Sinto a tua Dor

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Não escolho a dor que a vida entrega, mas posso escolher libertá-la.

DOADORAS DE EMOÇÕES


Só nós mulheres permitimos que a dor se instale no momento em que ela é única. Só nós mulheres enfrentamos e combatemos esta dor, sem deixar nosso carisma de lado. Só nós mulheres carregamos dentro de nós um ser tão especial que quando nos separamos dele, sorrimos. Só nós e mais ninguém deixamos uma parte se desprender e seguir seu caminho, mesmo que este caminho seja um rasgar de intensidade.

Somos esculpidas por um Deus que teve a ideia e a sensibilidade de saber que dentro de cada uma, haveria amor o suficiente para doarmos para toda a humanidade. Somos elementos de um quebra-cabeça que quando unidos nos tornamos tão fortes, mas, tão fortes que nem uma tempestade devastadora conseguiria nos derrubar.

Se há em algum canto do nosso universo feminino elementos que nos deixam sensíveis, esses elementos são os nossos desejos de ser além de mulher. Nascemos e morremos várias vezes e não deixamos que ninguém perceba. Somos sensíveis o suficiente para deixar que a fortaleza seja nossa aliada. Dilaceramos nossos sentimentos quando eles acabam interferindo no nosso momento, que é único.

Perseveramos nos nossos ideais e jamais deixamos que a dor interfira nas nossas lutas. Somos fortes e a dor física jamais nos aflige se estivermos fortes o suficientes para seguirmos em frente. Nossa dor é muito mais além da carne, por isso sabemos que ela é necessária.

Plantamos dentro de nós sementes prósperas e no inicio de cada primavera elas nutrirão nossos olhos e o nosso espírito. É o momento de renascer, o momento de desabrochar mais uma vez para a vida e se preciso for, passar novamente por todas aquelas dores.

Contornamos todos os obstáculos, serpenteamos nos íngremes e tortuosos caminhos, suportamos as bruscas quedas e saímos ilesas. Somos a própria semente. Damos a luz a mais linda flor que possa existir. Flor esta que desabrocha dentro e fora de nós. Somos extremamente a bela e exuberante natureza, que nos dá todos os dias o nascimento de mais um dia.

Somos eternas porque somos doadoras de emoções e de vidas...

Sempre vou me reerguer depois de uma derrota. Sempre vou superar qualquer dor. Fui feita para ser feliz. Por isso nada me deterá. Nada me derrotará.

⁠No amor ou na dor, somos protagonistas da nossa história.

Ser Poeta é transformar a dor em arte. Em cada verso as palavras encontram abrigo e ganham asas para a imaginação. O Varal literário é um livro aberto ao vento.

Somos todos filósofos quando a dor não nos pertence.
Somos todos guerreiros quando a ferida rasga o outro.
​É fácil dizer “aguenta” quando não somos nós a sangrar.
É fácil sussurrar “segue em frente” quando não são os nossos pés a arrastar a alma pelo chão.
​É assim que sobrevivemos: erguendo a distância como um escudo.
Tratamos o sofrimento como um conceito distante, uma teoria fria,
um problema matemático que se tenta resolver com meia dúzia de palavras ocas:
“O tempo cura tudo.”
“Vai passar.”
​Mas ninguém quer saber do tempo quando o peito aperta,
quando a angústia sufoca em silêncio,
quando a noite chega e não traz descanso, só memórias.
​O mais perverso é que, tantas vezes, sobrevivemos porque os outros fingem que a dor é domável.
Porque alguém, na sua doce ilusão, nos promete que ainda há um amanhã.
​Nós não acreditamos; mas a mentira do amor e da consolação pode salvar.
E, quem sabe, num dia distante, essa dor finalmente comece a doer um pouco menos.
​Deve ser isso a esperança:
a beleza trágica de insistir em viver.

Sua autoridade nasce da sua dor, ou seja, você será bom naquilo que mais te fez sofrer.

Quando a Dor Pede Passagem


Uma história foi contada, e a pergunta veio ligeira,
como se já estivesse pronta para atacar.


Da boca de alguém que carregava a igreja no peito
e falava de Deus de boca cheia.


Perguntou-me, sem receio:


— E por que não com você?


— E... por que não comigo?


Foi tão inesperado que fiquei sem palavras.


Porque a resposta era simples e óbvia:


Nada daquilo deveria acontecer com ninguém.


Nem todas as minhas dores são minhas,
mas são pesadas demais para serem ignoradas.


Antes, eu achava que apenas fingia sentir a dor do outro,
como se fosse algo encenado dentro de mim,
algo que, aos poucos, mesmo no silêncio, ganhava forma.


Hoje, sei que não.


Não preciso encenar, porque essas dores realmente se tornam minhas.


Mesmo sem entender como, elas me alcançam.


Ultrapassam a realidade, ultrapassam a física...
e eu as sinto.


E, depois disso, torna-se impossível não fazer nada.
Impossível fingir ausência.


Porque a dor permanece aqui dentro, crescendo,
grande e intensa demais para que eu me faça invisível.


Então, eu vou.


Sem pensar muito, eu me entrego.


Coloco-me no lugar do outro.


Vou para a frente, para defender,
para que a justiça seja feita.


Existem situações que ninguém deveria viver.


E algumas pessoas passam pela vida apenas olhando.


Eu não consigo.


Quando a dor me encontra,
ela me pede passagem.


E, de alguma forma,
acaba me levando junto.


Edineurai SaMarSi

Ignorar a caridade é ignorar a dor do outro e abrir mão da oportunidade de fazer a diferença.

O excesso de apego material cega as pessoas para a dor do próximo.

Viver de costas para a dor do mundo é escolher voluntariamente a pobreza de espírito.

O medo de se envolver com a dor alheia faz com que muitos escolham a conveniente rota da omissão.

O isolamento emocional impede que as pessoas sintam a dor do próximo como se fosse sua.

Quem prefere fechar os olhos para a injustiça social acaba cúmplice da dor que escolhe não ver.

A insensibilidade diante da fome e da dor alheia revela que o maior vazio de uma época não é o material, mas o espiritual.

O hábito de transformar a dor alheia em espetáculo nas redes sociais, sem mover um dedo para ajudar de verdade, revela a hipocrisia moderna.

ANTES DA DOR
Autor: Góis Del Valle

Quando tudo ao redor desmoronar,
E a vida parecer te abandonar,
Quando a esperança for só um eco,
E os teus sonhos começarem a sangrar…

Não espere a dor te ensinar
Que Eu sempre estive aqui a te olhar,
Nos teus dias mais difíceis,
Nos momentos que chorou.

Eu sou a paz na tua estrada,
Sou a luz na escuridão.
Se me busca só na queda,
Te esquece do que é chão.
Mas Eu sou teu Deus e te amo!

Quando os aplausos forem ruínas,
E as certezas se partirem ao meio,
Lembra que o amor que te sustenta
Não se apaga ao sopro do medo.

Não espere a dor te ensinar
Que Eu sempre estive aqui a te olhar,
Nos teus dias mais difíceis,
Nos momentos que chorou.

Eu sou a paz na tua estrada,
Sou a luz na escuridão.
Se me busca só na queda,
Te esquece do que é chão.
Mas Eu sou teu Deus e te amo!

AO CALVÁRIO
Autor: Góis Del Valle

Ao Calvário, em passos lentos,
sombra e dor, Sobre os ombros,
a cruz a pesar. No olhar, um mar
de amor, mesmo ao ver a noite
chegar.

Gritos ecoam, pedras no chão,
O açoite rasga a pele em vão.
Mas Ele segue, sem recuar,
Cada ferida, um novo altar.

O céu se curva em pranto e aflição,
O sangue tinge a terra em redenção.
O céu se curva em pranto e aflição,
O sangue tinge a terra em redenção.

Oh, meu Senhor, teu fardo era meu,
Cada espinho rasgava o céu.
Mas em teu olhar, havia a paz,
Que fez do fim, um renascer…

A verdadeira compaixão não busca plateia, nem transforma a dor alheia em espetáculo; ajuda em silêncio, porque sabe que a dignidade vale mais do que a exibição de um ato.

Quem fecha os olhos à dor do necessitado, arrisca-se a encontrar portas fechadas no dia da sua própria aflição.
— TUNIN