Sê quem és

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Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.

'Se pensássemos em todas as sortes que tivemos sem as merecer, não teríamos coragem de nos lamentar.'

“Se pelo menos uma vez na vida você morrer de amores por alguém, você vai ter conhecido todas as sensações do mundo. Sem sair do lugar.

Aquele que deseja continuamente "elevar-se" deve esperar um dia pela vertigem.
O que é Vertigem? Medo de cair? Mas por que temos vertigem num mirante cercado por uma balaustrada sólida? Vertigem não é medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual logo nos defendemos aterrorizados.

Dedique-se!

O botão desaparece no desabrochar da flor, e pode-se afirmar que é refutado pela flor. Igualmente, a flor se explica por meio do fruto como um falso existir da planta, e o fruto surge em lugar da flor como verdade da planta. Essas formas não apenas se distinguem, mas se repelem como incompatíveis entre si. Mas a sua natureza fluida as torna, ao mesmo tempo, momentos da unidade orgânica na qual não somente não entram em conflito, mas uma existe tão necessariamente quanto a outra, e é essa igual necessidade que unicamente constitui a vida do todo.

Apaixone-se todo dia, por você.

“Se você não é forte suficiente pra passar por cima dos obstáculos que te impedem de ser feliz, você não serve pra enfrentar um amor de verdade.”

"Fiz muitas inimizades, e o ódio substitui a amizade (se é que há amizade entre os maus), e nem sou amigo de mim mesmo. Fiz os maiores esforços para sair da multidão e fazer-me notar por alguma qualidade: o que tenho feito senão oferecer-me como um alvo e mostrar à maldade onde poderia me machucar?"
Da Felicidade

Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternura e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim ...

Artur da Távola

Nota: Trecho de um texto do autor.

Tiraram a plaquinha de aluga-se

Resolvi morar sozinha e passei os últimos três meses procurando um apartamento para alugar. Gostei logo de cara de um no Itaim, rua tranquila, vista para várias árvores charmosas, todo pequenininho e aconchegante. Quando entrei nele senti algo especial, estranho, familiar, algo muito bom. Mas não, não se pode ficar com o primeiro que aparece, não é mesmo? O Itaim tem muito trânsito, prédios antigos dão problema na fiação e no encanamento, a garagem era pequena, enfim, continuei procurando.
Depois daquele apartamento vi pelo menos mais uns 30, mas o dito cujo não saia da minha cabeça. A varandinha azul, as vaguinhas para visitantes ao lado, o porteiro velhinho que só sorria. Eu estava apaixonada. Mas não, o mundo tem tantas opções, não é mesmo? Não se pode ir ficando com o primeiro que aparece, ainda mais um primeiro com tantos defeitos: a cozinha era muito antiga, a porta do banheiro batia no bidê (pra que bidê?) e a proprietária não abria mão do carpete (eu sou alérgica).
O tempo passou, prédios modernos, mais baratos, com vistas melhores e até mesmo com banheiros gigantes (eu amo banheiros) passaram, e eu nunca tirei o predinho da rua Jesuíno da cabeça. Eu me dizia o tempo todo “o que é do homem, o bicho não come” e seguia a vida tranquila sabendo que quando finalmente chegasse a hora de me decidir, ele estaria lá esperando por mim.
Eu precisava experimentar o mundo, eu precisava conhecer outros cantos, cheiros e vistas, não, de maneira nenhuma eu poderia me deixar levar pelos sentimentos e assinar um contrato de fidelidade. Um dia eu estaria pronta para sair de casa e ser uma mulher, um dia eu estaria pronta para não ter mais que olhar pro lado pra poder olhar pra frente. Um dia eu poderia ser dele e então, ele seria meu.
Ontem resolvi passar por lá, não para resolver nada e nem para levar minha mudança, apenas para continuar minha paquera medrosa e distante, saber se estava tudo bem com o meu amor e esquentar um pouquinho nosso relacionamento cheios de dúvidas. Quando fui chegando perto não pude acreditar: a placa de aluga-se não estava mais lá!
Meu coração cheio de fúria não cabia dentro de mim, eu atravessei a rua correndo, apertei a campainha como um fantasma faminto inconformado com a morte mas impotente e invisível. Depois de muito tempo o porteiro berrou sem nem se dar ao trabalho de mostrar o rosto: já tem gente morando lá, foi alugado semana passada!
Voltei para meu carro e chorei o choro mais profundo, antigo e verdadeiro que já chorei em toda a minha vida. Um choro daqueles contidos pela eternidade.
Me recordei rapidamente de todas as pessoas e coisas que perdi por ainda não estar preparada para elas, ou por ainda ter muita curiosidade de mundo e dificuldade em ser permanente.
Me lembrei de vários lugares que trabalhei e acabei saindo porque era muito nova para me enterrar numa mesa de escritório dez horas por dia, mas eram lugares com pessoas, chefes e trabalhos muito divertidos e inesquecíveis.
Recordei de amigos e parentes distantes, aqueles que eu sempre deixo pra depois porque moram muito longe ou acabaram se tornando pessoas muito diferentes de mim, sempre penso “mês que vem faço contato com eles”. E se não tiver mês que vem?
Finalmente chorei todos os meus amores que acabaram, todas as portas que eu deixei entreabertas (porque sou péssima em fechá-las) e que se fecharam pela vida: a maioria casou, juntou, sumiu, nem sei por onde anda. Alguém quis fazer desses amores perdidos moradias e eu mais uma vez fiquei sem minha placa de “aluga-se”.
Enfim chorei o fim de tudo, assim é a vida, uma morte a cada dia. Depois, como sempre, limpei o rosto e continuei procurando pela minha casa. Estar sempre insatisfeito, na verdade, é o que faz a gente nunca desistir de seguir em frente e quem sabe um dia se encontrar nesse mundo.

Ninguém deve resignar-se a permanecer onde está se pode elever-se.

Edward: Então prepare-se para que este seja o fim, porque este será o crepúsculo de sua vida, embora sua vida mal tenha começado. Você está pronta para desistir de tudo.
Bella: Não é o fim, é o começo.
Edward: Eu não valho tudo isso.
Bella: Lembra quando você me disse que eu não me via com muita clareza? Você obviamente tem a mesma cegueira.

"De nada serve ao homem queixar-se dos tempos em que vive. A única coisa boa que pode fazer é tentar melhorá-los."

"Se eu manejasse um arado, pastoreasse um rebanho, cultivasse uma horta, remendasse uma veste, ninguém me daria atenção, poucos me observariam, raras pessoas me censurariam e eu poderia facilmente agradar a todos. Mas, por ser eu delineador do campo da natureza, por estar preocupado com o alimento da alma, interessado pela cultura do espírito e dedicado à atividade do intelecto, eis que os visados me ameaçam, os observados me assaltam, os atingidos me mordem, os desmascarados me devoram. E não é só um, não são poucos, são muitos, são quase todos."

Esperar pelo melhor é preparar‑se para o perder: eis a regra.
O pessimismo é bem grande, é fonte de energia.

Fernando Pessoa
Textos filosóficos. Lisboa: Ática, 1968.

Se permita errar, arriscar, ficar em dúvida, permita-se viver.

Aquilo que insistimos em fazer torna-se mais fácil – não que a natureza da tarefa tenha se modificado, mas a nossa capacidade de executá-la aumentou.

Heber J. Grant
TAYLOR, Fred. G. A Saga of Sugar (1944).

Nota: A citação costuma ser atribuída a Ralph Waldo Emerson, mas não há fontes que confirmem essa autoria. A citação é atribuída a Heber J. Grant por Fred G. Taylor, no livro "A Saga of Sugar" (1944).

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Mas a sua alegria apagava-se dia-a-dia, e cobria-se de poeira, como a asa de uma borboleta que um alfinete atravessou.

A Grande Manchete

Aproxima-se a hora da manchete.
O PETRÓLEO ACABOU.
Acabaram as alucinações
os crimes, os romances
as guerras do petróleo.
O mundo fica livre
do pesadelo institucionalizado.

Atiradores ao lixo
motores de combustão interna
e lataria colorida,
o Museu da Sucata exibe
o derradeiro carro carrasco.
Tem etiqueta de remorso:
“Cansei a humanidade”.

Ruas voltam a existir
para o homem
e as alegrias de estar-junto.
A poluição perdeu
seu aliado fidelíssimo.
A pressa acabou.

Acabou, pessoal! o congestionamento,
o palavrão,
a neurose coletiva.
A morte violenta entre ferragens
com seu véu de óleo
e chamas
acabou.

Milhões de arvores meninas irrompem do asfalto
e da consciência
em carnaval de sol.
Dão sombras grátis
ao papo dos amigos,
à doçura do ócio no intervalo
do batente,
do amor antes aprisionado sob o capô
ou esmigalhado pelas rodas,
â vida de mil formas naturais.
Pessoas, animais,
confraternizam: Milagre!

Dura 5 (?) minutos a festa
da natureza com a cidade.
Irrompem
formas eletrônicas implacáveis,
engenhos teleguiados catapúlticos
de máximo poder ofensivo
e reconquistam o espaço
em que a vida bailava.

Recomeça o problema de viver
na cidade-problema?

De que valeu cantar
o fim da gasolina de alta octanagem?

Enquanto não vem a formidável manchete
vamos curtindo
outras manchetinhas a varejo.
Vamos curtindo
a visão do caos e do extermínio
na rua, na foto,
no sono atormentado:
Mas 400 carros por dia nas pistas
que encolhem, encolhem, são apenas
enfumaçadas fita de rangidos.
Mais loucura, mais palavrão e mais desastre.

E lemos Ralph Nader:
a cada 10 minutos
morre uma pessoa em acidente
de carro; a cada 15 segundos
sai alguém ferido
na pátria industrial dos automóveis.
Vamos imitá-la?
Vamos vencê-la em desafio
de quem mata mais e morre mais?
Ou vamos ficar apenas
engarrafados sem garrafa
no ar poluído e constelado
de placa, de sinais
que assinalam o grande entupimento?
Perguntas estas são mensagem
também ela espremida na garrafa
que bóia no alto-mar de ondas surdas
e cegas
à espera do futuro que as responda.