Se eu Tivesse Asas
Uma noite, uma mulher me chamou de extraordinário.
Olhou dentro dos meus olhos como se tivesse encontrado alguma espécie rara de animal.
Sorri.
Não por vaidade.
Por pena.
Ela não fazia ideia de que dizia a mesma frase para meia dúzia de homens toda semana.
As pessoas distribuem palavras como garçons distribuem guardanapos.
Sem perceber.
Sem importância.
Mas sempre existe um idiota disposto a guardar aquele pedaço de papel como se fosse uma carta de amor.
Pare de pedir para repetir as coisas como se não tivesse entendido; você já compreendeu perfeitamente e só está a tentar fugir da culpa.
"Se você tivesse recursos ilimitados, qual sistema fundamental da sociedade você redesenharia hoje para torná-lo mais justo e eficiente?"
O ser humano vive como se tivesse recebido da existência uma promessa que jamais lhe foi feita: a promessa do amanhã.
A maior ilusão da humanidade não é acreditar que possui tempo; é comportar-se como se soubesse quanto dele ainda lhe resta.
Tempo não é uma medida. Tempo é a matéria-prima da vida. Cada segundo que passa não leva apenas um instante; leva um pedaço irrepetível de quem somos. Não perdemos tempo. Perdemos vida.
Talvez por isso sejamos tão distraídos. Pensar na finitude exige coragem. É mais confortável adiar abraços, conversas, perdões, mudanças e sonhos do que admitir que qualquer despedida pode ter acontecido sem sabermos que era a última.
O homem aprendeu a calcular juros, investimentos, patrimônios e probabilidades, mas continua incapaz de calcular a única riqueza que realmente importa: quantos amanhãs ainda existem entre o hoje e a sua última respiração.
Vivemos negociando aquilo que tem preço para conquistar aquilo que não tem valor, enquanto entregamos, sem perceber, aquilo que não tem preço para comprar aquilo que jamais terá significado. Trocamos vida por sobrevivência e chamamos isso de sucesso.
O tempo é o único credor que nunca renegocia a dívida. Ele não aceita argumentos, não faz acordos, não devolve oportunidades e não demonstra preferência por ricos, pobres, sábios ou ignorantes. Diante dele, toda vaidade é ridícula, todo poder é provisório e toda arrogância termina em silêncio.
Há quem passe oitenta anos sem viver um único dia de verdade. Há quem viva poucos anos e deixe uma eternidade de significado. Porque a grandeza da existência nunca esteve na quantidade de tempo que recebemos, mas na consciência com que respondemos ao tempo que nos foi confiado.
No fim, a morte não interrompe a vida; ela apenas revela aquilo que fizemos com ela. E talvez o maior fracasso humano não seja morrer um dia, mas descobrir, no último instante, que passamos a existência inteira nos preparando para viver… justamente quando já não havia mais tempo.
Carlos Eduardo Balcarse
Lembro-me de cada detalhe, como se o tempo tivesse parado no instante em que nossos olhos se cruzaram pela primeira vez. Foi, sem dúvida, amor à primeira vista. Naquele momento, o mundo ao redor emudeceu para que eu pudesse apreciar o seu sorriso magnífico, que iluminou tudo o que eu conhecia.
Sua voz encantadora soou como uma melodia que eu não sabia que precisava ouvir, mas que meu coração reconheceu instantaneamente. E o nosso primeiro beijo... aquele toque foi o selo de uma conexão que já parecia escrita. Cada gesto seu, o perfume que ficou gravado em minha memória e a forma como o destino nos uniu naquela data, transformaram um simples encontro na recordação mais bonita da minha vida. Você não foi apenas uma pessoa que passou; você foi o início de tudo o que eu sempre sonhei.
[19/3 14:24] Alinny de Mello: Se ela não tivesse ido
[19/3 14:24] Alinny de Mello: Não estaria louca hoje
[19/3 14:24] Alinny de Mello: A loucura dela começou em 2017
[19/3 14:24] Alinny de Mello: Tantos anos se intensificou
[19/3 14:25] Alinny de Mello: Ela passou a ser vista por mim, como um monstro... Como ele
[19/3 14:25] Alinny de Mello: Sei que ela sempre foi vulnerável
[19/3 14:25] Alinny de Mello: Mas, não justifica
[19/3 14:25] Alinny de Mello: Ela teve meios
[19/3 14:25] Alinny de Mello: Nunca quis
[19/3 14:25] Alinny de Mello: Ainda se tornou religiosa
[19/3 14:26] Alinny de Mello: Aí fodeu
Seguir em frente nunca foi sobre apagar pegadas na areia como se o mar tivesse vindo com a missão de me inocentar da minha própria história. Não. Seguir em frente, eu descobri, é olhar para cada marca que ficou e dizer com uma calma quase desconcertante: você existiu, mas não manda mais em mim. E isso… isso é um tipo de poder silencioso, daqueles que não fazem barulho, mas reorganizam tudo por dentro.
Eu escrevi demais. Meu Deus, como eu escrevi. Parecia que cada palavra era uma tentativa desesperada de dar forma ao que eu sentia, como se organizar frases fosse o mesmo que organizar o coração. E eu chorei… chorei como quem rega um jardim que já não tinha mais raiz viva. E sonhei então, nem se fala. Sonhei tanto que, se sonho pagasse aluguel, eu já teria uma mansão emocional mobiliada com expectativas irreais. Só que eu sonhava sozinha. E essa é a parte que a gente demora para admitir, porque dói menos romantizar do que reconhecer a solidão dentro de algo que a gente chamou de amor.
E no meio desse excesso de tudo, eu fui me perdendo de mim. Porque quando a gente ama demais sem retorno, existe um risco silencioso e perigoso de se diminuir para caber. De negociar limites, de aceitar migalhas com cara de banquete, de se tornar… menor. E eu sei, com uma clareza que só vem depois, que eu não caberia ali. Não porque eu não fosse suficiente, mas porque aquele espaço nunca foi feito para me receber inteira. E quando a gente tenta se encaixar onde não cabe, a gente se dobra. E se dobra de novo. Até quase desaparecer.
E aí veio a escolha mais difícil e mais libertadora: escrever tudo e enviar. Não guardar, não suavizar, não transformar em poesia bonita para consumo próprio. Entregar. Colocar para fora, como quem finalmente solta uma mala pesada depois de uma viagem longa demais. E a resposta… ah, a resposta. Ela não foi mágica, não foi romântica, não foi aquilo que uma versão antiga de mim esperaria. Mas foi exatamente o que eu precisava no agora.
Porque ela encerrou.
E às vezes, o maior ato de amor que alguém pode nos dar é justamente mostrar que importamos e que nos considera especial. Porque apesar de nada mais existir entre ambos, existe o respeito pelo que foi vivido.
Foi ali que a serenidade começou a nascer. Não aquela alegria explosiva, mas uma paz mais quieta, mais madura. Uma dor diferente. Uma dor que não fere, mas ensina. Que não prende, mas organiza. Eu consegui olhar para tudo que vivi e reconhecer: foi pouco, foi breve, foi quase nada… mas dentro de mim virou tanto. E isso não me faz fraca. Me faz humana.
Eu inventei versões, criei histórias, ampliei gestos. Transformei fragmentos em universos inteiros. E tudo bem. Aquela era a minha forma de sentir, de tentar dar sentido. Mas hoje eu não preciso mais sustentar essas narrativas. Eu posso guardar tudo isso como se guarda uma relíquia antiga: com respeito, com cuidado… mas sem uso.
Essa ideia de almas que talvez não tenham se encontrado no tempo certo é bonita, eu admito. Tem um charme quase poético pensar que em outra vida poderia ter sido diferente. Mas a maturidade chega e sussurra uma verdade simples: é nesta vida que importa. É no agora. E o agora não tem espaço para fantasmas bem alimentados.
Então eu guardo. Coloco tudo naquele baú empoeirado, lá no fundo, naquele porão interno onde ficam as coisas que já foram importantes, mas não são mais necessárias. Não jogo fora, porque fez parte de mim. Mas também não deixo na sala, ocupando espaço, interrompendo o presente.
Porque o presente… ele exige presença. E eu tenho alguém ao meu lado agora. Uma história real, construída, imperfeita e viva. E talvez o maior aprendizado de todos seja esse: amar de novo, não como quem repete, mas como quem evolui. Amar com mais consciência, com mais limites, com mais verdade.
No fim, se libertar nunca foi sobre o outro. Nunca foi sobre fazer alguém entender, mudar, voltar ou sentir. Foi sobre eu parar de me prender. Foi sobre escolher não continuar sentindo algo que já não tinha para onde crescer.
E essa escolha… ela muda tudo.
Se você ainda está aí, segurando algo que já acabou, eu te entendo. Mas chega um momento em que continuar sentindo vira uma forma de não viver. E viver, minha querida, exige coragem.
Eu escolhi viver.
🎯
"Fofo com certeza seria, se você tivesse aqui do meu lado pra gente ver Netflix, comer, brincar, se amar e fazermos aquela bagunça juntos"
Topa?🥀
Se deus de fato existisse e tivesse um pingo de amor-próprio, ele processaria as igrejas por calúnia e difamação. Afinal, ninguém destruiu tanto a reputação divina quanto o fanático que usa o nome dele como combustível para incendiar a vida do próximo. A religião não é o caminho para o céu; é o muro que os odiosos construíram para dividir e controlar a sociedade.
Origem
Antes de qualquer caminho,
você já existia em mim,
como se o destino tivesse
escrito teu nome
no silêncio dos meus dias
mais vazios,
esperando o momento
certo de te revelar.
Te encontrei sem aviso,
sem roteiro, sem preparo,
e ainda assim tudo fez sentido
no instante em que teus olhos
me tocaram,
como se o mundo inteiro
tivesse girado só pra nos alinhar,
como se amar você fosse
a minha verdadeira origem.
E desde então, cada passo que
dou carrega um pouco de nós,
porque não importa onde
a vida me leve,
é em você que começo,
é em você que retorno,
como quem finalmente encontrou
de onde veio e onde quer ficar.
"Ah o amor...!
- Amar é a gente perdoar o imperdoável e seguir amando como se nada tivesse acontecido..."
Haredita Angel
20.02.24
"Ah, se o tempo tivesse mãe...
Com certeza não correria tanto.
Piedoso se importaria com a dor
que causa a saudade, pois ele também seria castigado!"
Haredita Angel
13.05.25
Você tentou esconder os fatos. Seguiu a sua vida como se nada tivesse acontecido. Não apenas se livrou da culpa e da responsabilidade das suas próprias atitudes, como conseguiu culpar outras pessoas.
Mas você sabe qual é a verdade - e ela sempre irá atormentar você.
Os seus pensamentos não poderão te poupar da dor e da culpa que irá sentir pelo resto da vida.
Uma cidade tão tranquila e pequena - é como se o tempo não tivesse passado por aqui. Poucas coisas mudaram desde que eu resolvi voar e segui por novos caminhos. Voltar para cá mexe tanto com as minhas emoções, de uma forma positiva, mas também, muito nostálgica e cheia de saudades de todos os momentos que vivi e das pessoas que esse lugarzinho me deu o privilégio de conhecer. Fico pensando como teria sido a minha vida se eu tivesse continuado por aqui. Depois de muitos anos, finalmente me encontrei em outras terras. Mas isso não quer dizer que eu não sinta muito amor pela minha cidade natal. Que esse lugar continue sendo calmo, abençoado e que da próxima vez que eu vier para cá, eu possa sentir novamente que o tempo não passou por aqui.
Se o mundo não tivesse dado voz aos idiotas a pretexto de descobri-los, talvez não veríamos tantos inteligentes flertando com a estupidez.
Sem o avanço exponencial do fanatismo velado, talvez a instrumentalização religiosa não tivesse tanto palco nem tanta plateia.
