frutificar.
Gosto de infância
E fazia do meu quintal
o meu reino encantado
E do meu pé de mangas,
o meu castelo alado.
Cada galho, era um aposento
cheio de personagens...
Num agrupamento
que se apresentavam um a um para mim.
No meu castelo eram realizados lindos bailes
Com direito a príncipes e reis,
pricesas e rainhas...
Dançando em plena harmonia.
Não existia nenhuma desavença
Acredite, ninguém queria correr o risco
de conhecer o calabouço
e se deparar com alguma doença...
Ficava horas me divertindo
com a realeza...
Até ser despertada
pelos gritos da rainha mãe
Me chamando para ir comprar o pão.
Eita mundo fantástico!
Mundo de criança. Mundo da imaginação...
Meu Norte
Sou forte
Pertenço ao povo do norte!
Nascemos na floresta
Crescemos tomando banho de rio
e correndo atrás dos bichos
Joelhos ralados nunca foram empecilho
para acabar com tamanha euforia
Compartilhamos ruas
por onde passam nossos barcos e canoas
Num eterno deslizar sobre as águas
Colhemos frutos, comemos peixes
e pescamos sonhos
Fazemos roça, plantamos...
ah! mandioca
O que seríamos de nós sem ti
Sem extrair o tucupi e como bônus temos a goma de tapioca
Ah, e farinha nossa de todos os dias
Basta um pouco d'água para virar um delicioso chibé
E acredite, a nossa farinha vai bem até com café
Dividimos fauna, flora, crenças e lendas,
dividimos a fé.
Antes, olhava para o céu
e via toda a beleza das estrelas,
hoje, quando olho,
procuro logo o meu pai.
Filha do norte
Sou o meu próprio Norte
Filha da Amazônia
E cria das lendas
que circundam a minha gente.
Cresci ouvindo muitas história
De Jurupari à Cobra Grande
Artifício dos antigos, talvez!
Freio para as crianças
Asas para imaginação.
Minha rede era a minha cama
Meu parque de diversão!
Nave que me levava
pra muito longe,
onde meus pés não tocavam o chão.
Sou viajante sem rumo
Que avistou um Belo Horizonte
E quis pousar.
Minha força vem da mãe natureza,
Das Amazonas,
Das caboclas ribeirinhas.
Nas minhas veias correm
sangue das guerreiras que,
como uma aranha em sua teia,
Prende o que a alimenta
e descarta o que lhe faz mal.
Meu Pará
A culpa é do paraense...
Que chega lá fora e já vai hasteando a sua bandeira
Égua do caboco pávulo!
Que carrega na mala, com orgulho, a sua cultura.
Que não esconde o seu gosto por um bom açaí, daquele grosso, que acompanha o peixe frito, o charque, a farinha d'água ou de tapioca; da maniçoba, do tacacá, do chibé e do famoso pato no tucupi.
Que conta as horas para tomar banho de rio, se embrenhar na mata ou apenas se embalar numa rede.
Que conta, todo prosa, do mar de gente que se reúne para assistir o Círio de Nazaré
Que disputa um pedacinho da corda, mostrando o tamanho de sua fé!
E quando toca tecnobrega, calypso, carimbó ou siriá?
O caboco pai d'égua, já começa a dançar!
É parente, pensa num povo contente!
O paraense pode até sair do Pará, mas o Pará, com certeza, jamais sai dessa gente.
Pai,
Meu amor pelo senhor, é eterno!
Nunca vou me acostumar com a sua partida... Me ensinaste muitas coisas, menos a despedida!
A saudade vem me visitar todos os dias,
E nem sempre, pai, é fácil não chorar,
São muitas as lembranças ao seu lado...
Sabe, pai, houve muitos momentos marcantes, quando o senhor ainda se fazia presente entre a gente. Que precisaria de muitas páginas para descrevê-los todos...
Adorava ouvir suas histórias: que iam da infância à juventude, dos meus avós, das suas labutas e aventuras na mata, das lendas e crenças... Elas sempre me fascinaram. Desde pequena. Talvez por isso, pai, eu goste tanto de histórias...
Pai, por que a infância corre sem freio?
Pai, por que o senhor partiu tão cedo?
Tudo que o senhor contava me fascinava: ouvidos atentos e olhos compenetrados. Nunca saia do seu lado...
E quando vencida pelo cansaço, o senhor me carregava no colo e logo me agasalhava, com bastante cuidado para não me acordar.
Disso, pai, nunca esquecerei: colo de pai.
Queria que o tempo voltasse,
Queria que minha família nunca se separasse,
Queria que tudo não passasse de um sonho,
Que pela manhã, assim que eu acordasse,
O senhor, conosco, em casa se encontrava.
Meu Norte
Prazer,
Sou do Norte!
Onde ser forte, é preciso.
Minha casa é a floresta,
E minhas ruas, os rios...
No rio, vejo o menino,
No rio, vejo o velho,
No rio, vejo famílias inteiras...
Todos em suas pequenas canoas, a deslizar sobre as águas.
No rio, vejo barcos de vários tamanhos: Levando e trazendo gente,
Cargas,
Sonhos...
Cena corriqueira, pra quem vive na Amazônia.
Nossos rios, lagos e Igapós, são estradas, e também nossa fonte de alimentação.
Neles, têm peixes para todos os gostos, que fazem dos nossos pratos, algo singular!
O chibé, que já matou a fome de muita gente, floresta adentro, antes não era muito bem visto, hoje, é exibido com orgulho!
Peixe seco, pode ser qualquer um, variedade aqui não nos falta, vou te mostrar apenas alguns:
Tem o pirarucu, peixe nobre, conhecido por bacalhau da Amazônia, super versátil...
Pode se apresentar elegante, quando à la casaca, ou na simplicidade do chibé.
Temos pescada, da branca e da amarela, aruanã, catrapola, matrinxã, tucunaré, filhote, surubim, tambaqui, jaraqui, pacu, aracu, e o bodó (nossa deliciosa lagosta negra). A lista continua... mas eu paro por aqui.
É hora de apresentar as frutas, que assim como os peixes, são muitas por aqui:
O açaí, superou todas as barreiras, hoje, é consumido até fora do Brasil,
Tem cupuaçu, buriti, bacaba e patauá,
Uxi, mari, abiu, murici, jambo, araçá e taperebá!
É tanta fruta, para ninguém reclamar.
Delas fazemos sucos, doce, creme, bombom, e o que mais o caboclo inventar.
Temos o tucumã, conhecido de todos, mas que numa certa capital, se tornou um dos ingredientes chave, do autêntico x-caboquinho... a goma de tapioca e a pupunha, não podem faltar no nosso café...
Somos um povo que dividimos tudo, principalmente comida e fé!
Huuumm... E farofa de charque?
Essa, ninguém resiste, seja com a famosa Uarini, com a Bragança ou com qualquer farinha!
O piracuí, iguaria sigular, não passa de farinha de peixe, que se come com farinha de mandioca,
Oh povo, pra gostar de farinha!
A mandioca é mais do que nossa raiz,
Ela é a nossa própria identidade cultural.
Aproveitamos tudinho dela. Não existe nada igual. Isso, é sério! Vou te provar:
A casca vira adubo ou ração,
A poupa vira farinha,
O sumo vira tucupi, ingrediente de ouro, do famoso tacacá. Dele também extraímos a goma de tapioca, que origina vários outros subprodutos, mas esse assunto é longo... fica pra outra história...
Moramos num paraíso cheio de belezas naturais...
Temos praias maravilhosas: de mar e de rio, cada uma com sua cor e característica própria, mas todas belas por demais!
Os igarapés, refúgios para espantar o calor, só quem conhece, sabe dar ⁹seu devido valor!
O sol aqui pode até ser mais amarelo, mas a sua despedida... ah, com certeza é a mais bela!
Nossas danças e ritmos são os mais variados...
Somos um povo original, abençoado na música, na arte e na gastronomia.
Somos a Amazônia, somos o Norte.
Filha do norte
Sou o meu próprio Norte!
Filha da Amazônia
e cria das lendas...
Cresci ouvindo muitas histórias:
De Jurupari à Cobra Grande
Artifício dos antigos, talvez...
Freio para as crianças
e asas para imaginação.
Minha rede, minha nave,
Meu parque de diversão!
Que sempre me levou para longe...
Onde os pés não tocam o chão.
Sou viajante sem rumo
Que avistou um Belo Horizonte
E quis pousar...
Minha força vem da entranha da mãe:
Natureza,
Amazonas,
Caboclas ribeirinhas...
Nas minhas veias corre o
sangue das guerreiras,
que como uma aranha em sua teia,
Não se cansa de trabalhar.
Talvez, vivendo o dia a dia...
Vencendo os obstáculos,
ou simplesmente tecendo sonhos.
Dilemas de amor
Os teus sorrisos acalmam a minha alma..
mas confundem
mas baralham
o meu subconsciente
fico à deriva num espaço
num mar revolto
de pensamentos sem calma
Calafrios invadem o meu corpo
deixam-me dormente
deixam-me louca...
Paralisas-me com os teus beijos
recordo esse doce sabor
estou entregue
estou rendida ao teus desejos
Meu amor
olha o que provocaste
estarei louca
estarei lúcida sobre nós
apenas sei...
que a razão perdi
e hoje...
Navego em ti
nas ondas do teu calor
nas ondas do teu carinho
neste teu mar de paixão
neste meu mundo de...
Dilemas de amor
Agradeço!
Quando me senti fracassada
estiveste ao meu lado para me apoiar
para me ajudar a levantar a cabeça!
Quando me senti sozinha e
achei que para mim era o fim
abraçaste-me docemente
ficaste ao meu lado!
Quando pensei que me tinham virado as costas
e que já não tinha amigos
pude contar contigo
pois tua amizade e carinho me deste
ah!
Quantas vezes
estiveste ao meu lado!
Hoje e com a tua ajuda
outra mulher sou
não tenho palavras para
te dizer o quanto te agradeço!
