Se ela quer Voar a porque tem Asas
Quando a ausência passa a ser o último vestígio do amor que um dia floresceu, ela se torna tanto dor quanto memória viva. A falta carrega em si um paradoxo: é prova de que houve amor, mas também seu fantasma, rondando cada pensamento e cada gesto. Nesse espaço onde o amor deixou de existir em presença, a ausência ocupa o trono, governando seu coração com lembranças e saudades.
Mas a ausência não é apenas vazio: ela nos convida a revisitar o que fomos juntos, a valorizar o que aprendemos e a questionar o que ainda podemos ser. Se a falta é tudo o que resta, talvez ela seja também o ponto de partida para reconstruir-se, para sonhar outras formas de amar, outra forma de ser amado. Porque, no fim, é justamente na saudade que guardamos o maior tesouro: a prova concreta de que fomos capazes de amar de verdade.
Assim, mesmo que a falta pareça reinar absoluta, ela pode nos sussurrar lembranças que acendem a esperança. O amor, mesmo ausente, continua vivo enquanto houver memória, enquanto houver o desejo de reencontrar-se – seja em quem fomos, seja em quem podemos vir a ser.
Religião não ensina moralidade, ela propaga o medo da punição eterna, religiosos não amam a deus, na verdade, apenas tem medo de um monstro imaginário.
TUA VOZ
A tua voz acostumei-me,
Quando ela em meu peito era anuncio.
Feito presságio da noite desperta,
Por sobre o tempo reverberado.
Não aprendi pouco em teu olhar.
Fitei a luz e murmurei a sombra,
Para fazer-me, num só instante,
Andante aprendiz em tua estada.
"A magia não invade — ela espera. E só se revela quando você se rende ao toque que desfaz as barreiras entre o que se é e o que se teme ser."
Nossa mente é uma artesã de labirintos. Ela borda justificativas douradas para nos manter exatamente onde estamos, mesmo quando cada fibra do nosso ser sussurra: Isso aqui já não é morada. É disfarce.
Há uma angústia que veste a máscara da prudência. Aquela voz que diz "Espere o momento certo", enquanto sabota todas as oportunidades. Mas o desconforto carrega um segredo — ele aponta para o norte da alma.
A maior armadilha não é o medo de mudar. É o pavor sagrado de descobrir quem poderíamos nos tornar se ousássemos escutar aquilo que já sabemos, mas evitamos nomear.
A MENINA QUE AMAVA DEMAIS (E VOLTOU A ARDER)
Ela nunca precisou de muito para sentir tudo.
Uma música já bastava para transbordar.
Um olhar já a atravessava inteira.
Um toque e o coração dela escrevia romances inteiros que o outro nem imaginava ter começado.
Até os 20 anos, ela era puro vulcão.
Ria com o corpo todo.
Amava como quem respira.
Chorava só por ver beleza demais onde ninguém via.
E por amar tanto… viveu sendo chamada de exagerada.
Intensa demais.
Sensível demais.
Tola, até.
Então ela congelou.
Não por escolha, mas por defesa.
A partir dos 22, a erupção virou pedra.
O riso virou silêncio.
O amor, contenção.
As pessoas passaram a chamá-la de fria, distante, calculada.
Mas ela não era fria. Era só uma alma ardente que o mundo não soube acolher.
E então, por anos, viveu escondida sob a própria pele.
Hoje, ela voltou.
Não com a mesma fúria dos 20.
Mas com a sabedoria de quem sabe:
Ser intensa não é ser demais.
É ser inteira.
Ela não tenta mais caber.
Ela se honra.
Ela dorme cedo, acorda com a aurora, faz do silêncio um templo.
Não grita mais para ser ouvida — ela sussurra, e o universo escuta.
Porque entendeu que ser intensidade não é erro.
É só amor demais num mundo ainda aprendendo a amar.
Aqueles olhos brilhantes e sonhadores
só desejavam poesia,
ela permanecia fascinada
coletando cores perfumadas das palavras,
ela conseguia respirar o eflúvio
dos contos poéticos
como se eles fossem
os sabores e aromas
de todas as estações.
Ela vivia acariciando o perfume de todas as estações
se inebriava com suas sinfonias poéticas
e serenamente suspirava versos e contos
em um piscar de cílios.
A religião (seja ela qual for) se torna algo improdutivo na melhora/elevação do ser quando essa não tem como base de sustentamento a boa índole e o caráter positivo do indivíduo.
Talvez seja
por que todos
os meus passos
me levam até Ela.
"- Ela quem?",
perguntou o Tempo.
- Quem, senão ela?!
A Poesia!
✍©️ @MiriamDaCosta
( Trecho de "Diálogos poéticos")
Perguntei a História da humanidade
onde ficaria Auschwitz...
Ela
incrédula e com os olhos marejados
apontou para a Faixa de Gaza...
Disse-me que a dor dilacerante
o sabor da fome
e o fedor da morte
mudaram de endereço
mas carregam o mesmo nome
extermínio...
E que os gritos
sufocados
pelas ruínas e pelo medo
seguem ecoando
no mesmo idioma
da barbárie...
✍©️@MiriamDaCosta
"Vontade"
Quero render-me a alma, quero ela nua
Rasgar minha pele, esfolar o frio
Queimar a vontade de esconder na lua
Escalar uma cachoeira, pular num rio
Quero entrar na escuridão gritando a todo vapor
Como se nada significasse o eco da minha voz
O prazer já é o mesmo, achar conforto na dor
Apenas lágrimas e chuvas derramam sobre nós
Passarei pelas portas de minha única mente
Tentarei entender o tempo, salvar minha alma
Escolher entre o céu e o inferno novamente
Estar gelado no estado onde nada me conforta
Escutar-me calar e até suportar minha depressão
Possa ser que eu esteja certo sobre o incerto
Uma angústia insensata que corrói meu coração
Eu só quero mesmo, é te abraçar de perto.
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