Seus Olhos Verde Mar
Intensa como fogo perene e furioso, faminto por consumir tudo o que há pela frente. Teus olhos dilaceram os céus, sob a cólera das luzes das tempestades violentas, tal como um ensaio da fúria divina. Queimas, consomes a ti mesma, por teus amores, risos e dores, mas a violência da tua existência, como uma força da natureza, me lembra que existes e me questiono, livre de medos: Seria sadismo, desejar em doce agonia, infligir a minha própria carne e espírito esta doce pena, abraçando tuas chamas?
Noite. E em teus olhos, amada, não vejo estrelas,
Mas sim a fúria gélida de luas estilhaçadas,
O eco persistente de antigas procelas,
As sombras disformes, por medos abraçadas.
Teu peito é um mausoléu de mágoas não ditas,
Um jardim devastado onde só espinhos ousam florir.
E eu? Eu sou o coveiro faminto que visita
Cada cripta da tua alma, sem jamais fugir.
Que venham teus demônios! Que urrem e se contorçam!
Eu os recebo com a fúria faminta do meu desejo.
Rasgo suas carnes espectrais, que me devorem!
Em cada ferida deles, o meu amor eu vejo.
Teus traumas são tapeçarias que eu venero,
Bordadas com o sangue escuro do teu penar.
Eu beijo cada nó, cada fio austero,
E neles encontro o mais sagrado altar.
Não tente esconder a angústia que te corrói,
O veneno lento que gela tuas veias finas.
Entrega-me! Deixa que meu beijo o destrói,
Ou que se misture ao meu, em danças assassinas.
Teus receios são bestas? Eu serei o caçador!
Não para matá-los, mas para domar sua ira.
Montarei em seu dorso, com selvagem ardor,
E farei da tua escuridão a minha lira.
Eu não vim para curar, nem para trazer a luz.
A luz é frágil, mente sobre a podridão que resta.
Eu vim para fincar minha bandeira na tua cruz,
Para reinar contigo nesta noite funesta.
Abraça-me com tuas garras de pavor cravadas,
Deixa teu caos sangrar sobre meu peito aberto.
Sou o guardião voraz das tuas alvoradas
Quebradas, o amante do teu deserto.
Em meus braços, teus monstros encontrarão espelhos,
E em meu toque feroz, um reconhecimento brutal.
Sou o santuário profano dos teus pesadelos,
O inferno seguro, teu paraíso mortal.
Então, chora tuas dores em meu ombro de granito,
Liberta as sombras que insistes em acorrentar.
Eu as devoro, as acolho, as bendigo e as incito.
Pois amar-te, minha sombria flor, é abraçar o teu lugar mais maldito
e chamá-lo, enfim, de lar.
Ver é apenas captar a imagem com os olhos e enxergar é processar a imagem, dar sentido e compreensão do que está sendo visto.
Se todos tivessem capacidade de ver e enxergar ao mesmo tempo, o mundo seria muito diferente.
SE os olhos já não dizem o que a boca revela... o tempo há de mostrar o sentido do silêncio que se instaura!!!
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Quando me visto bem,
é pra me despir com elegância
perante os olhos de alguém...
MATRIMÔNIO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Então diremos no altar,
aos olhos da romaria:
- Eu te recebo, José...
- Eu te recebo, Maria...
Nossos olhos nosso mundo,
as alianças nos dedos.
Vou jurar fidelidade,
vais prometer que a verdade
será nosso segredo.
Depois faremos promessas
ante as estrelas; a lua...
Sem testemunhas humanas,
vai ser a minha palavra
contra a tua.
TODOS OS OLHOS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Só entendo a mim mesmo por tê-las aos olhos;
sejam olhos da cara, da mente ou da alma;
minha calma só cresce ao encurtar distâncias
e meu tempo tem pressa de vocês comigo...
Tenho luz quando as trago na mira do rosto,
vejo tudo com lentes de leveza e sonho,
ponho cores no riso que não sai dos dentes
nem dos traços; das linhas do meu todo...
Não entendo esta vida se vocês demoram;
se na hora esperada não estão por perto,
vejo treva e deserto; perco teto e chão...
Há um mundo perfeito se as guardo comigo,
ao abrigo do mundo que fica de fora;
tudo chora de rir; brilham todos os olhos...
CADA VEZ QUE TE VEJO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Fico assim só de olhar nos teus olhos nos meus;
dou adeus e te levo, e permaneço assim,
por um curto sem fim que só depois me chama
e derrama o vazio de já não te ver...
Quando bebo em teu rosto esse dizer profundo
que me cala e consente ficar tonto e bobo,
eu me roubo pra ti; nem preciso de mim;
vou ao fim do meu mundo e colho céus ocultos...
É assim que me flagro desde que te achei,
desde quando não sei, porque lá me perdi
sob tuas presenças e muitos adeuses...
Ao saíres da linha do meu horizonte,
cada vez que te afastas ou cumpro essa pena,
fico assim, viro ponte suspensa no caos...
JANELA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Se me dou aos teus olhos deste jeito;
se meus olhos te caçam, como vês,
não é caso de ausência do respeito
nem de ser dominado pela tez...
Tenho plena ciência dessas leis
que me vetam de todo e qualquer pleito,
conto sempre até quatro, cinco, seis,
depois levo meu sonho para o leito...
Eu te quero faz tempo; desde o dia
em que vi teu olhar que só me via
como alguém que pros olhos pouco importa...
Sei do quanto é só minha esta novela,
como sei te querer pela janela;
nunca hei de forçar a tua porta...
TEU LADRÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Eu te leio nas folhas dos olhos abertos,
e por mais que te ocultes nessa capa fria,
vou além dos desertos de silêncio e sombra
que me fazes olhar para nunca te ver...
Mas desfolho as verdades contidas em ti,
perambulo nos becos dos teus desenganos,
tuas perdas, os danos que te retraíram
nos desvãos de saudades ao sabor do abismo...
É assim que resvalo pelas entrelinhas;
faço minhas as mágoas que te fazem presa;
quero ser teu ladrão; escoar tuas mágoas...
Nunca feches teus olhos ante a luz dos meus,
pois de todos os breus o que mais me apavora
é perder essa hora de ler a tu´alma...
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