Ser Capaz de ser Feliz

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⁠... um gesto de perdão
evidencia a virtuosa estatura
de um Ser... E, aos ora acolhidos por
misericordioso aceno, a chance de
remediar suas criadas demandas e
deslizes - ainda que, em muitos casos,
resgatados mediante o amoroso
bálsamo da contrariedade
e da dor!

⁠... não é
preciso ser perfeito
para que um bem maiorpossa
acontecer; prevaleça!
Necessário é reconhecer e viver
o bem por todos meioseeficiência
que sejas capaz - e,por tal
atitudealcances a
perfeição!

⁠... dessa
nossa vida, nada
se perde - contrariamente, muito
se ganha, conquista - a não ser,
aquilo que não venha como
fruto do nosso próprio
trabalho!

O ciúme é um demônio a ser aprisionado; há, porém, tolos que insistem em mantê-lo livre como prova de amor.

Desejamos ser amados, ao passo que, muitas vezes, pouco nos esforçamos para amar.

Se vivido com amor, todo inferno pode ser suportado.

⁠Ser feio é uma terrível ofensa aos olhos daqueles que pintaram nosso retrato no quadro de seus desejos.

- O Feio

⁠Se, após esta vida, existissem outras, escolheria ser escritor em todas elas - não para ser lido, mas para suportá-las. Encontrei na literatura uma forma de ser feliz mesmo sendo triste; de crer mesmo duvidando; de viver, mesmo estando morto.

(O Feio)

⁠A vantagem de ser feio é que se tem maior tempo para adornar o caráter.

Tenho refletido sobre a dicitomia do ser e rascunhei acerca de ...


A COERÊNCIA ENTRE A FÉ QUE PROFESSAMOS E O AMOR QUE PRATICAMOS


Uma reflexão sobre a aparência da fé, os frutos das atitudes e a necessidade de transformação interior


1. Uma imagem como metáfora da incoerência humana


A imagem constrói uma metáfora visual sobre a possível desconexão entre a aparência externa e a essência das atitudes humanas. Por meio da combinação inusitada de uma maçã verde com o interior de uma laranja, associada a um tabuleiro composto por peças de quebra-cabeça de diferentes materiais e texturas, a composição convida à reflexão sobre a coerência entre aquilo que se declara, aquilo em que se acredita e aquilo que efetivamente se pratica.


A maçã verde, à primeira vista, apresenta a aparência de um fruto íntegro e reconhecível. Sua casca representa simbolicamente a aparência da fé: a imagem pública de integridade, religiosidade, virtude e compromisso moral que uma pessoa pode transmitir aos outros. Entretanto, ao revelar um interior completamente diferente do esperado, a imagem provoca um questionamento: será que aquilo que mostramos ao mundo corresponde, de fato, ao que cultivamos em nosso interior?


O contraste entre a casca da maçã e o interior da laranja não deve ser compreendido como uma condenação das diferenças, mas como uma provocação simbólica acerca da autenticidade. O problema não está em ser diferente daquilo que os outros esperam, mas em construir uma imagem que não encontra correspondência nas próprias atitudes. A metáfora evidencia, assim, a distância que pode existir entre a identidade que se proclama e a conduta que se manifesta nas relações cotidianas.


O gomo de laranja fatiado e exposto sobre o tabuleiro amplia essa interpretação. Ao tornar visível aquilo que antes estava oculto, ele simboliza os frutos concretos das escolhas humanas: as palavras pronunciadas, as decisões tomadas, a maneira como tratamos as pessoas e a forma como reagimos diante das diferenças. Afinal, são as atitudes que conferem materialidade ao discurso e permitem perceber se existe coerência entre os valores professados e a vida praticada.


2. Um tabuleiro fragmentado: quando os valores não se harmonizam


Outro elemento significativo da composição é o tabuleiro formado por peças de quebra-cabeça com materiais, cores e texturas heterogêneos, como madeira, mármore, ferro oxidado e mosaico colorido. Essa diversidade visual pode ser interpretada como representação dos diferentes fragmentos que constituem a experiência humana: crenças, valores, desejos, escolhas, discursos e comportamentos.


Embora as peças de um quebra-cabeça sejam diferentes, espera-se que possam se articular para compor uma totalidade coerente. Na imagem, entretanto, a heterogeneidade dos materiais sugere uma base irregular, na qual os elementos parecem não compartilhar a mesma lógica estética ou estrutural. Essa composição simboliza a dificuldade de sustentar uma vida integrada quando os valores anunciados não encontram correspondência nas atitudes cotidianas.


A questão, portanto, não é a diversidade em si, mas a falta de coerência entre as partes. Uma pessoa pode professar o amor, mas agir com intolerância; defender a humildade, mas alimentar a vaidade; falar em misericórdia, mas responder às fragilidades alheias com condenação; afirmar que deseja o bem do próximo, mas utilizar suas crenças como instrumento de constrangimento ou superioridade moral.


O tabuleiro fragmentado convida, assim, ao exame das contradições que atravessam a existência humana. Mais do que procurar incoerências na vida alheia, a imagem nos provoca a perguntar se os diferentes aspectos da nossa própria vida estão articulados pelos valores que afirmamos defender.


3. A aparência da fé e a prática do fruto


As expressões aparência da fé e prática do fruto sintetizam duas dimensões fundamentais da metáfora apresentada.


A aparência da fé corresponde à dimensão visível do discurso religioso: aquilo que professamos, declaramos e desejamos transmitir publicamente. Ela pode se manifestar em palavras, referências bíblicas, conselhos, orientações morais e demonstrações exteriores de religiosidade. Contudo, nenhuma dessas manifestações, isoladamente, garante que os valores anunciados estejam efetivamente incorporados à conduta.


A fé não se torna incoerente por ser expressa publicamente, nem a religiosidade exterior é necessariamente falsa. A contradição surge quando a profissão de fé deixa de encontrar correspondência no modo como a pessoa vive e se relaciona com os outros. Nesse sentido, a imagem questiona o uso da linguagem religiosa como uma espécie de verniz moral, capaz de produzir uma aparência de virtude sem que haja disposição para o autoconhecimento, o arrependimento e a transformação interior.


A prática do fruto, por sua vez, remete àquilo que efetivamente produzimos em nossa vida. Representada pelo interior da laranja e pelo gomo exposto, ela simboliza as atitudes concretas pelas quais nossos valores se tornam perceptíveis. É no cotidiano, nas relações familiares, afetivas, profissionais e sociais, que o amor, a humildade, a paciência, a misericórdia e o respeito deixam de ser apenas conceitos e se convertem em experiências reais.


Na perspectiva cristã, essa compreensão encontra ressonância no ensinamento de Jesus: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:16). A passagem convida à reflexão sobre a relação entre aquilo que alguém manifesta e aquilo que efetivamente produz. Não se trata de reivindicar para si a capacidade de julgar definitivamente o coração alheio, mas de reconhecer a responsabilidade de examinar as próprias atitudes à luz dos princípios que se afirma seguir.


A verdadeira coerência não exige perfeição absoluta. Somos seres humanos, sujeitos a falhas, contradições e processos de amadurecimento. Exige, porém, honestidade para reconhecer os próprios erros, humildade para acolher correções e disposição para transformar comportamentos que contradizem os valores professados.


4. Entre o julgamento e o amor ao próximo


A metáfora visual ganha uma dimensão ainda mais profunda quando relacionada aos ensinamentos de Jesus sobre o julgamento e o amor ao próximo.


Em Mateus 7:3-5, Jesus questiona a atitude daquele que percebe o cisco no olho do irmão, mas não reconhece a trave no próprio olho. A passagem não precisa ser interpretada como uma proibição de toda orientação ou correção, mas como um chamado à autocrítica, à humildade e à responsabilidade antes de apontarmos as falhas de outras pessoas.


Como apontar as contradições alheias sem examinar as nossas? Como exigir coerência do outro sem reconhecer as incoerências que também atravessam nossa existência? E como falar em libertação espiritual sem admitir que todos nós temos aspectos que necessitam de cuidado, reflexão e transformação?


O mandamento de amar o próximo como a nós mesmos (Mateus 22:39) também nos convoca a rever a maneira como lidamos com as diferenças. É relativamente fácil acolher aqueles que compartilham nossas ideias, desejos, convicções e expectativas. O desafio se torna maior quando encontramos pessoas que pensam de outra maneira, fazem escolhas diferentes ou não correspondem àquilo que consideramos adequado.


Entretanto, o amor cristão não deveria depender de afinidades ou conveniências. Amar não significa concordar com tudo, abandonar convicções ou deixar de estabelecer limites. Significa reconhecer a dignidade do outro, tratar as pessoas com respeito e compreender que a discordância não autoriza a humilhação, o desprezo ou a condenação.


A fé não deve ser utilizada como instrumento de superioridade moral, mas como convite permanente à transformação. Quando as palavras religiosas são acompanhadas de críticas constantes, apontamentos e condenações, torna-se necessário refletir sobre a distância entre o discurso do amor e a experiência concreta de quem o recebe.


5. O que significa ser verdadeiramente abençoado?


Diante dessa reflexão, surge outra pergunta: o que significa ser verdadeiramente abençoado?


Ser abençoado significa apenas conquistar aquilo que desejamos, alcançar nossas ambições ou transmitir aos outros uma imagem de sucesso, virtude e felicidade? Ou também significa cultivar a paz interior, agir com integridade e construir relações nas quais o respeito, a reciprocidade e o amor possam florescer?


Talvez uma das expressões mais significativas da maturidade espiritual seja a possibilidade de deitar a cabeça no travesseiro com a consciência tranquila, reconhecendo as próprias falhas, assumindo as responsabilidades pelos próprios atos e compreendendo que ainda há muito a aprender e transformar.


Essa paz não significa ausência de problemas, conflitos ou dificuldades. Tampouco significa acreditar que estamos sempre certos. Trata-se de buscar uma vida em que nossas escolhas estejam cada vez mais alinhadas aos valores que professamos e em que a consciência não seja silenciada pela necessidade de parecer melhor do que os outros.


A bênção, nessa perspectiva, não se reduz às conquistas materiais ou à aprovação social. Ela também pode ser percebida na capacidade de amar, perdoar, reconhecer erros, reparar danos, respeitar diferenças e encontrar serenidade no compromisso cotidiano com aquilo que se considera justo e verdadeiro.


6. A libertação começa dentro de nós


Quando alguém afirma que outra pessoa precisa de libertação, cabe perguntar: de que libertação estamos falando? E estamos igualmente dispostos a reconhecer aquilo de que nós mesmos precisamos ser libertos?


Talvez precisemos nos libertar do orgulho que nos impede de reconhecer erros; da vaidade que nos faz desejar uma imagem irrepreensível; da intolerância que transforma diferenças em ameaças; da necessidade de controlar as escolhas alheias; da dureza que nos impede de exercer misericórdia; ou da hipocrisia que surge quando exigimos dos outros uma coerência que não buscamos cultivar em nós.


Essa reflexão não pretende negar a importância da orientação espiritual, do aconselhamento ou da correção fraterna. Pelo contrário, propõe que essas práticas sejam sustentadas pelo amor, pela responsabilidade e pela disposição de caminhar junto, em vez de se estabelecerem a partir da condenação ou de uma suposta superioridade.


A transformação interior começa quando deixamos de utilizar a fé apenas como medida para avaliar o comportamento alheio e passamos a permitir que seus ensinamentos também interroguem nossas próprias escolhas. É reconhecer que a espiritualidade não se comprova pela quantidade de falhas que identificamos nos outros, mas também pela disposição de rever nossas atitudes e reparar aquilo que precisa ser reparado.


A libertação, nesse sentido, não é apenas deixar de fazer algo considerado inadequado. É desenvolver a capacidade de agir com consciência, cultivar relações mais respeitosas e permitir que o amor transforme a maneira como nos posicionamos no mundo.


7. A fé que se torna testemunho


Agradar ao coração de Deus é testemunhar Sua presença por meio de atitudes de amor, e não apenas de palavras carregadas de críticas, julgamentos e apontamentos sobre a vida alheia.


É praticar aquilo que se prega, acolher sem humilhar, corrigir com respeito e compreender que todos nós temos fragilidades, contradições e caminhos de transformação. É reconhecer que nossas palavras podem orientar, mas também podem ferir; que nossas convicções podem iluminar caminhos, mas não nos tornam donos da verdade sobre a vida de ninguém.


A coerência entre a fé que professamos e o amor que praticamos não se revela na ausência de falhas, mas na disposição de enfrentá-las com humildade e responsabilidade. Uma fé vivida com autenticidade não nos coloca acima das outras pessoas: compromete-nos com o cuidado, a justiça, a misericórdia e o respeito à dignidade humana.


Que Deus possa verdadeiramente tocar nossos corações, iluminar aquilo que ainda precisa ser transformado em nós e nos conceder sabedoria para olhar para o próximo com misericórdia, em vez de superioridade. Que Ele nos ensine a amar para além das diferenças, a reconhecer nossas próprias limitações e a compreender que a transformação que desejamos ver no mundo também precisa encontrar espaço dentro de nós.


Que nossas atitudes falem mais alto do que nossas palavras. Que nossa presença seja instrumento de paz, acolhimento e amor. Que a nossa fé não seja apenas anunciada, mas vivida; não seja apenas argumento, mas testemunho; não seja motivo de condenação, mas compromisso com a transformação.


Porque, no fim, mais importante do que parecer santo aos olhos das pessoas é buscar a sinceridade de um coração que deseja, verdadeiramente, agradar a Deus.


E talvez a pergunta mais importante diante dessa imagem não seja quem precisa de libertação, quem está certo ou quem merece ser corrigido, mas esta:


Os frutos que temos produzido em nossa vida correspondem à fé que professamos?


Que tenhamos coragem para fazer essa pergunta primeiro a nós mesmos.


Que nossa fé seja reconhecida pelo amor que praticamos, e não pela quantidade de falhas que conseguimos apontar nos outros.






#ProfessoraJani #JaniaraDeLimaMedeiros

*Grandes Anões*
A vida nos faz ser grandes anões
Cabeça cheia de planos, peito cheio de sermões
Sonhamos castelos, acordamos em vão
E o futuro nos cobra em forma de chão

Choramos o tamanho que não alcançamos
As lágrimas medem o que imaginamos
Mas mesmo pequeno, mesmo em ruína
O sonho insiste, teima, ilumina

Porque anão que sonha ainda é gigante
Num mundo que esquece quem vai adiante.
(Saul Beleza)

O amor não pode esfalfar.
Ele tem que ser estimulante,
gratificante e duradouro.
Amor que cansa, pesa e esgota,
não é amor, é fardo.
Amor de verdade é descanso,
é fôlego,
é vontade de ficar.

*- Saul Beleza*

Vou fazer um rango aqui...
Não vai ser um banquete,
sem toalha de linho,
sem taça cara.
Mas vai ter cheiro de casa,
panela chiando,
arroz soltinho.
Será o suficiente
para que eu me sinta um rei.
Rei do meu cantinho,
do meu prato simples,
da minha paz.


(*Saul Beleza*)

*Fora de Época*

Não te ofereço flores por ser primavera,
te ofereço flores por te querer bem.
Não é o mês, não é o costume,
é a vontade que floresce em mim.

Se fosse inverno, eu acharia jeito
de te esquentar com pétala e cor.
Se fosse outono, eu juntaria as folhas
só pra te lembrar que cair também é uma estação.

Te quero bem sem motivo marcado,
sem feriado pra justificar.
Meu calendário tem teu nome
e todo dia nele é dia de te lembrar.
(Saul Beleza)

*Hoje a minha maior disputa será eu versus eu, e em meus versos, só serei eu versus eu, eu criança versus eu adulto, eu longe de ti versus eu, assim me vejo versando sem lembrar do eu versus eu, até que!*
(Saul Beleza)

*Estou aprendendo a te amar do jeito que gosta de ser amada.*
(Saul Beleza)

Em teus olhos, um reflexo de meu ser.
Vivo em ti, e em ti me sinto vivo,
teu coração, um ritmo a me envolver.
E em teu silêncio, um amor esquivo.

Eu busco em ti, um amor que não quer,
Mas em teu não, eu encontro um sim.
Teu desamor, um bálsamo a me doer,
E em tua indiferença, um amor sem fim.

Mas ainda assim, eu te quero, é verdade,
Com todas as d'ores, com todas as vontades.
E em teu não me querer, eu encontro a liberdade.

E assim, em teu silêncio, eu me sinto livre,
E em teu desdenho, eu encontro o que não disse.
E te gosto mais, por não me gostar, e isso é triste.
(Saul Beleza)

Um sorriso que ilumina o dia.
Um olhar que traz esperança e alegria.
Um jeito de ser que toca o coração.
Um semblante de calma, uma paz sem igual

Uma companhia que acalenta a alma.
Um abraço que conforta e faz bem.
Você é uma doçura que alimenta a alma de quem te conhece, e faz sorrir também.
(Saul Beleza)

Prefiro ser a primeira saudade,
Que te faz lembrar de mim,
Do que a última esperança,
Que te faz chorar sem fim.

Prefiro ser o teu único sonho,
Que te faz sorrir no escuro,
Do que o eterno pesadelo,
Que te faz acordar sem futuro.

Ser a luz no teu caminho,
O abrigo no teu coração,
É o que me faz viver,
E te amar sem moderação.
(Saul Beleza)

De amar...
de ser amado...
de viver...
de ser vivido...
de ontem...
de hoje...
de sempre...
de repente.
Se sente...
se lamente...
se contente.
De se amar, e se amado for.
(Saul Beleza)