Se ela quer Voar a porque tem Asas

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Quando perco a esperança
Minto pra mim mesmo
e dentro desse engano
Faço de conta que ela vai voltar
No tempo da primavera
O vento me arrasta, o Mundo gira
a vida dança e o tempo me alcança
Tento dar uma guinada
Quando vejo
Estou novamente rumando
Exatamente na direção errada
Sem ter o que fazer
Não faço nada
E também não me entrego
Parece que tem dias
Em que vivo somente um voo cego
E quando ele termina
Eu cheguei à uma noite vazia
Mais uma
Me entrego então a ela
Pois em meus sonhos
Ali existe, sim
Uma esperança, ainda que pequena
De poder olhar a tua cara, tão bela!
As pessoas vão passando
Não é esta e nem aquela
Quem dera, esta noite
talvez eu tivesse a sorte
de olhar novamente as estrelas
e finalmente; por um momento
Poder ver a você
e somente você
Linda como a luz da primavera

Inserida por edsonricardopaiva

Chove belamente
Intensamente ela se espalha
Faz estrondoso ruído
No Céu e nas telhas
Congestiona as calhas
Barulho gostoso de ouvir
Quando a gente está em casa.
Se janelas são abertas
As cortinas vem ao teto
Mesmo à meia-folha
Não páram quietas
Chove belamente
E eu peço que caia mais
Uma chuva daquelas
Que apesar do Sol
Despeja gotas transversais
e outras retas.
Chuvas assim
Caem somente
Em quintais de poetas
Ou será que somente eles
Assim as veem?

Inserida por edsonricardopaiva

Criei por ela
Um Oceano de Estrelas
Em um plano mais profundo
Tentei fazer pra ela
Todo dia
As mais belas poesias
Já escritas neste mundo
Fiz projeto de Palácio
Com vitrais até o teto
e férias no paraíso
Autorizadas
Pelo Próprio
Arquiteto do Universo
Escrevi num livro meus versos
Tudo isso, pra conquistá-la
Mas meus planos malograram
Pois, quando a vi
Perdi a fala.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Meu amor por ela
é amor assim
Parece que nem existe
Parece de folhetim
Amor de não pedir nada
Dormir na calçada
Implorando a Deus que chova
E estar de longe, olhando
Na esperança que ela
Apareça
Nem que seja somente
Pra fechar a janela
e nem me veja
Amor de ficar feliz
Se a vir de longe e de relance
por saber que passou por ali
Amor de guardar a pedra
de algum chão que ela pisou
Não é um amor de dormir abraçado
É amor de ficar acordado
e velar pelo sono,
Não é nenhum amor de verão
É amor de cuidar no inverno
e talvez, um dia, quem sabe
Estar junto no outono da velhice
Ser amor pelo resto da vida
Aceitando as esquisitices
Todas elas serão bem vindas
Meu amor é amor de querer
Ir à frente
Abrindo as portas pra ela
e levar café na cama
Meu amor
é amor de quem ama
e não troca por outra mulher
de qualquer outra qualidade
idade, nacionalidade
ou crença
Meu amor:
O amor que eu sinto pela Senhora
É amor de ir, se acaso
Mandar-me embora
E chorar escondido
Amor de se desdobrar
Pra atender qualquer pedido
E sentir-se perdido
Enquanto distante
É muito maior que a Senhora pensa
é um amor que nunca viste
Amor que nem sabes que existe
É amor que ninguém nunca viu
E ele é seu.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Nobre formiga
Muito cedo eu me acordei
E dei de cara com ela
Em sua eterna labuta
Inutil briga perdida
Por vida
Que não lhe pertence
Não liga pra quem a perde
e tampouco também lhe importa
Quem vence
Só luta
Tal modo, tão desprendida
Quão desprovida de nada
Que quase que me convence
a tentar imitá-la
Pobre cigarra
Se agarra a um sopro de vida
No galho da rama amarga
Vida afora se lastima
Em formato de canção
Pequena oração que não rima
E às vezes se cala
Até secar-lhe o coração
Pouco lhe importa
Quem colhe...ou quem planta
Só canta sua curta existência
Pra depois quedar, desarvorada
Acercada ao meu quintal
Onde a pequena rosa
Não tece e nem fia
desafia o mundo e a sua lógica
Num trágico colorido
Que aflora, monocromático
E de forma um tanto imprecisa
Quando é manhã
Meu triste olhar ela alisa
Prepara-me as vistas
Pr'outro longo dia
Sorumbático e sem conquistas
Tanto faz se as tive ou não tive
No tempo, hoje automático
Por pouco que não me contive
A tentar procurá-la
Num lugar onde não se a encontra
Nada se parte, nada se fica
Se possível, um tanto assim de arte
Não me importa se ela é ruim
Fraco sopro de vida que assim corre em mim
Um dia ainda há de ser boa
Enfim, sei que hoje é outro dia
de vida a viver-se à toa.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Um dia a água corre
Noutro dia ela evapora
Ela chove
E quando ela chove,
Molha o mundo
Agora, molhado
O mundo olha a vida
Desconfiado de que o mundo morre
E percebe que morre
Quando isso acontece
O mais profundo sentimento
Que ao mundo ocorre
É que a vida é momento
E que é preciso viver a vida
Só isso
Voltas inteiras
Volta e meia, morre o mundo
Morreu de palavras pequenas
Água, vapor, ambição, chuva, mundo
Hora, tempo, dor, segundos
Vosso, nosso, teu e meu
Poeira de vida apenas
Sem motivo ou inspiração
Inexiste ação divina
A passar pelo prisma
São só coisas da vida, aos olhares do mundo
Uma coisa triste, embora viva
Mundano, infecundo, molhado,
Imensamente pequeno e perdido
Por vezes, iluminado
Mas somente o lado sem luz
E depois o mundo morre
Morto o mundo
E a gente, para o Universo
É morta a poesia
Pára
Evapora
Eram só versos mundanos
Sem causa divina
Nada muda
E depois de apenas uma pausa
Lá se vai a vida
E depois de apenas uma vida
Lá se foi a causa
Tão bonita e tão plena ela era
...enquanto era escrita.
E nem lida ela foi.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

"Quando uma lâmpada se queima, no momento em que ela se queima, emite uma grande luminosidade: aquilo é prenúncio de escuridão.
Quando uma estrela se apaga, antes de se apagar, ela vai emitir muita luz e calor, a ponto de incinerar tudo que estiver ao redor : aquilo é somente o prenúncio da escuridão."

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

"A vida está pela janela
sobe pra respirar
Luta por ela"

Inserida por edsonricardopaiva

Eu conheço uma estrada
Que um dia
Ela foi aberta
Perto de lugar nenhum
Lá no meio do nada
Com o tempo vieram ruas
Chegaram pessoas
Criaram boas e más verdades
Plantaram absurdos...calamidades
Era vida que seguia
A cada dia mais gritante
Galáctica, estratosférica
e emudecida
Nada que lembrasse como era antes
Enquanto isso
Nos limites da cidade
O mato crescia ...crescia
Até hoje continua
Desde que Deus criou o mato
Ele cresce e cresceu de fato
E todo dia um pouco mais
e mais e mais e continua
E mesmo assim
Ele nunca, nem sequer
Jamais chegou perto da Lua

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

"A folha não escolhe cair
Mas, se escolhe ser folha, ela cai"

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

"A verdade é um gás rarefeito
Ela explode, quando se acumula"

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Toda ela feita só de tempo
Do tempo que transforma a pedra em pó
A vida, ela é composta de momentos
Alegrias, risos e lembranças
Lembranças, como as cartas de um baralho
Confusas, imprecisas
Um par de olhos indecisos
Há sempre um par de olhos
Diferentes da poética cegueira
Diferentes da cegueira
Diferentes da poesia
Um par de olhos céticos
Diante da eternidade
Dessa eterna alternância dos dias
Um par de olhos que se vê no céu
Na escuridão, na solidão da madrugada
Que nos vê quando não podem ser vistos
E que a gente os vê, se não nos vêem
A vida é toda feita de momentos
E um par de olhos, que ela sempre tem.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Bela era ela
Poesia entre acordes
Beleza que se beija
Mordida que se deseja
Ela morde
Espinho que ardia
Que ardia atrasado
Era dor que era viva
Como são vivas as saudades
Como eram vivas
As árvores em cujas sombras
De mãos sujas estávamos
Todo dia, na hora do almoço
Onde a gente semeava
Sementes de sonhos
Que permaneciam
Aguardando que lágrimas de tempo
Viessem regá-las
E era vida e morria
Mas ficaram chaves escondidas
Em meio a frases sem sentido
Que nos vem nas falas, nos acertam
Nos momentos em que a alma
Te parece que deseja desertar
Bela era ela
Beleza que deseja ter por perto
Como belo é o olhar
Quando a gente só quer ver
Sem medo de perder
Nem prender e nem tocar
Assim que nos pertence
Por ter conquistado
Pois o tempo vence a quase tudo
No silêncio que se escuta
O poder que se oculta
Temeroso aliado
Que luta em favor do outro lado
É assim que nos parece
Vida à toa
Alegria que dói
Dor da boa
Amor que faz sentido
Bela era ela
Poesia que transforma a gente
Em ser pensante
No momento em que descobre
O fruto da vivência
O ser vivente
Que devia sempre ter sido.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠A vida era
Toda ela, um vaso de alabrastro
Um prazo que não venceria
O Sol na chuva, era alegria
Era a felicidade, a verdade sobre a mesa
Um astro de primeira grandeza
Era harmonia
Comedida em seus excessos
Ah, essa era a vida, ela excedia
Não era, ela não era não
Era uma mão que se escondia
Oculta com propriedade
Tangia as cordas da vida
De modo tão perfeito
A justa forma ela imitava
A gente se iludia tão perfeitamente
O vento leve, o tempo breve
O espelho que não se mostrava
Era a vida uma centelha
Um prazo que nos vencia
Ele venceu
Essa era a vida
Este sou eu.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Alma Nua.

Cuida bem da vida
Antes, saiba o que ela é
Essa coisa doida
Pois a gente não recorda nunca
Quando ela começa
Pois a gente raramente sabe
Como ela termina
Normalmente é na rotina
Armadilha bem posicionada
Entre excessos e exceções
Portanto, cuida bem dos passos
Não há e nunca haverão palavras
Que não poderão ser ditas
Cuida bem da fé
Há um instante certo pra dizê-las
Nunca antes da hora
Nem depois que ela passou
O momento de calar-se
Chega a ser mais importante até
Deixa estar
Saiba, que em algum lugar
Há sempre alguém te observando
Não importa sua cara no espelho
Seu brinquedo novo ou velho
Nem seu ímpeto ou seu medo
Cuidado com teu ser recôndito
Pouco importa
A distância que te separa
de onde diz querer chegar
Saiba, que existe alguém
Observando teu coração agora
E sabe onde você queria estar
Não é o que faz ou que sabe ou o que tem
Nem pra onde teu dedo aponta
O importante não é o que o mundo vê
Nunca foi a opinião de ninguém
Conta muito mais quem você é.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Conselhos.

Ela existe
Sim, elas existem
Me lembro de uma velha tia
Que, de vez em quando, me dizia
Me dizia pra eu tomar cuidado
Dizia pra eu olhar pra dentro e não pros lados
Eu jamais dava atenção
Eram coisas sem sentido
Eu estava era atento ao barulho
As palavras dela eram ruídos
Mas, de vez em quando, eu percebia
Que seus olhos eram tristes
Hoje, após ter engolido todo orgulho
Penso que era tão bom
Quando ela dizia
Que as sombras que eu tanto temia, era só medo à tôa
As armadilhas do destino
São como coisas que estão à venda
Expostas à beira da estrada
Hoje, tudo faz sentido
Eu devia ter ouvido esses conselhos tolos
Se alguma sombra me causava medo
É que existia uma pequena luz
Que protegia a gente da completa escuridão
Hoje, ao olhar-me no espelho
Não vejo mais a sombra do meu velho orgulho
Prossigo com a boba alegria
Sorrir pra nuvens, dar bom dia a dia
Saber as coisas que a chuva traz
Ouvir meu silêncio em mim
E confiar em tudo que o tempo faz
Elas existem, sei que elas existem
E, se por acaso houver
Um pouco de tristeza em meu olhar
Vá dizer à minha tia assim:
Eu também aprendi
Esse bem pouco é
Tudo que a tristeza conseguiu de mim.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠É tudo ilusão.

Tristeza
Seja ela qual for
É como as nuvens do céu
Pássaros em revoada
As estações
Uma alegria que se foi
Quando ela vai
Manhãs, felizes por amanhecer
Entardeceres lilases
Chegando ao ponto de esquecer
Num mero instante eles se dissiparam
A despertar de um sonho
A vida segue adiante
No tropel da cavalgada
Existência, uma quimera
Camada por camada
Ela foi sendo desfolhada
De cinzel na mão
Seguimos sós, pungindo a vida
Éramos nós, sem tomar tento
Vazando pela tangente
Não há cuidado e nem talento
Ferro quente em fogo brando
Lá se vão no vento os dias
Eu fico me dizendo
Creio que não foi perdida
A vida, o bom da vida
Vejo que, em contrapartida
Pode ser, ter sido a vida a ter perdido
O que havia de melhor em mim
Não existem grandezas
Tudo é fantasia
Tristeza
Seja ela qual for
É como as águas de um rio
A canção perdida nos ares
Melodia esquecida, que tanto sentido fazia
Noutros dias
O vento por entre as folhas
Tudo se vai na ilusão
Como cada um que vai
Moldando a própria vida
Cada forma escolhida
Tristeza, seja ela qual for
É somente uma grande alegria
Que foi tomando forma
A cada investida
Nada fica
O que existe em nossas mãos
Martelo e cinzel
É só o tempo presente
Nunca ouvi da voz da vida
Que havia urgência ou precisão
E, mesmo ela sendo ilusão
Eu procuro estar atento à direção.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Folhas Vivas.

Eu morava em frente
Uma árvore, enquanto ela crescia
Não sei como ela nasceu
Se mãos ou natureza
Simplesmente estava ali
E tinha uma criança
Que tirava folhas e depois me dava
Qual fosse o seu presente pra eu guardar
A árvore crescia
E tinha uma criança
Que, qual flor, desabrochava
As folhas ressecavam
Tanto aquelas, que permaneciam
Quanto aquelas, que a criança
Com sorriso e cortesia
Me ofertava, rindo de alegria
Sem saber que o tempo é indiferente
Às folhas e à gente.
A árvore cresceu
A criança, um dia se esqueceu de me dar folhas
Outras folhas renasceram, ressecaram
Num ciclo interminável
As folhas arrancadas que guardei
Hoje achei-as
Mortas, ressequidas
Mas à árvore, elas não dizem nada
À criança, não significam nada
Ao tempo não são nada
Só pra mim são belezas guardadas
Tudo volta a vida
Tudo morre um pouco, todo dia
Em quem mais morreu fui eu.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠A flor.

Ficava ali, no chão do caminho
E todo dia eu passava por ela
Era apenas uma flor, sem cor definida
Entre outras tantas
Não sei dizer quantas
Pode ser, fossem centenas
E eu também era criança, igual a ela
Entre outras muitas, iguais a mim
Num mundo de tantas coisas sempre iguais
A simplicidade as faz diferentes
Não sei por quê
Meus olhos se acostumaram
Olhar pra ela, exatamente
Passado o tempo, é como estar ciente
De quanto a fantasia não se distancia do concreto
De fato, não tinhamos procurado
O ângulo correto para olhar
Mas tudo tem seu lugar
Precisamos encontrar o nosso:
Em muitos casos, que não seja perto
Creio que em tudo na vida
A gente continua sendo sempre assim
Uma casa com jardim, numa grande avenida
Um momento que parece assim; desimportante
Que se repete momentaneamente
Ao longo de toda uma jornada
Que, ao final, se tornará também desconhecida
Uma simples coisa, entre outras tantas
Algum caminho do passado
Onde ninguém jamais voltou
Nem voltará
Nenhum agosto e nem setembro serão eternos
Hoje, olhando esses momentos à distância
Compreendo perene, a inconstância
Mas, alguma coisa permanece
Ali, parada no chão do caminho
Como simples lembrança
A ser replantada, com o carinho da imaginação
Talvez, tornar de alguma forma
Um tantinho assim, mais leve
O caminho, a jornada
Que, ao final terá sido
Breve como flor.
Pode ser que o Criador
Com o amor de quem se recorda, nos replante
Num jardim gigante, onde seja permitido
A criança sair da fila, a caminho da sala de aula
E sentar-se à borda do jardim, pra dizer àquela flor
Que, pra mim, ela era importante
e seria pra sempre lembrada.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Há momentos em que a luz é lenta
tão morosa que inércia ela aparenta
especialmente quando comparada
à instantaneidade com que sua imagem
se apresenta em minha mente
sempre que o destino
impiedoso e insolente
faz lembrar a existência
da palavra saudade
palavra que ele traz só de maldade
e existem dias em que o vento
não tem força suficiente
se comparado àquela brisa
que soprou suavemente
levando embora
o meu amor da juventude
não vendo a bem valia
do amor que aqui dentro vivia
existem horas em que sou você
há dias que sou nós
há séculos eu sou um só
sozinho eu não sou eu
eu sou apenas alguém vivo
abrigando um coração
que já morreu

Inserida por edsonricardopaiva