Sem você
As pessoas não são obrigadas a viver por você.
As pessoas não são obrigadas a te amar.
As pessoas não são obrigadas a te dar atenção.
As pessoas não são obrigadas a gostar de você.
As pessoas não são obrigadas a te ajudar.
As pessoas não são obrigadas a te reconhecer.
As pessoas não são obrigadas a fazer o que você quer.
Mas você pode viver por quem quiser.
Amar quem quiser.
Dar atenção pra quem quiser.
Gostar de quem quiser.
Ajudar quem quiser.
Reconhecer quem quiser.
Fazer o que quiser.
O que você dá ao mundo não vem com garantia de retorno, mas ainda assim, é sua escolha.
Quando você era criança, os adultos encheram sua mente de "não pode". Algumas dessas restrições faziam sentido na época — eram necessárias para sua segurança e sobrevivência. Mas agora você é adulto. E sabe o que isso significa?
Que você não precisa mais desses "não pode".
Pode conversar com estranhos.
Pode tocar nas coisas.
Pode se divertir sem motivo.
Pode brincar todos os dias.
Pode errar sem medo.
Pode chorar à vontade.
Pode fazer barulho.
Pode esquecer o relógio.
Pode fugir das punições inventadas.
Pode sair sem destino.
Pode andar por aí sem propósito.
Pode ouvir o que sente.
Pode viver!
O que antes era proibição, agora é escolha. A vida não precisa ser um eterno cumprimento de regras criadas para te limitar. Você pode. Você sempre pôde. Só esqueceram de te contar.
Relacionamento falso só vai para frente enquanto você se esforça, conquista, oferece, conversa, agrada, finge; depois que para, a relação acaba.
Relacionamento verdadeiro: apenas a presença é suficiente.
Às vezes, você é o que faz, não o que guarda.
Se o que você faz não reflete quem realmente é, talvez não seja você, mas apenas a máscara que escolheu vestir.
E se aquilo que guarda dentro de si é o que verdadeiramente te define, o que está esperando para compartilhar com o mundo aquilo que realmente é?
O afeto está no que você dá, no que compartilha, e não tanto no que recebe ou guarda.
Pois o que você dá permanece, enquanto o que você guarda, não.
A maior prova disso é a morte: quando morremos, não levamos nada do que acumulamos, apenas o que deixamos.
Porque, no fim, nada de fato nos pertence, exceto tudo aquilo que compartilhamos.
Se aquilo que você dedica mais tempo te incomoda, você está perdendo tempo.
O tempo é a coisa mais valiosa que a gente tem. Por isso, ele precisa ser usado em coisas que realmente fazem sentido na sua vida. Se você passa horas em algo que não te faz bem, que te cansa ou te deixa triste, então você está perdendo tempo.
O tempo deve ser usado para o que você ama, para o que te faz evoluir, te deixa bem e dá sentido à sua vida. Quando você faz o que ama, mesmo que apareçam dificuldades, isso não te desgasta, e sim te fortalece. O verdadeiro valor está quando o que você faz combina com o que é importante pra você.
De qualquer forma, sua vida acaba e você morre.
A verdadeira questão é: você vai morrer fazendo a vontade dos outros, seja da família, dos amigos ou da sociedade em geral, ou vai morrer vivendo as suas próprias vontades, seguindo o que realmente sente em seu coração, o que realmente deseja fazer e viver?
A vida é uma única oportunidade de viver de acordo com a sua essência, e muitas vezes nos perdemos tentando atender às expectativas externas, esquecendo-nos de que o tempo não volta. Viver de acordo com os próprios desejos e escolhas, com espontaneidade, é o que verdadeiramente nos conecta ao sentido mais profundo da nossa existência. No fim, o que importa é saber que, ao olhar para trás, você fez as escolhas que realmente sentia vontade, não as que os outros esperavam de você.
A paz é o sentimento que vive em você sempre, em toda situação, a todo momento. Porém, existem situações nas quais você não aceita sentir paz - são aquelas que sua mente interpreta como "ruins". Então você nega a paz naquele momento e, com isso, sente a ilusão da angústia, que na verdade é justamente a paz que você está evitando sentir na situação difícil. Ao aceitar essa paz, a angústia desaparece, e o sentimento de paz permanece, mesmo naquela situação que antes parecia ruim.
Quando você finge ser o que não é pra agradar alguém, essa pessoa já significa algo pra você - e nem sabe que tá recebendo um você que não é verdadeiro.
Quem engana, primeiro se engana.
E quem se engana, nem percebe que tá caindo na própria mentira.
Quando você sabe de uma desgraça que acontece na sua sociedade e não alerta as pessoas sobre esse acontecimento, está colaborando indiretamente para que essa desgraça continue acontecendo com os outros.
O tempo em vida começa no nascimento e termina na morte, e todo o tempo que você espera dos outros é o tempo que perde na vida.
“A inteligência artificial não precisa pensar para pensar por você”
A provocação do neurocientista Miguel Nicolelis de que a inteligência artificial não seria “nem inteligente, nem artificial” atinge um problema maior do que o nome dado à tecnologia.
Talvez estejamos fazendo a pergunta errada.
A questão mais urgente não é saber se a máquina pensa. É descobrir quanto do nosso pensamento estamos autorizando a máquina a substituir.
Inteligência, em sentido psicológico, envolve aprender, raciocinar, compreender, resolver problemas e adaptar-se. Já “artificial” designa aquilo produzido pela intervenção humana, e não algo surgido espontaneamente na natureza.
Os atuais sistemas de inteligência artificial realizam operações extraordinariamente sofisticadas sobre enormes quantidades de dados. Reconhecem regularidades, calculam probabilidades, estabelecem relações e produzem respostas que podem parecer compreensão. Mas aparência de compreensão e compreensão são problemas diferentes.
A máquina pode produzir uma resposta correta sem saber que está correta. Pode produzir uma resposta falsa com a mesma fluência.
E aqui começa o verdadeiro problema.
A inteligência artificial não precisa ter consciência para influenciar uma consciência.
Quanto mais convincente for a resposta, maior será a tentação de confundir fluência com verdade, precisão linguística com precisão científica e probabilidade estatística com conhecimento.
Por isso, talvez o maior risco da inteligência artificial não seja ela aprender a pensar como nós.
É nós desaprendermos a pensar sem ela.
Uma humanidade sem discernimento transforma ferramenta em autoridade. E quando terceirizamos não apenas a informação, mas também o julgamento sobre a informação, deixamos de utilizar a tecnologia e começamos silenciosamente a obedecê-la.
A máquina pode ampliar o conhecimento humano.
Mas não deveria receber automaticamente autoridade sobre ele.
A IA pode responder por você. O perigo começa quando você permite que ela decida o peso que a própria resposta merece.
Informação pode ser artificialmente produzida.
Autoridade não deveria ser artificialmente ou automaticamente concedida.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
