Sinceridade de um Homem para uma Mulher
O homem foi feito para a nobreza e a verdade; qualquer coisa fora disso é delinquência espiritual e traição contra si mesmo.
Ser um homem de verdade é ter a coragem de servir a Deus e bater de frente contra as artimanhas do inimigo.
A inimizade do diabo contra o homem é real, mas o amor de Deus pelo homem é a única força capaz de te salvar.
O diabo não luta contra Deus porque ele já perdeu; ele luta contra o homem porque quer levar consigo a imagem do Criador para o fundo do abismo.
Quero ser um homem cujo coração seja uma morada para pessoas humildes e verdadeiras; ajuda-me a ser a resposta que o meu próximo precisa.
Tu me preparas para coisas gigantescas, e para isso, precisas de um homem com a alma limpa e o coração disposto a amar sem esperar nada em troca.
Nas escolas públicas e universidades, professores preferem defender a teoria de que o homem veio do macaco em vez de pregar a Palavra de Deus, combatendo a vontade de Jesus Cristo e o amor ao próximo.
"O individualismo cega o homem ao ponto de fazê-lo confundir a ausência de empatia com um ato de independência."
"O valor de um homem não se mede pelo dinheiro que ele tem no bolso hoje, mas pela integridade e pela honra com que ele ganha cada centavo."
" Reza a lenda que o homem mais
rico do mundo morreu afogado em um mar de dinheiro com notas de 100 reais e uma moeda de 5 centavos na cueca. "
Entre a amizade e o amor: um dilema silencioso
Depois de viver um amor, o homem descobre que ficar sozinho não é só silêncio, é também aprendizado. Ele começa a se acostumar com a própria companhia, mas percebe que a vida fica mais suave quando aparece uma amiga presente, aquela que está ali no dia a dia, que escuta, que se importa.
E é aí que mora o problema: o coração dele, carente de afeto, acaba se apaixonando. Não por uma fantasia, mas pelo cuidado real, pelo jeito simples de estar junto. Só que, muitas vezes, para ela, ele continua sendo apenas “o amigo”.
O paradoxo dói: o homem que cuida não é visto como parceiro, e o parceiro que ela deseja pode não cuidar como o amigo cuida. Ele passa a medir todas as outras mulheres pelo carinho dessa amiga, e nenhuma parece suficiente. Ela, por sua vez, guarda o amigo no espaço seguro da amizade, sem nunca enxergá-lo como homem.
Talvez não exista saída fácil. Talvez seja preciso aceitar que nem todo carinho precisa virar romance. A amizade já é uma forma de amor, um amor sem posse, sem cobrança, que floresce na liberdade. E quem sabe, ao aprender a valorizar isso, o homem abra espaço para que outro amor, verdadeiro e recíproco, apareça no caminho.
Um homem talvez não conheça em vida a dimensão de suas ideias, nem alcance o mundo que imaginou; mas, se ensinar outras consciências a questionar o que parecia definitivo, sua existência não terminará com seu tempo: continuará na liberdade daqueles que aprenderam a pensar por si mesmos.
Se até Jesus chorou, tu acha que vai escapar?
Os fortes conhecem o peso da dor.
Nenhum homem é feito de aço, nem de gesso.
Pois até quem enfrentou o mundo sangrou em silêncio,
E cedo ou tarde, cada um encara sua própria verdade.
_Autor: James Richard Ferreira Pantoja
Pseudônimo: KANGAL
A morte é uma ilusão; eu já existia muito antes de nascer. O grande equívoco do homem é temer a morte e esquecer-se de viver, ignorando que o fim alcança a todos, indiferente ao medo. Meu único temor é abdicar de mim mesmo. Prefiro o fim do corpo a essa renúncia, pois deixar de ser quem sou é a única e verdadeira morte.
O maior risco à liberdade nunca foi o tirano, mas o homem que amou a própria escravidão e agora sonha em acorrentar os seus iguais.
“O passageiro que levava uma tarde no bolso”
O homem sentado à minha frente viajava com uma tarde dobrada no bolso da camisa. De vez em quando, retirava uma ponta para conferir se o sol ainda estava lá.
É de quando minha mulher era viva explicou.
Deixei a tarde acabar uma vez. Não cometo esse erro de novo.
Achei melhor não perguntar como se dobra uma tarde. Naquele trem, as perguntas costumavam envelhecer antes das respostas.
O vagão tinha suas particularidades. A chuva caía do lado de dentro quando alguém recordava uma despedida. Uma senhora precisava podar semanalmente o braço do banco onde o marido se sentara: desde sua partida, a madeira vinha criando ramos. Ela pendurava os óculos entre as folhas e continuava seu bordado.
Eu carregava uma mala tão pesada que o assoalho se curvava sob ela. Dentro, havia discussões cuidadosamente preservadas, três humilhações de estimação e uma frase que eu ensaiava havia vinte anos para dizer a alguém que já não podia escutar.
O homem da tarde apontou para a bagagem.
Deve ser difícil trocar de lugar.
Respondi que eram coisas importantes.
Ele concordou com a cabeça, e isso me incomodou mais do que uma discussão.
Pedi café. A moça do carrinho serviu duas xícaras, embora eu estivesse sozinho.
A outra é para quem o senhor estava pensando em chamar.
Fiquei olhando o café até que esfriasse. Tive uma vontade absurda de chorar por todas as vezes em que dissera “qualquer dia”.
Na estação seguinte, entrou um menino com os joelhos sujos de terra. Reconheci a cicatriz antes do rosto.
Era eu, aos oito anos.
Sentou-se sobre minha mala e perguntou se tínhamos conseguido conhecer o mar.
Conseguimos responde eu
E por que você está com essa cara?
Falei de contas, de perdas, de certas dificuldades que ele ainda não compreenderia. O menino escutou com a paciência desconfiada das crianças diante das explicações dos adultos.
Mas o mar continua lá?
Disse que sim.
Ele pareceu aliviado. Tirou do bolso uma pedrinha e começou a desenhar ondas no vidro.
Durante algum tempo, viajei ouvindo aquele pequeno ruído. A paisagem acompanhava o desenho: onde ele riscava mais fundo, levantavam-se ondas; onde descansava a mão, o oceano ficava liso. Uma baleia passou pela janela com um prédio inteiro nas costas. Em uma das sacadas, alguém regava gerânios.
Foi então que o homem à minha frente se levantou.
Guardou sua tarde, abotoou o casaco e estendeu a mão. Eu quis fazer alguma pergunta que o mantivesse ali mais um pouco. Perguntei se precisava de ajuda.
Preciso que segure isto.
Entregou-me a xícara vazia.
Desceu antes que eu pudesse devolvê-la.
Fiquei com aquele objeto banal entre as mãos, ainda marcado na borda pelo café que ele bebera. Lá fora, a estação se afastava devagar. Pela primeira vez, percebi que uma despedida podia acontecer enquanto a gente estava ocupado segurando uma xícara.
O menino encostou a cabeça no meu braço. Adormeceu com a pedrinha na mão.
Abri a mala com cuidado para não acordá-lo.
A frase ensaiada escapou primeiro: atravessou o corredor, bateu duas vezes contra o vidro e encontrou uma fresta. Depois saíram as discussões, miúdas e barulhentas, disputando entre si a razão. As humilhações deram mais trabalho. Haviam se agarrado ao forro.
Quando terminei, restava uma camisa limpa.
Cobri o menino com ela.
Já anoitecia quando senti um calor no peito. Pensei que fosse febre, mas havia uma claridade atravessando o tecido do meu bolso.
Lá dentro, muito bem dobrada, estava a tarde daquele homem.
Abri apenas uma ponta.
Uma mulher ria numa cozinha. Havia farinha em seus braços e alguma coisa no forno. Ela ergueu os olhos, como quem acabara de ouvir a porta.
Fechei devagar.
Depois chamei a moça do carrinho e pedi mais dois cafés.
O banco à minha frente estava vazio. Mesmo assim, puxei a cortina para que a luz chegasse até ele.
Descrição do meu texto:
Essa crônica apresenta a vida como uma viagem em que carregamos lembranças, encontramos pessoas e aprendemos a conviver com as despedidas. O surrealismo torna visível aquilo que acontece dentro de nós: a saudade ganha forma, as mágoas adquirem peso e a infância pode sentar-se ao nosso lado.
O homem que guarda uma tarde no bolso deseja preservar um momento vivido com a esposa. Naquela pequena porção de tempo, ela continua rindo, preparando comida e ocupando a casa. Isso representa uma experiência profunda do luto: recordar alguém também é reencontrar os gestos simples que tornavam sua presença tão querida. O receio de deixar a tarde acabar expressa o medo de perder até mesmo a lembrança de quem partiu.
A senhora cujo banco cria ramos mostra outra maneira de viver a ausência. O lugar do marido continua participando de sua rotina e produzindo vida. Ela cuida desses ramos enquanto borda, como quem aprende, aos poucos, a cuidar da própria saudade.
A mala pesada representa os sofrimentos que o narrador continua carregando. As discussões preservadas, as humilhações e a frase ensaiada durante vinte anos revelam quanto espaço podemos entregar ao que nos feriu. Chamar as humilhações de “estimação” traz uma ironia dolorosa: às vezes, alimentamos certas lembranças até que se tornem companheiras habituais.
A observação do homem sobre a dificuldade de trocar de lugar sugere que esse peso também limita nossa capacidade de mudar.
As duas xícaras de café aproximam o narrador das oportunidades adiadas. A segunda xícara pertence à pessoa que ele pensou em chamar, mas não chamou. Quando surge a vontade de chorar por todas as vezes em que disse “qualquer dia”, aparece o arrependimento pelos encontros que poderiam ter acontecido. Uma intenção afetuosa precisa encontrar algum momento para se tornar gesto.
O menino de oito anos é o próprio narrador antes de acumular aquelas preocupações. Sua pergunta sobre o mar recupera um desejo antigo e simples. Ao perguntar se o mar continua lá, ele lembra ao adulto que ainda existem coisas capazes de despertar alegria e espanto. As ondas desenhadas no vidro passam a mover a paisagem porque, naquele instante, o olhar da infância volta a transformar o mundo.
A partida do homem acontece enquanto o narrador segura uma xícara. Esse detalhe concentra a fragilidade das despedidas: podemos estar diante de um último encontro sem reconhecê-lo. Depois, um objeto comum guarda a dimensão daquela presença. A xícara vazia passa a lembrar alguém que, pouco antes, estava ali.
Ao abrir a mala, o narrador começa a se desprender do sofrimento acumulado. As humilhações agarradas ao forro mostram como esse processo pode ser difícil. A camisa limpa que resta permite um cuidado imediato: cobrir a criança adormecida. Ele encontra uma utilidade amorosa para aquilo que carrega e acolhe a parte mais vulnerável de si.
A tarde que aparece em seu bolso sugere que o encontro deixou uma herança. Agora ele também conhece um fragmento da vida daquele homem e pode preservá-lo. A memória atravessa pessoas: alguém conta uma história, outro a recebe, e uma existência continua alcançando o mundo.
No final, pedir dois cafés e iluminar o banco vazio expressa uma mudança no narrador. Ele consegue oferecer um lugar à lembrança de quem partiu. Seu gesto contém saudade, gratidão e uma disposição renovada para o encontro.
A crônica nos convida a perceber quem está ao nosso lado enquanto ainda podemos conversar, repartir um café e escutar uma história. E deixa uma pergunta delicada: quanto da nossa vida está ocupado por feridas antigas, e quanto espaço ainda podemos abrir para cuidar de alguém?
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