Sentimento Saudade

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Carrapichos
Quando criança me arreliavam.
Inteiros, pareciam íris a me observar.
Soltos e grudentos, agarravam nas meias brancas, na conga azul.
Hoje, sinto saudade deles.
O vento também levou os carrapichos…

Passado é o ontem visitando o hoje.
Na pele, no olhar
no cheiro, na mente
o passado sempre é presente.

A história é uma Fábrica de Tecidos
Houve um tempo em Baldim
que muita moça bonita
com seu vestido de chita
e charmoso chapelão,
com orgulho e alegria
se sentava na carroceria
de um velho caminhão
e ia para São Vicente
fiar algodão.
Ah! Que tempo “bão”!

Meus junhos, antigamente...
Milho assado
sapecado nas brasas da fogueira
ou no borralho do fogão
besuntados por meu avô
com manteiga caseira
cheiro de quentão e canjica
saudade que emociona e fica!

As fotos se refletem nos nossos olhos de formas diferentes.
Algumas trazem um sabor, um aroma, um sentido...
Muitas que parecem perfeitas, coloridas, nítidas, são imagens imperfeitas.
Outras parecem imperfeitas, amareladas pelo tempo, transformadas pelos anos, mas tão perfeitas!
Fotos que se refletem de forma tão humana.
Têm mãos que nos sacodem e pés que nos transportam, como se fossem asas.
Respiram, têm coração e lágrimas...
Têm a pele arrepiada pela emoção de refletir o que está para chegar...
Ou o que já partiu.
Imagens da esperança ou a da saudade.
Infinitas.
Eternizada em nossos olhos!

Minhas crianças
Paro no tempo olhando fotos e escuto. O som da voz de minhas crianças alcança meu inconsciente desfazendo o passar dos anos. Me tornam de novo jovem e aliviam meus medos próprios de quem está próximo da melhor idade. Tenho filhos que me adotaram e que me amam, simplesmente. Não existe viagem inadiável no tempo que transforma crianças em adultos. Mas, existe a viagem ao que já foi…
E, para a mãe que sou destas crianças de ontem ou de hoje, não há acontecimento mais incrível do que o momento em que posso abraçá-las, nas lembranças de ontem, ou na realidade do hoje, já adultos.

Irmãos são mais que amigos ou companheiros.
São muitas vezes nosso leme, nossas asas, ou freio, rede que permite descanso, mesa farta, festa alegria....
Ô saudade!

Imagem antiga do meu interior
Sossego!
Ruas de terra batida, cheiro da poeira fina, barulho de pés pisando o cascalho.
Sombra fresca do caramanchão.
Descanso da lida após almoço farto. Prosa boa ou cochilo. Tanto faz!
Na vendinha da esquina, fumo, cereais, pinga da boa, chapéus…e a caderneta do fiado.
Mães amorosas, pano branco na cabeça, levando os filhos para a escola.
Pracinha coroada pela pequena matriz de São Bernardo.
Janelas e portas sempre abertas, acolhedoras.
Na torre única, ninhos de andorinhas e o toque do sino que me toca.
Repica alegre anunciando uma boa nova?
Ou tange triste no adeus a alguém que sobe para morada final.
Que fica lá no limite da vista.
Entre a terra e o céu.
Como um aviso: É preciso apreciar, sem limites, o que o olho vê ou o coração sente.
A imagem antiga do meu interior, encanta o meu presente.

Fotos têm mãos que sacodem, pés que transportam, asas que arrebatam.
Respiram, têm corações e lágrimas.
Têm a pele arrepiada pela emoção.
Mostram o que está aqui.
E o que já partiu.
Exalam o cheiro da esperança.
Ou da saudade.
Infinitas..

Ah, o olhar do meu pai!
Eram janelas que escancaravam o amor que transbordava do seu coração.
Que bom seria se todos os pais olhassem os filhos assim...

⁠O tempo não para.
E não volta...

⁠Casarão da esquina
Viveu um tempo, que foi um longo tempo de alegrias.
Avós, filhos, pais, tios, netos, amigos...
Farofa, pé de moleque, doce de manga, macramé, crochê...
E um mundo inteiro que cabia num quintal.
Hoje o casarão é um velho.
Sozinho...

Predestinação

Adivinho-te
As lágrimas
E as quimeras derramadas
Dos olhos hirtos da noite,
E num abraço não contido
Envolvo-te…

Há diademas de Coragem
Esculpidos no sopro da aurora,
Estonteantes enigmas embutidos
Nas paredes da casa branca.

Predestinadas oscilações dos dias!

A casa branca
Chamou por nós.
Etérea,
Na derradeira aspiração,
Em esgares de agonia,
Ruiu
Aos pés do desalento.

Tristes tulipas,
Apoteóticas ninfas,
Dançam ainda
Tchaikovsky
No jardim.


Célia Moura - “Vestida De Silêncio”

Inserida por sofia66

⁠Todos os dias te chamo
envolta no negrume
desta minha alma vazia.

Todos os dias emudecem gritos
na garganta
paridos nesta agonia
de viver sem saber para quê!

Ninguém sabe
de que néctar nos lambuzámos,
de que luz nos incendiámos
na lânguida tela, primordial e eterna
inebriada de papoilas
e trigo por ceifar.

Ninguém soube,
nem eu sequer
o quanto te amei.

Todos os dias te chamo
e tu vens afoito, sorridente
comemorar comigo Vida
ao entardecer na tapada.
E com amoras nos olhos
samambaias no rosto
adormeces-me neste exílio
de terra fecundada
onde me dou por inteira,
sangue, pele, artérias
indignação
e coisa nenhuma.

Todos os dias me adormeces
num beijo de colibri
para que esta dor imensa
renasça flor.

Inserida por sofia66

Talvez um dia eu te perca no horizonte, mas vou sempre te encontrar dentro de mim.

Inserida por BluesMarcos

O sol passa o dia a correr atrás da lua.
Se o sol parar de perseguir a lua, depois de uma noite escura, ela cairá em seus braços ao amanhacer.

Inserida por BluesMarcos

É que desta vez queria que tudo fosse diferente. Desta vez, com você, queria que desse certo.

Inserida por carolinevargas09

Sempre estarei lá para segurar sua mão, mesmo que tudo a nossa volta esteja desmoronando.

Inserida por carolinevargas09

Tudo tem seu tempo, mesmo que o nosso não seja agora, um dia nossos caminhos há de se encontrar novamente.

Inserida por carolinevargas09

Faço qualquer coisa para tê-lo em meu mundo, sou uma mulher apaixonada querendo manter você la dentro, pois só a você quero me entregar por completo.

Inserida por carolinevargas09