Ser Capaz de ser Feliz

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Ser humilde o suficiente, é apenas um
gestosensato de quem reconhecendo que
errou pede perdão, de igual modo, é muito nobretambém, aquele que perdoa.⁠

Epigrama

Bom é ser árvore, vento:
sua grandeza inconsciente.
E não pensar, não temer.
Ser, apenas. Altamente.

Permanecer uno e sempre
só e alheio à própria sorte.
Com o mesmo rosto tranquilo
diante da vida ou da morte.

Marly de Oliveira
Antologia poética. Rio de Janeiro: Record, 2025.

⁠Não vão te aplaudir pela sua caminhada, mas se você tropeçar no meio do caminho, vai ser lembrado disso até o final da sua vida.

⁠"O imperador Júlio César está correto: -- A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta -- não basta a pessoa dizer que é boa, é necessário trazer no seu bojo a qualidade de boa"

"NADA É PARA SEMPRE. O QUE É BOM HOJE, PODE NÃO SER AMANHÃ, POR ISSO: ORAI E VIGIAI" Ademar de Borba

Cada um com o seu cada qual
E no final das contas
Nenhum ser humano é normal.

É cada um com o seu cada qual.
E no final das contas, verdade seja dita, nenhum ser humano, deveria ser considerado plenamente normal.

O que é vencer na vida?
Ser bem sucedido?
Ter riquezas descomunal?
Juntar um patrimônio no qual jamais seremos capazes de usufruir em tua totalidade?


Que é a vida, senão um caminho de mão única,
por onde o viver segue de partida, rumo a algum lugar desconhecido dos viventes. Porque sabemos da nossa efêmera e momentanea experiência nesta dimensão.
E a única certeza a qual temos é que não subsistiremos por muito tempo.

Não sou o dono da verdade, assim como nenhum ser humano possa ser.
A verdade não tem dono, ela é a própria essência do unigenito filho do SOBERANO E ETERNO E ALTÍSSIMO PAI CELESTIAL.
Sua graça constrange o meu ser.
E que nada, definitivamente nada, faço por esse dom eterno merecer.

Cada instante de vida é uma dádiva dos céus, e o ser humano ensoberbecido não possui capacidade para determinar quantos instantes haverá de viver, faz muitos planos, alguns consegue realizar, mas não possui o domínio de sua existência.

⁠Vi muitas celas na vida
Cárceres bons
Lugares que poderiam
ser minhas prisões eternas
e perfeitas!
Mas jamais permiti
que me prendessem...
Nunca!
Sempre me liberto
Antes dos grilhões se fecharem!
Sempre desejei a Liberdade!
Sempre clamei por respirar!
E hoje
eu faço poesia que liberta!!!
Jamais me vendi por bagatelas
Jamais me venci por bagatelas
Em tudo me perdi
Em nada me entreguei...
Porque rimas baratas
não sustentam o meu Verso
E ó Deus
por favor eu te peço
Me deixe cantar...!

Não sou contra auxiliar quem precisa, mas deveria ser algo mais ou menos assim: Precisa, faz cadastro pra receber, valor x (definido com base nos auxílios atuais) por mês, por tempo indeterminado, mas em contrapartida destina 5 horas diárias de segunda a sexta, durante o mês que for receber o auxilio, para serviços comunitários, vinculado ao governo, ou à iniciativa privada, que descontaria os pagamentos, através de redução dos valores nos impostos à pagar, sem vinculo empregatício ( precisa de auxilio, obrigatoriamente tem de dar contrapartida). Dessa forma, acredito, que ficariam somente os reais necessitados, especificamente colaborando com a sociedade até arrumarem empregos. Não vejo crueldade nisso, vejo dignidade.

Grandes conquistas não nascem de grandes momentos, mas da disciplina de fazer o que precisa ser feito todos os dias. O sucesso é a soma de pequenos esforços repetidos dia após dia.

Você que não gosta de animais, procure ajuda.
A falta de empatia merece ser investigada.

Na política, mentir parece ser requisito.
O caráter, aparentemente, é opcional.


Cyntia Karla De Liz
⁠

Ser estranho é uma forma sofisticada de lucidez. Uma consciência em carne viva que sente o mundo com excesso de precisão. Não é excentricidade, é viver em descompasso com o consenso, ouvir o ruído no meio da música, perceber o vazio por trás das certezas.

A dor vem da dissonância entre o que se vê e o que se finge não ver. Enquanto a maioria se protege com ignorância conveniente, o estranho sofre de clareza. Nietzsche chamaria de “doença do espírito elevado”.
E ainda assim, amar. Amar o humano mesmo quando o entende demais.

Ser estranho é viver tonto de liberdade, duvidar até da própria dúvida. Os outros chamam de “confusão”, mas é só alma demais.O estranho é o herege das convenções, o que “rompe tratados e trai os ritos”.

Há delícia também: ser inclassificável, ver poesia no que escapa ao óbvio, rir de si mesmo enquanto o mundo desaba. Perceber o padrão invisível que Jung chamaria de sincronicidade.

O estranho sente o tempo de outro modo: lento por dentro, rápido por fora. Sente o amor como místico, o tédio como luto. Nada é raso, tudo fere, tudo ilumina. E quando o chamam de “intenso”, ele sorri — intensidade é só estar vivo demais num tempo de gente anestesiada.

Ser estranho é viver num exílio fértil, criar, refletir, desobedecer. Estranheza é antecipação do que o mundo ainda não está pronto pra entender. Ser estranho é ser o rascunho do que ainda não tem nome e sorrir, discretamente, sabendo que a habilidade de lidar com o desconforto é um puro sinal de autenticidade e um atestado de maturidade.

(Douglas Duarte de Almeida)

Amar é ser abrigo sem precisar trancar a porta.

Nem que eu tente, não sei ser minimalista. Minha história é um relicário, uma loja de móveis usados, onde tudo guarda um sentido, uma memória, uma cicatriz bonita do tempo. Cada coisa em mim já teve função, já foi abrigo, já pertenceu a outro instante. E talvez seja isso que me faz inteiro: não o espaço vazio, mas o excesso de vida guardada nas gavetas da alma.

Quanto custa ser o que se é? Pergunta besta, mas incômoda. Quem já se olhou no espelho com a suspeita de que o reflexo sabe algo que você insiste em negar sabe: a resposta dói antes de chegar.

A culpa se aloja em cada gesto ousado, em cada palavra engolida, nos silêncios que preferimos. Ela é pegajosa, insistente, um lodo que adere à pele e ao pensamento. A liberdade, por outro lado, chega quase sussurrando e exige preço: ser inteiro, visível, irreversível.

Ser quem se é significa viver com a língua raspando as feridas da própria alma. Admitir que cada escolha, mesmo mínima, é uma cratera na qual a culpa pode se esconder — e que ainda assim, é ali que respiramos.

A culpa se veste de memória; a liberdade, de coragem. Oscilamos entre elas. Algumas vezes, a culpa nos segura pelo tornozelo; outras, a liberdade nos carrega pelo peito, nos atirando contra o céu.

Ser quem somos não é leve. Não é fácil. Não é barato. Mas o preço, cada suspiro, cada nó na garganta — vale mais que fingimento, mais que qualquer paz comprada com silêncio ou complacência.

No fim, o duelo nunca termina.
Mas existe algo de radicalmente bonito em atravessar essa colisão entre culpa e liberdade: sentir cada choque, cada fissura, cada centelha — e ainda assim continuar inteiro, pulsando, crua e irreversivelmente vivo.

Ser porto seguro é uma honra silenciosa que pesa nos ombros. Cada abraço que dou, cada conselho que escuto e devolvo, carrega uma pequena parte de mim que ninguém vê. Há dias em que ser referência é como sustentar o céu sozinho: bonito, mas extenuante.

O paradoxo é cruel e belo: a confiança alheia me eleva, me dá sentido, e ao mesmo tempo me lembra do risco de ceder demais, de me perder no cuidado que ofereço. Às vezes, me sinto encurralado no canto, cercado por expectativas, olhando para fora e desejando espaço para simplesmente existir.

Há uma delícia discreta em saber que alguém respira mais leve porque eu estive ali, firme, disponível. Mas a dor mora nas entrelinhas — nas madrugadas em que olho para minhas mãos e percebo que também elas precisam de abrigo.

Ser porto seguro é ser farol e tempestade. É carregar um oceano de vidas dentro de si, com a certeza de que cada gota que dou de mim é ao mesmo tempo um presente e um peso. Ainda assim, continuamos a brilhar, porque, no fundo, ser referência é a mais humana das responsabilidades: sentir o peso do mundo, e mesmo assim, oferecer um pouco de céu.