Se eu Tivesse Asas
Sinto como se ninguém jamais tivesse realmente me conhecido. Como se cada pessoa que cruzou o meu caminho, até mesmo aquelas que caminharam ao meu lado por tanto tempo, tivesse visto apenas um pedaço de mim, um fragmento isolado, nunca o todo.
Às vezes imagino o que aconteceria se todos esses fragmentos se reunissem em um só lugar, como pedaços dispersos de um espelho quebrado. Tenho a estranha sensação de que, se alguém finalmente visse esse reflexo completo, algo dentro de mim desmoronaria, talvez o mundo que construí para me manter de pé.
Carrego comigo essa solidão antiga, quase familiar. E, no fundo, acredito que talvez seja melhor assim. Porque há certas partes de nós que parecem destinadas a permanecer em silêncio, guardadas na penumbra onde ninguém mais alcança.
Você tentou esconder os fatos. Seguiu a sua vida como se nada tivesse acontecido. Não apenas se livrou da culpa e da responsabilidade das suas próprias atitudes, como conseguiu culpar outras pessoas.
Mas você sabe qual é a verdade - e ela sempre irá atormentar você.
Os seus pensamentos não poderão te poupar da dor e da culpa que irá sentir pelo resto da vida.
Seguir em frente nunca foi sobre apagar pegadas na areia como se o mar tivesse vindo com a missão de me inocentar da minha própria história. Não. Seguir em frente, eu descobri, é olhar para cada marca que ficou e dizer com uma calma quase desconcertante: você existiu, mas não manda mais em mim. E isso… isso é um tipo de poder silencioso, daqueles que não fazem barulho, mas reorganizam tudo por dentro.
Eu escrevi demais. Meu Deus, como eu escrevi. Parecia que cada palavra era uma tentativa desesperada de dar forma ao que eu sentia, como se organizar frases fosse o mesmo que organizar o coração. E eu chorei… chorei como quem rega um jardim que já não tinha mais raiz viva. E sonhei então, nem se fala. Sonhei tanto que, se sonho pagasse aluguel, eu já teria uma mansão emocional mobiliada com expectativas irreais. Só que eu sonhava sozinha. E essa é a parte que a gente demora para admitir, porque dói menos romantizar do que reconhecer a solidão dentro de algo que a gente chamou de amor.
E no meio desse excesso de tudo, eu fui me perdendo de mim. Porque quando a gente ama demais sem retorno, existe um risco silencioso e perigoso de se diminuir para caber. De negociar limites, de aceitar migalhas com cara de banquete, de se tornar… menor. E eu sei, com uma clareza que só vem depois, que eu não caberia ali. Não porque eu não fosse suficiente, mas porque aquele espaço nunca foi feito para me receber inteira. E quando a gente tenta se encaixar onde não cabe, a gente se dobra. E se dobra de novo. Até quase desaparecer.
E aí veio a escolha mais difícil e mais libertadora: escrever tudo e enviar. Não guardar, não suavizar, não transformar em poesia bonita para consumo próprio. Entregar. Colocar para fora, como quem finalmente solta uma mala pesada depois de uma viagem longa demais. E a resposta… ah, a resposta. Ela não foi mágica, não foi romântica, não foi aquilo que uma versão antiga de mim esperaria. Mas foi exatamente o que eu precisava no agora.
Porque ela encerrou.
E às vezes, o maior ato de amor que alguém pode nos dar é justamente mostrar que importamos e que nos considera especial. Porque apesar de nada mais existir entre ambos, existe o respeito pelo que foi vivido.
Foi ali que a serenidade começou a nascer. Não aquela alegria explosiva, mas uma paz mais quieta, mais madura. Uma dor diferente. Uma dor que não fere, mas ensina. Que não prende, mas organiza. Eu consegui olhar para tudo que vivi e reconhecer: foi pouco, foi breve, foi quase nada… mas dentro de mim virou tanto. E isso não me faz fraca. Me faz humana.
Eu inventei versões, criei histórias, ampliei gestos. Transformei fragmentos em universos inteiros. E tudo bem. Aquela era a minha forma de sentir, de tentar dar sentido. Mas hoje eu não preciso mais sustentar essas narrativas. Eu posso guardar tudo isso como se guarda uma relíquia antiga: com respeito, com cuidado… mas sem uso.
Essa ideia de almas que talvez não tenham se encontrado no tempo certo é bonita, eu admito. Tem um charme quase poético pensar que em outra vida poderia ter sido diferente. Mas a maturidade chega e sussurra uma verdade simples: é nesta vida que importa. É no agora. E o agora não tem espaço para fantasmas bem alimentados.
Então eu guardo. Coloco tudo naquele baú empoeirado, lá no fundo, naquele porão interno onde ficam as coisas que já foram importantes, mas não são mais necessárias. Não jogo fora, porque fez parte de mim. Mas também não deixo na sala, ocupando espaço, interrompendo o presente.
Porque o presente… ele exige presença. E eu tenho alguém ao meu lado agora. Uma história real, construída, imperfeita e viva. E talvez o maior aprendizado de todos seja esse: amar de novo, não como quem repete, mas como quem evolui. Amar com mais consciência, com mais limites, com mais verdade.
No fim, se libertar nunca foi sobre o outro. Nunca foi sobre fazer alguém entender, mudar, voltar ou sentir. Foi sobre eu parar de me prender. Foi sobre escolher não continuar sentindo algo que já não tinha para onde crescer.
E essa escolha… ela muda tudo.
Se você ainda está aí, segurando algo que já acabou, eu te entendo. Mas chega um momento em que continuar sentindo vira uma forma de não viver. E viver, minha querida, exige coragem.
Eu escolhi viver.
"Se meu Coração tivesse juízo
Já mais seria iludido
Por um Amor bandido
Que só me faz chorar
Mais se ele não tivesse juízo
Já mais buscaria o seu Coração
Para eu Amar."
Quem corre de si mesmo nunca chega a lugar nenhum, mas se cansa como se tivesse cruzado o mundo.
EduardoSantiago
0350 "Se o Mundo tivesse acabado ou se vier a acabar em 21 de dezembro (como dizem que disseram os Maias) ninguém mais precisaria ou precisará enfrentar filas no comercio, para comprar as coisas de Natal."
Saudade
Se a saudade tivesse nome?
Seria o seu!
Se a saudade tivesse cheiro?
Seria o seu!
Se a saudade tivesse histórias?
Seriam as suas!
Se a saudade tivesse exemplo?
Seria você!
Se a saudade fosse uma pessoa?
Seria Pai!
Nunca soube definir saudade, até você se tornar ela!
Um sorriso surgiu em ambos os rostos — um gesto familiar, como se aquele reencontro tivesse sido apenas uma continuação de algo interrompido há milênios. Os lábios se tocaram num beijo breve, elétrico, carregado de reconhecimento.
Animais valem mais do que qualquer pessoa poderia valer. Se tivesse que escolher entre salvar um animal ou um ser humano, se o humano fosse uma boa pessoa, torceria pra alguém chegar pra salva-lo, porque não conseguiria viver com o fato de ter deixado um animal pra qualquer coisa ruim acontecer, mesmo sabendo que não teria como salvar os dois. Já um ser humano, poderia me sentir mal, mas seria bem mais fácil lidar com isso.
Animais são totalmente inocentes e são mais vulneráveis até do que crianças. São totalmente dependentes em situações de risco, além de serem os mais leais, fiéis e saberem amar como um ser humano nunca foi e nem será capaz. Tem gente que fala como se a vida animal valesse menos, porém a verdade é que ela vale mais. Vale muito mais!
- Marcela Lobato
No silêncio do cosmos,
até o tempo parece hesitar…
como se o infinito
não tivesse pressa de chegar a lugar nenhum.
DeBrunoParaCarla
Hoje o dia se revela diferente,
como se o tempo tivesse aprendido a ser calmo.
O mar repousa em sua própria grandeza,
e a lua, discreta, insiste em iluminar.
Ainda assim, é no encontro do teu olhar
que tudo encontra sentido—
límpido como cristal,
raro na forma, singular na essência.
E, sem alarde, sem pressa,
tua presença se instala
de maneira constante e serena.
A gente vive como se tivesse tempo de sobra. E o tempo… anda de fininho, pregando peça na gente. Poucas coisas nos humanizam tanto quanto o luto. É um choque seco, direto. Um corte na ilusão de que tudo pode esperar, de que dá pra deixar pra amanhã. Porque, quando a perda chega, de repente, o amanhã que a gente guardava com tanto cuidado… não existe mais.
A gente passa a vida fazendo planos como se o calendário fosse o nosso aliado, como se o relógio estivesse do nosso lado. E o luto escancara isso sem delicadeza nenhuma. Perder alguém muda o jeito como a gente enxerga o tempo. Você percebe que ele não era tão longo quanto parecia. Que aquela conversa podia ter acontecido. Que aquele abraço podia ter sido dado. Que aquele café não precisava ter esfriado.
É como se o relógio risse da nossa pressa. A gente corre para tudo… menos para o amor, menos para o afeto. E aí, quando não dá mais, a gente entende. Entende tarde. Entende na dor.
O luto humaniza porque tira a gente do automático. Ele quebra essa ideia de controle que a gente insiste em ter. Ele lembra que a vida não é um projeto infinito. É uma travessia. Uma viagem.
O tempo não avisa quando vai acabar. Mas sempre mostra, do jeito mais duro, que ele nunca foi garantido. Zero garantias.
Não fala mais de ir pra Itaipuaçu,
como se o caminho tivesse sumido.
Mas no fundo, ainda existe,
só ninguém tem coragem de olhar.
DeBrunoParaCarla
Pouca iluminação, uma luz muito acolhedora num tom azulado como se o céu azul escuro tivesse se misturado de uma maneira harmoniosa com o esplendor do luar, aqui neste quarto, durante à noite, iluminado o suficiente para eu admirar o relevo do teu corpo atraente, bastante notável, transmitindo emoção à flor da tua pele
As curvas sublimes da tua natureza formosa, as belas ondas de um mar agitado, as pétalas de uma rosa cheia de charme, a expressão de vitalidade dos teus cabelos cacheados, os teus lábios revelando o teu sorriso atrevido, a letra “S” da palavra sedução, um prazer ondulado, inevitavelmente aquecido pela excitação
Os meus olhos agora estão atentos para que nenhum detalhe seja ignorado, até a tua silhueta chama muita atenção, uma doce provocação em silêncio, movimentos que expressam a tua intenção que é compatível com o meu desejo, que está só aumentando para unirmos temporariamente os nossos universos, então, não devo te deixar esperando.
Solidão ou Solitude?
Há um instante em que o silêncio pesa,
como se o mundo tivesse esquecido o meu nome.
A casa respira devagar,
e cada canto guarda um eco que não responde.
Chamavam isso de solidão.
Mas o tempo, esse artesão invisível,
foi mudando a textura dos dias.
O vazio deixou de ser ausência
e virou espaço.
Aprendi a ouvir o que antes doía:
o som do vento na janela,
o compasso tranquilo do meu próprio existir,
a leveza de não precisar ser para ninguém além de mim.
E então, quase sem perceber,
a solidão se desfez em outra coisa—
mais mansa, mais inteira.
Virou solitude.
Agora, o silêncio não pesa: acolhe.
Não cobra: oferece.
É um lugar onde me encontro
sem pressa, sem ruído, sem máscara.
E nesse encontro sereno,
descubro que nunca estive só—
apenas não tinha ainda aprendido
a me fazer companhia.
"Se o mundo tivesse a dimensão do valor que Isaque Ramon carrega, em vez de desprezo, ele receberia o apoio necessário para alcançar o bilhão no YouTube."
Deus é simbólico. Se Deus tivesse que ser uma pessoa como tanto ilustram, mas ele nunca foi visto fisicamente, então nenhum deus ou Deus existiria. Divindades são como a gente dá nome e forma para forças muito superiores a tudo que é físico.
Origem
Antes de qualquer caminho,
você já existia em mim,
como se o destino tivesse
escrito teu nome
no silêncio dos meus dias
mais vazios,
esperando o momento
certo de te revelar.
Te encontrei sem aviso,
sem roteiro, sem preparo,
e ainda assim tudo fez sentido
no instante em que teus olhos
me tocaram,
como se o mundo inteiro
tivesse girado só pra nos alinhar,
como se amar você fosse
a minha verdadeira origem.
E desde então, cada passo que
dou carrega um pouco de nós,
porque não importa onde
a vida me leve,
é em você que começo,
é em você que retorno,
como quem finalmente encontrou
de onde veio e onde quer ficar.
