Sinto falta do meu Passado
Eu me sinto egoísta quando penso em mim
Então eu paro de pensar em mim por um momento e penso em você e
Eu percebo que você está pensando em mim...
Âncora e Verso
Foste âncora para no porto ancorar
Na hombridade que sinto
Vejo um alívio
Para me poder desamarrar
Da correria do tempo
Oiço o vento soprar
Escuto gestos humildes e simples
Num puro amor
Quase ninguém escuta a minha dor
Ou vê as minhas vertentes
A plainar num sonho de ser um senhor
Sonho acordado para saborear o viver
Quero ter, quero crer e quero ser
Mesmo sendo um orador
Um poeta e pintor
Pinto com a minha alma a cor
Do pensamento de um escritor
Passo e faço um pacto com Orfeu
Fazendo a emoção
Sair com grande tensão
Razão de me ver na caverna de Platão
Numa ilusão desmedida que me dá vida.
Nela me deito e semeio
Para transformar a minha força
Em fruto.
Lisboa, 23 de julho de 2026
Emanuel Andrade
Não me ofendo quanto alguém diz: nossa como você mudou, muito pelo contrário, sinto um enorme prazer. Cada vez mais gosto de ser quem eu sou. orgulho-me da mulher que eu me transformei. Acho que seria insuportável ouvir dos outros e principalmente de mim mesma que eu ainda sou a mesma e que em nada mudei durante todos esses anos.
Não consigo falar, por isso escrevo.
Não consigo expressar tudo o que sinto.
Queria poder me derreter em teus braços.
Queria que cuidasses de mim
como se cuida da rosa do Pequeno Príncipe.
Eu queria ser sua,
e queria que escolhesses ser meu.
Não por obrigação,
mas por paixão.
Há pessoas a me cortejar,
mas de que me adianta,
se o cortejo que desejo
é unicamente o seu?
Se não tens intenções comigo,
tenha a decência de sair dos meus pensamentos.
Não é justo comigo,
pois sempre que fecho os olhos,
vejo você:
a postura ereta,
os dedos ágeis sobre o computador.
Vejo o nosso abraço,
onde senti o calor do teu corpo.
Vejo teus olhos
atrás das lentes dos teus óculos redondos,
e pensar neles me faz perceber
como combinam perfeitamente com teu rosto.
Então vejo teus lábios
e perco a noção do mundo.
Eu adoraria dizer tudo o que sinto.
Talvez escrever seja limitado,
porque meus pensamentos
são mais rápidos que meus dedos.
Xícara de Café
Sinto-me solitária,
como uma xícara de café
esquecida num canto qualquer
de uma mesa bagunçada,
cercada por papéis importantes.
Parece que tudo ao redor
merece mais atenção do que eu.
Escrevo porque dói.
Não é uma dor do corpo.
É uma dor que atravessa a alma,
que se instala na mente
e encontra abrigo no peito.
Dói tanto
que as palavras se tornam pequenas demais
para explicar o que sinto.
Talvez seja por isso
que eu recorra à fumaça.
Não porque eu goste dela,
mas porque sua breve brisa
anestesia aquilo
que já não consigo suportar.
Não sou alguém forte o bastante
para fingir que está tudo bem.
Sou apenas alguém frágil.
Tão frágil
que evita até cruzar o olhar da própria mãe,
com medo de encontrar, nos olhos dela,
uma decepção
que talvez exista apenas dentro de mim.
E isso dói.
Dói de um jeito
que minhas mãos quase desistem
antes mesmo de terminar este poema.
Estou com o coração ferido.
E, enquanto tento sobreviver,
sou julgada
por não saber
como deixar de doer.
Enquanto Escrevo
Escrevo
porque a voz não alcança
o lugar onde a dor mora.
Sinto-me
como uma xícara de café
esquecida num canto,
enquanto o mundo
se ocupa de coisas importantes.
Carrego um coração ferido,
uma mente barulhenta
e um silêncio
que ninguém escuta.
Às vezes penso em ir.
Às vezes lembro
que existem olhos
que chorariam por mim.
Então fico.
Não porque a dor passou.
Mas porque,
enquanto escrevo,
ainda existe
uma parte de mim
que escolhe permanecer.
Quando estou triste sinto-me mais próxima da loucura… a alegria não me faz refletir muito… a tristeza sim! Acho até que busco este estado voluntariamente, apesar de sempre parecer contrariada com ele…
Às vezes não consigo ver o sol no horizonte mesmo sabendo que ele está lá,
Às vezes não sinto a chuva, mesmo andando debaixo dela.
Às vezes finjo viver, mesmo sabendo que não estou mais aqui.
Eu sou o outro.
Sou esse morador de rua.
Sinto sua fome,
sinto o frio, o calor, a chuva.
Sinto sua vergonha,
sinto sua humilhação,
sinto o perigo, a indiferença,
sinto a sensação de não ter valor.
Sou essa mulher agredida —
em palavras e no corpo — pelo marido.
Sou essa mulher que trabalha na rua e em casa,
e ganha menos apenas por ser mulher.
Sou essa mulher que, por tanto tempo,
viu suas escolhas serem decididas sempre pelos homens.
Sou essa criança no mundo,
que sofre por ser frágil, por não ter força.
Sinto o sofrimento violento que os adultos causam.
Sou esse doente na cama,
sofrendo de dor, desenganado pelos médicos,
com apenas a morte esperada no futuro.
Senti a dor do Holocausto judeu,
senti a dor da escravidão do negro.
Eu sinto a dor do outro.
Eu sou o outro.
Às vezes sinto que fiquei para trás. Enquanto todos os meus amigos seguiram em frente, eu acabei sozinho.
Cadê todo mundo?
Será que ninguém mais sente a minha falta?
Essa pergunta não sai da minha cabeça. Ela ecoa todos os dias, junto com uma solidão que aperta o peito e machuca o coração.
É estranho lembrar que um dia eu estava cercado de pessoas e, hoje, o silêncio parece ser a única companhia que ficou. Nunca imaginei que a ausência dos outros pudesse pesar tanto.
Só queria sentir, nem que fosse por um instante, que ainda faço falta na vida de alguém.
Se existisse um coeficiente matemático capaz representar o que sinto por ti ele somaria-se,a um número cada vez maior de evidências que confirmariam que você é a mulher da minha vida!
A lua daqui
Eu não vou mentir: por onde quer que eu vá, sinto que o luar nunca é igual ao de minha cidade, Apodi. Aqui não há montanhas gigantes, nem encostas que façam o luar ser único. Mas, no Calçadão da Lagoa do Apodi, na parte meridional da cidade, a lua se matiza de prata, refletindo sobre a água como se o céu tivesse derramado um bujão de gás luminoso. Ela fica tão reluzente que encanta, apaixona e já fez gente simples se tornar famosa só por morar na cidade da lua platinada.
Percebo que as grandes cidades, com suas selvas de pedra ou litorais recortados por ilhas, nem de longe produzem luas como a daqui. Nossa jaci é uma verdadeira belezura: casais se enamoram e até brigam, mas, ao perceberem o luar, desarmam-se das intrigas e voltam a se amar.
Aqui nem pensar em lobisomens. Pelo contrário, o que a lua enfeitiça são os gatos, que deixam de ser apenas gatos e ganham nomes dignos de celebridade: Nâno, Tufão, Fábio Assunção, Nega Véia, Melissa Mel, Florinda, Bob Mel, Frida Mel, Pedro de Canoanés, Ceguinha, Morcego e até Paulo Jorge. Longe de quererem se tornar feras, eles só se deixam encantar. E, assim como nossos felinos se transformam em personagens, nossa cidade carrega consigo uma rica gama de apelidos, que vão desde as crianças até os idosos, passando por todos que têm história e memória por aqui.
A lua daqui parece tornar nosso povo ainda mais hospitaleiro, e quem bebe da água de Apodi tende a não sair jamais, encantado pelo luar, pela lagoa e pelo calor silencioso da nossa gente.
Às vezes me sinto como se a poesia me usasse…
como se cada palavra fosse um jeito
de sobreviver ao que eu não sei explicar.
DeBrunoParaCarla
Te sinto onde não existe lugar,
como um céu quebrado respirando dentro da minha dor. Nada faz sentido nem o tempo, nem eu só essa vontade estranha de continuar caindo como se o fundo fosse, de algum jeito, você.
DeBrunoParaCarla
Sabe quando você encontra alguém e simplesmente não quer mais ir embora? É assim que eu me sinto com você. A gente se entende no olhar e isso já basta pra eu querer ficar.
DeBrunoParaCarla
Tenho um fio invisível, invisível ao Mundo nenhum olhar o alcança, mas eu sinto A alma desconhece, mas eu já fui avisada
eu me sinto como um pássaro que não só teve as asas cortadas… mas como se tivessem arrancado pela raiz, deixando feridas abertas que nunca cicatrizam, como se cada batida do coração fosse um lembrete de que algo essencial foi perdido, algo que nunca deveria ter sido tirado e isso dói de um jeito que não cabe em palavras, dói como se o ar pesasse, como se respirar fosse um esforço, como se existir tivesse se tornado um castigo lento, porque não é só sobre não poder mais voar é sobre olhar pro céu e sentir ele distante, frio, inalcançável, é sobre lembrar, e ao mesmo tempo começar a esquecer, como era ser livre, como era sentir o vento, como era subir cada vez mais alto sem medo, sem limites, sem essa dor cravada no peito e o pior… o pior é sentir que isso está escapando, que aos poucos a memória vai se apagando, que um dia talvez eu nem lembre mais como era voar
e então nem a dor vai fazer sentido, só vai sobrar esse vazio estranho, esse silêncio pesado, essa existência quebrada, é como se eu estivesse preso em um corpo que ainda vive, mas tudo que fazia ele ter sentido já não está mais aqui, e agora não resta escolha eu preciso aprender a viver assim com essa dor que não grita, mas corrói, que não sangra por fora, mas dilacera por dentro, que maltrata, desgasta, consome… devagar, todos os dias, como um pássaro que ainda olha pro céu…mesmo sabendo que nunca mais vai voltar pra lá.
Existem sentimentos que são como o sol, iluminam tudo sem precisar de palavras. O que sinto por você criou raízes no meu coração e transformou minha vida em um jardim de paz e amor eterno.
DeBrunoParaCarla
