Sentimento de um Homem
Estamos vivendo em uma era onde o sentimento se tornou refém da mente, e a mente, por sua vez, está refém de outras mentes que mentem constantemente. Essas mentes manipulam, distorcem e enganam, perpetuando um ciclo onde os sentimentos das pessoas ficam reféns das ideias impostas por essas mentes. O jogo mental acontece o tempo todo, e muitas vezes, sem que sejamos plenamente conscientes disso.
Nessa realidade, as emoções são moldadas por influências externas, muitas vezes contraditórias, fazendo com que as pessoas vivam em um estado de confusão e incerteza. A mente, sem um olhar crítico, absorve essas distorções e se torna prisioneira de falsas verdades, alimentando sentimentos que não são verdadeiros nem reais.
Exemplos disso estão por toda parte: em redes sociais, onde padrões de felicidade e sucesso são constantemente apresentados, mas raramente refletidos de maneira verdadeira. Ou na mídia, que molda a forma como vemos o mundo, manipulando a percepção das massas, criando ansiedades e medos artificiais. Essas influências não só distorcem a realidade, mas também escravizam os sentimentos, que deixam de ser reais e passam a ser impulsionados por pressões externas.
Portanto, é necessário perceber o quanto nossas mentes estão sendo manipuladas e como nossos sentimentos podem ser moldados por influências alheias, sem que sequer tenhamos consciência disso. Somente ao questionarmos essas influências e buscarmos uma conexão mais verdadeira com nós mesmos podemos libertar nossos sentimentos da prisão que a mente impôs a eles.
Sentimento é liberdade. É viver sem amarras, seguir o que seu coração deseja, sem medo, sem questionamentos, sem precisar de uma justificativa para ser ou fazer algo. Sentir é estar aberto ao momento, ao que surge dentro de você, sem a necessidade de controlar ou entender tudo o tempo inteiro.
Já a razão é segurança. Ela busca o conforto, a estabilidade, e muitas vezes o controle. A razão tem medo do desconhecido, ela precisa de explicações, de um "porquê" para cada coisa, e quer sempre encontrar uma razão lógica para viver. Ela se baseia em estruturas e em previsibilidade, tentando proteger do que é incerto.
A razão controla, organiza e planeja, enquanto o sentimento é espontâneo, flui sem restrições, leva você a lugares e experiências que a mente racional não consegue planejar. O equilíbrio entre esses dois aspectos é o que torna a vida rica, mas é o sentimento que nos conecta ao nosso verdadeiro ser, ao que realmente importa no fundo.
Sentimento é algo que o mundo tenta nos afastar desde quando éramos criança, mas por que me afastar de algo que sou eu?
Qualquer sentimento negativo que eu tenho é uma ilusão, e a maior prova disso, irrefutável, é o momento em que estou dormindo. Quando durmo, estou em paz. Se eu não estivesse em paz, não conseguiria dormir, é simples assim. Então, o que me faz sentir mal quando acordo? A ilusão que eu mesmo crio na minha mente. A ilusão desaparece assim que percebo que, toda vez que me sinto mal, na verdade, sou eu mesmo me iludindo com um sentimento que, no fundo, não existe. O sentimento verdadeiro e real é o de paz.
Quando tento reprimir, evitar ou bloquear essa paz, é quando sinto a ilusão de sentimentos negativos. No entanto, a paz é o único sentimento que realmente existe dentro de mim, tanto quando estou dormindo quanto acordado. Basta aceitar essa paz. Ela está sempre presente, mesmo que eu não perceba, e é nela que encontro a verdade do que sou.
Aquele sentimento de angústia, na verdade, é paz. Uma paz que sua mente, por pensar demais, está evitando de sentir. Ao tentar lidar com tantos pensamentos e preocupações, você acaba se distanciando dessa sensação de tranquilidade interior.
Aceite, entenda e permita-se sentir essa angústia, sem medo. Foque nele, sinta-o dentro de seu peito, bem profundo. Desprenda-se da razão e das distrações do mundo ao seu redor. Conecte-se com o sentimento dentro de si, sem pressa ou resistência.
E ao fazer isso, você perceberá que, no fundo, esse angústia nada mais é do que a paz que sempre esteve com você. Ela estava ali o tempo todo, apenas esperando que você parasse para reconhecê-la.
Amor não está só em um sentimento egoísta chamado "amor próprio", voltado para o próprio umbigo. Isso é o ego gritando!
Amor está no que vive diariamente, no padeiro que deu bom dia, nas plantas que plantou pela cidade, nas pessoas que ajudou de coração, no abraço na mãe, nos parentes, nos amigos, nos desconhecidos, o carinho com os animais, nos afetos com quem mais precisa, nas palavras positivas, na tranquilidade diante das ofensas, no compartilhamento de alimentos, de experiências, de histórias com seus semelhantes, na natureza, no ar, na vida...
Hoje em dia, as pessoas amam o "amor", mas não amam as pessoas.
O medo é um sentimento falso, uma ansiedade criada pela nossa mente ao anteciparmos algo que provavelmente nunca vai acontecer. A maior parte do medo vem daquilo que imaginamos, não do que realmente acontece. Mesmo que o que tememos se realize, o medo não vem do acontecimento em si, mas do pensamento sobre ele.
O presente, o agora, nunca nos dá medo. O medo é gerado quando pensamos no futuro, em algo que ainda nem existe. Pensar negativamente sobre o que está por vir não adianta, porque, no momento, não está acontecendo nada além do que é para acontecer. O medo é apenas uma construção mental que nos prende a uma realidade que ainda não se materializou.
A paz, ou seja, aquele sentimento de tranquilidade que sentimos naturalmente, é o único sentimento verdadeiro, constante, presente e natural que habita dentro de nós a todo momento. A maior prova de que a paz é o sentimento mais verdadeiro é quando estamos dormindo. Quando dormimos, estamos naturalmente em paz. Se não estivéssemos em paz, de forma profunda, não conseguiríamos descansar. Dormimos porque estamos em um estado de paz interior.
O que nos gera angústia, ódio, tristeza, mágoas e todas as negatividades que sentimos é quando negamos essa paz. Quando negamos algo bom dentro de nós, o resultado é sempre a sensação oposta: a angústia, o ódio, a mágoa, enfim, todas as emoções que surgem como uma reação ao que rejeitamos em nosso interior. Quando negamos a paz, experimentamos a inquietude.
Para retornar a esse estado de paz, a única coisa que precisamos fazer é aceitá-la, e não negá-la. Isso explica por que, quando nos sentimos mal por algo, tendemos a permanecer nesse estado por um tempo. Às vezes, passamos dias, até semanas, em um ciclo de sofrimento, até que finalmente aceitamos a paz novamente. Quando aceitamos, o mal-estar vai embora, e a paz retorna.
Tenho tanto de mim, que queria mostrar,
Mas às vezes nem sei por onde começar.
Guardo sentimentos que não sei revelar,
E o depois vem, sem me esperar.
O tempo é instante, o passado fugaz,
O que ontem quis, hoje talvez não seja mais.
O presente é chama que arde e desfaz,
O que esperamos muda, e assim nos traz.
O coração quer falar, mas teme errar,
Pois cada palavra é ponte ou é mar.
E mesmo sem saber onde vou chegar,
Tenho tanto de mim que preciso voar.
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