Sê quem és
O Estado de ser e os problemas do Ser
Agilson Cerqueira
Inebriar-se ou embriagar-se não é fugir — é um método.
Um experimento contra a tirania da inconsciência.
Pois existir, quando plenamente percebido, não é um dado — é um privilégio.
A lucidez não ilumina: ela expõe.
E o que ela expõe não é o mundo, mas a impossibilidade de habitá-lo sem fissuras.
Há, portanto, uma tensão irreconciliável:
entre o esquecimento, que dissolve o ser, e a consciência, que o torna insuportavelmente nítido.
Não se trata de escolher entre dois estados, mas de reconhecer que ambos falham.
O esquecimento falha porque não sustenta.
A lucidez falha porque sustenta demais.
O sujeito, então, não é algo estável —
é um movimento de oscilação.
Um pêndulo sem centro.
Aquilo que se chama “eu” não passa de um intervalo entre percepções, uma tentativa precária de continuidade num fluxo que não admite permanência.
Conhecer-se torna-se impossível,
não por falta de profundidade,
mas por excesso de instabilidade.
O ser não é oculto — é inconsistente.
E talvez por isso o outro se torne intolerável: não por diferença, mas por revelar que também ele sustenta, com igual fragilidade,
a ficção de existir.
Recusar-se a ser o outro
é, no fundo, recusar a evidência
de que não há saída fora dessa condição.
Ser é estar preso numa estrutura sem fundamento, onde o instante é tudo o que há — e, ainda assim, não se sustenta.
O agora não é presença: é ruptura contínua.
Assim, as palavras “loucura e lucidez”
perdem o sentido.
Porque ambas partem do mesmo erro:
acreditar que há um estado correto do ser.
Não há.
O que existe é apenas a consciência
tentando justificar o fato bruto de estar aqui.
Sem motivo.
Sem centro.
Sem garantia.
E talvez o pensamento mais radical
não seja compreender isso
— mas continuar, mesmo assim.
Se suas forças interiores não estão lhe impulsionando o suficiente para o sucesso, e se sente perdido numa floresta, pare, reflita, olhe ao seu redor e, principalmente, entenda que há uma fortaleza em você. Só não está conseguindo acessá-la e usá-la. Busque conforto em uma rota onde se sinta feliz e minimize suas inseguranças. Não mergulhe nas frustrações de agora, mas lembre-se das vitórias já obtidas. Recupere-se e estabilize-se entre o íngreme e o plano. Agora caminhe, com passos firmes e prudentes.
Na vida, perde-se e ganha-se o tempo todo; algumas perdas nos aliviam, e certos ganhos nos tornam pesados demais.
Torna-se digno de ser ouvido o homem que, depois de anos vivendo o que pensa, fala com a autoridade das próprias ações.
Sempre que acordar, lembre-se de que a vida lhe oferece uma nova chance de repensar, recomeçar e descobrir. Uma dádiva restauradora está mais uma vez ao seu alcance.
Lembre-se de que o seu fim um dia virá; não permita, porém, que ele chegue antes de você caminhar descalço no solo que arou, colher o fruto do que plantou e ouvir a canção que compôs.
A inteireza do ser é rara; antes de tornar-se inteiro, quase todo ser precisou recolher seus fragmentos e refazer-se.
Poucos buscam verdadeiramente a verdade; dizem-se assim, mas, ao menor incômodo, aceitam a mera verdade conveniente.
Se alguém que você ama decide partir, não se prenda à tristeza. Deixe que vá. O tempo tem uma maneira sutil de revelar verdades, e se houver arrependimento, ele não será seu. Quem soube amar de verdade nunca carrega o peso da dúvida, apenas a paz de ter feito o que podia.
Todos nós passamos por lutas silenciosas...
Mas lembre-se: talvez exista alguém que realmente queira te ajudar.
Talvez você até saiba quem é essa pessoa, mas por medo ou insegurança, não queira se abrir com ela.
Talvez ela já tenha te mostrado que você pode superar qualquer coisa.
Então continue, mesmo depois daqueles dias que pareciam te destruir.
Essa pessoa vai te lembrar: Continue, pois você é uma pessoa maravilhosa.
Continue…
Felizmente, na época em que vivemos, possuir o verdadeiro caráter muitas vezes significa tornar-se um fora da lei. Essa ideia é instigante, porque nos leva a refletir sobre o real sentido de ter caráter. O caráter autêntico não está limitado às regras escritas ou às normas impostas, mas à coerência interior de cada ser humano. Obedecer pode ser fácil, mas sustentar princípios inegociáveis diante da injustiça é o que revela a essência do caráter verdadeiro.
Lembre-se: eu não me importo se você gosta de mim ou não. O que importa para mim é saber se você realmente merece que eu me importe com você. Afinal, se eu próprio às vezes nem gosto de mim, imagine eu querer te obrigar a gostar de mim.
O Prisma Velado
Um estranho tingido de nuances
tenta ocultar-se sob o peso das dores,
mas há uma claridade que vaza pelas frestas,
teimando em revelar suas cores.
Veste falas ásperas, molda controvérsias,
mentindo sobre a própria essência:
tem o olhar transbordando vida,
enquanto a boca impõe abstinência.
Cuidado, ele assusta.
É caminhar sobre lâminas de vidro;
basta um sopro, uma palavra mal posta,
para que o castelo caia, desvalido.
Inseguro, tropeça no próprio silêncio,
anseia pela escuta, mas recua no umbral.
Há um universo contido nesse peito,
que se veta o direito de ser real.
Brilha, pequena luz, rompe o casulo.
Esconder o sol não lhe faz sentido.
Seja agora, ou em um futuro mudo,
o amor reclama o que foi reprimido.
Essa hesitação cederá terreno
ao que pulsa e, doce, seduz;
uma voz que o retira do ermo
e o convoca, enfim, para a luz.
Não economize a alma, não se limite à razão.
Voe para além do que o medo condiz.
Busque o néctar, o mel, a entrega;
há doçura esperando quem se quer feliz.
O amor não pede licença nem explicação:
ele chega sem alarde, desarruma o porto,
e faz um belo estrago na solidão
dessa sua iludida arrumação.
Poesia de Islene Souza
A essência do verdadeiro amor chama-se cuidado com a pessoa amada, pois é no gesto de proteger, ouvir e valorizar que o sentimento floresce como um jardim de ternura que, abençoado por Deus, envolve e transforma todo coração.
Eu gosto da natureza, de tudo o que a envolve... Respirar natureza é maravilhar-se com o belo que se manifesta de forma espontânea diante de nós... O estético não trabalhado pelo humano, mas por si mesmo...
Nietzsche intuiu o que a clínica confirma: a individuação tem custo de isolamento. Separar-se das expectativas parentais, dos modelos introjetados, das identificações que nunca foram escolhidas — esse processo não é conquista tranquila, é ruptura que muitas vezes produz culpa antes de produzir liberdade. O sujeito que ousa pertencer a si atravessa o julgamento alheio sem o abrigo da aprovação, e isso exige suportar o desamparo que precede a autonomia. Perder o mundo pode ser suportável; perder a si é a única forma de dano que o psiquismo não consegue inteiramente elaborar.
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