Silêncio

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Deixar alguém no vácuo
É uma forma horrível de dizer através do silêncio
Que a pessoa em questão é meramente
Insignificante na nossa vida.

⁠O silêncio das palavras dizem muitas coisas.

O grito do silêncio, fala nada para uns, mas, fala muito alto para outros...

A árvore mais alta do mundo começou no silêncio da terra, crescendo para baixo antes de tocar o céu. Não despreze o seu período de quietude; é nele que as raízes da sua próxima vitória estão se fortalecendo.

Um erro só se torna um fracasso se você o enterrar no silêncio da vergonha. Quando você o expõe à luz da consciência, ele se transmuta em autoridade. Ninguém confia em quem nunca caiu; o mundo segue quem aprendeu a se levantar com uma nova sabedoria nas mãos.

Não permita que o silêncio do outro se torne o ruído da sua insegurança. O sábio não busca a confirmação no eco das vozes alheias, mas na firmeza dos seus próprios passos. Onde o mundo se cala, a sua verdade deve falar mais alto.

A grande decisão não nasce no tumulto da voz, mas na profundidade do silêncio. Antes de o raio partir o céu, há uma tensão muda na atmosfera. Aprenda a habitar a sua própria quietude antes de agir; quem não suporta o peso do silêncio jamais terá ombros para sustentar o peso do poder.

A força que não busca o reconhecimento é a única que o tempo não pode corroer. O silêncio não é ausência de voz, mas o acúmulo de poder. Quem fala tudo o que sabe, esvazia-se; quem guarda o seu silêncio, torna-se um reservatório de clareza que nenhuma tempestade alheia consegue turvar.

O tédio não é a ausência de sentido, mas a resistência da alma ao silêncio. Quando o mundo para de te entreter e a monotonia se impõe, você não está diante de um muro, mas de um espelho. É no terreno árido do repetitivo que as distrações morrem e a essência floresce.

Quem cala não consente, quem cala exerce o direito constitucional de permanecer em silêncio. Além do que, qualquer pessoa é presumidamente inocente, até que o transito em julgado prove o contrário. Portanto, permanecer calado não é se intitular culpado. É não fazer prova contra si mesmo. Responder para quê? Se não sabes o que pode comprometer. CF/88

Num dia frio,
o mundo pede silêncio.


E entre páginas abertas,
o tempo desacelera.


Lá fora, o vento atravessa ruas,
carrega pressas, distrações,
mas aqui dentro,
tudo encontra um ritmo mais lento,
quase como um segredo bem guardado.


E é nesse instante simples,
entre o frio e o abrigo,
que a vida se revela;
sem esforço:
como uma melodia suave ao fundo,
dessas que a gente nem percebe,
mas sente,
e sabe que é exatamente ali
que mora o sentido.

O silêncio sufoca a alma de quem a nostalgia se apousa.

"Só quem já provou do veneno amargo das palavras, conhece o valor adocicado do silêncio."

-Aline Lopes

“O Silêncio dos Astros”


Se o céu fosse um deserto,
no brilho de um olhar eu me perderia.
E no clarão da tua luz —
meu caos se acalmaria.


As mais belas palavras
não nascem da voz,
mas do silêncio que habita o olhar.


Pois há verdades que não se dizem,
há amores que não se explicam,
há destinos que apenas se reconhecem
quando duas almas voltam a se encontrar.
Onde você esta meu ar.

⁠Palavras repetidas são ocas e inúteis, melhor ficar em silêncio.

Poema –Entre o Silêncio e o Pedido

O que é, afinal, um pedido de socorro?
É o grito que não sai,
ou o silêncio que ecoa por dentro?

O que é pedir ajuda?
É dizer “estou só”?
Ou é olhar ao redor
e não encontrar ninguém,
mesmo quando há tantos ali?

Há uma solidão que não se explica,
que não depende da ausência,
mas da falta de ser visto.

E então me pergunto:
como continuar?

Continuar… para quê?
Buscar compreensão?
Acolhimento?
Ou apenas um lugar
onde eu possa existir sem esforço?

Será carência…
ou é ausência mesmo?

Porque, no fundo,
acho que estou pedindo socorro.

Estou cansado de tentar.

Uma vez me disseram:
“é só viver.”
Mas como se vive
quando não se sabe o caminho?

Eu sei respirar…
mas isso não é viver.

Queria sorrir com leveza,
queria sentir que existo de verdade.
Mas sigo, como um mecanismo…
funcionando,
cumprindo,
ajudando.

E me pergunto:
é só isso?

Queria dizer que viver é simples.
Mas, às vezes,
o simples parece impossível.

Porque há dias
em que morro em silêncio,
repetidas vezes,
lembrando de tudo aquilo
que nunca saiu da imaginação.

Sonhar cansa.
Voltar à realidade cansa mais ainda.

E então retorno à mesma dúvida:
isso é um pedido de socorro…
ou só continuo existindo
para não deixar os outros caírem?

E, no meio disso tudo,
uma pergunta me atravessa
quieta, mas insistente:

será essa a vida de quem cuida?

Estender a mão
com o próprio vazio nos dedos?
Oferecer abrigo
sem ter onde repousar?

Buscar apoio…
e não encontrar?

Talvez por isso tantos silenciem,
tantos desabem por dentro,
tantos desistam sem aviso.

Uma vida dedicada a sustentar outros,
e, ainda assim,
caminhar só.

Uma vida de entrega.
Uma vida de ausência.
Uma vida de dor
que insiste em não passar

⁠⁠"Lá fora o silêncio paira em meio a lua e as estrelas, enquanto que aqui dentro meu conturbado coração dispara toda vez em que eu olho para você.

Nesse momento surge uma respiração profunda e demorada que se inicia dentro de mim e se espalha por todo o meu corpo me deixando em êxtase na mesma sintonia que um arrepio toma conta do meu ser me fazendo te querer o mais rápido e breve possível."

Quem me subestimou hoje, amanhã
vai entender o meu silêncio.

São raros os dias em que a vida está em silêncio.

Ode a um sete


No silêncio deste velho pedestal, corroído pelas infindas águas da realidade, sinto-me como caneta sem tinta. Passei a me solidarizar com Fernando Pessoa, pois, agora que um sete está em tudo: nos lugares que passo, onde penso, existo e até mesmo ouso descansar. É estranho, mas acho que compreendo, ao menos de forma minimamente correta.
O menor dos problemas não é deixar para trás, e sim a lacuna entre a falsa perseverança, simultânea ao vazio que na mente se abre, restando-me apenas a certeza da dúvida se conseguirei recuperar aquilo que nem sei ao certo se realmente perdi. Ela me domina, esgueirando-se por minhas fibras junto a um sete que, ao longe, me perseguia e hoje, dentro de mim se ergue.
Conforme o maldito se consolida, me questiono por que as tortuosas linhas do destino me apresentaram a esse tal Proust, sem nenhum aviso prévio ou formidável preparo necessário, apenas atirando-o à mim, assim como um sete, de forma tão tardia, agitando as águas salgadas da angústia. Agora, com um mínimo de aprendizado, passo a entender que memórias não doem apenas por serem memórias, mas por serem vagarosas, lentas, tornando-se, em alguns casos, “pequenas” demais para tal estrago, ridiculamente desproporcionais às correntes que me prendem à eternidade que parece habitar neste museu, mantendo-o vivo.
Diante deste ninho moldado por traços desolados, guerreando com um sete, sinto-me culpado, uma alma insignificante, vagando em busca de perdão. Oro ao pequenino Léo, que, aos trancos e barrancos da própria ingenuidade, inteligência e bondade petulante, sem nunca pestanejar, ergueu-se sozinho. Queria dizer-lhe o quão orgulhoso sou por sua bravura altruísta, por seu poder de encontrar felicidade e conhecimento no simples, isso te levou longe, garoto. Jamais se esqueça, nem aceite cair na penumbra das mágoas ao seu pai, muito menos que se volte contra sua mãe. Peço apenas que, com sabedoria, aprenda que a vida não é só perdoar a todos, cuidar, salvar. Olhe para si.
Admiro muito você por conseguir seguir mesmo estando estilhaçado pelas flechas amarguradas da injustiça que costumamos chamar de vida, outrora direcionadas ao pobre Paulo. Pobre garoto, assustado e confuso, tendo menos que Romeu a perder, agarrando-se ao mínimo que pudesse de uma Julieta que sequer lhe jurou seu amor. E, diante da terrível praga, sem contato com o verdadeiro mundo, sem o paradeiro daqueles que davam cor ao seu, guardou sozinho todo medo e dor, retraindo-se para dentro da massa pensante, desconectando-se do próprio eu.
Compadeço-me de ti: a fantasia pode ser tortuosa de tão linda, mas, apesar de tudo, vivo você esteve, e vivo sempre estará, deixando seu legado que, mesmo escondido, soterrado pelas poeiras neurais, ainda carrega essência e sonho.
E a você, Gael, escondido sob a manta da amargura, vestido com uma falácia de máscula armadura, viverá para sempre vagando pelos imundos espectros daquilo que um dia denominou-se como Maria. Mas olhe para si, garoto, não vê o quão vitorioso és? Não te deixes levar pela afiada e gélida linha que deveria atuar apenas em uma ponta. Você é ouro, garoto. Graças a ti, e somente a ti, todos terão o descanso merecido, basta que se encontrem com o verdadeiro eu.
Tua bravura jamais será esquecida. Saúdem o grande dragão guerreiro que, com sua fúria, forjou a katana do ser, unindo os espectros que, outrora meros cadeados do trauma, agora se fundem e, juntos, derretem novamente, dando vida ao sujo, obscuro e fragmentado etanol. Puro produto da decomposição, prestes a evaporar, ir embora a qualquer instante, ocupando espaço sem pertencer, entorpecendo a realidade por onde passa. É o vazio deprimido em sua forma mais pura.