Saudades do seu Corpo
Você é como o vento.
Corrente de ar
que prende meu corpo
sob seu domínio
e me faz seguir a vida
perante suas condições,
perante a mínima liberdade
que meu sentimento
por você me concede,
quase que com pena
de minha existência
ser toda concentrada
em fazer você fluir.
Continuo dizendo
que você é como o vento,
pois nos dias frios,
você me traz a frieza.
Congela meus membros
com a indiferença
e me traz arrepios
todas as vezes que
toca meu corpo.
Meus cobertores
são inúteis,
pois já não seguram
a sua força
quando você me abate
parecendo um simples
animal de caça.
Vem sem piedade,
sem pensar em mim,
não importa
se eu estou preparado.
Tanto faz,
com camiseta,
casaco,
apaixonado,
racional...
Você explode
forte em minha pele
e seu impacto
quase me congela.
É como o vento, também,
nos dias quentes,
e me parece que nesses,
você é a melhor.
Além de aliviar
meu corpo
e derramar meu suor,
você vem abafada,
e quente como o dia,
me envolvendo
em carícias arrepiantes
dos pés à cabeça,
e eu,
desejando cada vez mais
de você a minha volta,
não me importo
se sua direção
me guia ao precipício.
O que importa
é que você
me alivia nesses dias,
e faz os dias frios
serem suportáveis
por esse motivo:
pela esperança
de um dia de calor.
Como o vento
você se assemelha
no que diz respeito
aos dias úmidos.
Tristes são esses dias,
pois antes da chuva,
você traz aquele pressentimento,
o cheiro de terra molhada
que profecia as lágrimas
que rolam por meus olhos
como nuvens condensadas.
Inundo as ruas
da minha alma
a ponto de não conseguir
nadar por elas,
e deixo me levar
pelo rio de lágrimas
que você me trás,
mas que sou eu que faço,
quero ser levado.
Eu que faço, sim,
pois você não tem culpa
de ser o vento
em minha vida,
e eu que deveria
criar barragens
para não sentir
seu contato em mim,
porém a própria esperança
e o forte desejo
dos dias quentes
não me deixa querer
parar de te sentir.
E por último, você,
como todo bom vento
é formado de ar.
E ar é tudo
o que respiro
e que toma conta
dos meus pulmões.
Sem respirar,
eu morro.
Sem você,
minha essência se perde,
e tenho de criar outra,
de preferência uma
que o vento da minha vida
seja eu mesmo.
Feliz Dia das Mães
Ser mãe é se doar de corpo, alma e coração,
Ser mãe é esquecer de ser feliz para fazer alguém feliz,
Ser mãe é carregar seu sonho nos braços e desejar nunca mais acordar,
Ser mãe é sentir a plenitude da vida em suas mãos.
Ser mãe é ser infinitamente feliz!
Ser mãe é se sentir plena e absoluta!
Sou dona de mim,
Dona das minhas razões,
Dona das minhas emoções,
Sou dona do meu corpo,
Dona dos meus anseios,
Sou dona dos meus desejos,
Desejos que me fazem sentir plena,
mesmo quando sozinha estou.
Sou dona do meu caminhar,
que me guia por caminhos que eu mesma traço, quando deixo o destino me levar.
Veste-se de liberdade de corpo, alma e espírito.
Veste-se de alegria que contagia e ilumina tua alma de MULHER.
Na condição em que o corpo e a alma se encontram manchados, revela-se a corrupção intrínseca. Contudo, quando o corpo se apresenta limpo e a alma se mostra turva, essa dicotomia torna-se maldita.
Esqueci
Eu finalmente esqueci
Esqueci seu rosto lindo
Sua voz doce
Seu corpo perfeito
Seu cabelo sedoso
Suas mãos pequenas
Suas unhas pintadas
Seus pés fofos
Suas coxas grandes
Seu nariz pontudo
Seus lábios carnudos
Seu beijo alegre
Seus olhos felizes
Suas roupas lindas
Seu vestido favorito
Seu jeito cativante
Sua presença formidável
Esqueci você.
Solidão não é viver solitário, é sempre entender que um corpo sempre estará ao lado de algo com o qual nunca se fundirá. Solidão não é solidez nem é artificial. É um distante, vasto e vago sobrenatural multidimensional.
"O frio do corpo se desfaz com um bom agasalho, mas o frio da alma, provocado pela humilhação de um preconceituoso, é difícil de aquecer, porque não há tecido que proteja contra a dor do desprezo.
Estar com você não é certo. Mas é disso que a minha alma, meu corpo e o meu coração quer. Então... Amanhã, sei que não estarei arrependida.
Quero sentir a textura do teu corpo na minha boca, a tua pele em branco e minha mão escorrer por ela, cheia de cor e vida
“O envelhecimento do corpo não impede a juventude da mente. Mas uma alma envelhecida pode obscurecer até os corações mais jovens.”
IV. Quando o corpo tateia e a alma enxerga
Há momentos em que os olhos nada veem. O mundo parece apagado, a esperança, adormecida, e cada passo se torna um gesto de fé. É nesses instantes que o corpo tateia, mas é a alma quem enxerga. A luz que conhecíamos se apaga, e outra, mais tênue e interior, começa a brilhar no que parecia ruína.
A visão sensível não se faz pela retina, mas pela escuta do ser. Enquanto a claridade nos permite perceber o outro, é na escuridão que finalmente percebemos a nós mesmos. O silêncio se adensa. As certezas escorrem pelas frestas. E tudo aquilo que julgávamos possuir, controle, sentido, direção, revela-se areia entre os dedos.
Mas não é desespero. É transformação. Como o casulo escuro onde a lagarta, sem saber o que virá, dissolve o que era para que algo possa nascer. Como a noite do deserto, onde nenhuma estrela aparece, e ainda assim o viajante segue, guiado por uma memória que não é racional, mas ancestral.
A alma, ao atravessar o escuro, descobre que a luz não é destino, é consequência. Ela não é buscada, mas acesa, no ritmo do amadurecer invisível. E quanto mais o mundo apaga seus refletores, mais a centelha silenciosa ganha força dentro de nós.
“Recolho-me sem culpa. O corpo repousa, a alma respira. Que o amanhã me aguarde. Hoje sou silêncio e descanso.”
”Entre a existência vazia e a morte real, talvez a mais cruel seja aquela que mantém o corpo e silencia a alma.”
Quando meu corpo perde o rumo
E a dor grita mais alto que a alma
Que Iansã leve com seus ventos
Toda a energia que não me pertence
Que Oxalá me envolva em seu branco
E silencie o ruído que pesa em mim
Que cada célula do meu corpo se lembre
De que sou feita de paz e respeito
Que Ogum corte com a sua espada
Laços e nós invisíveis que me prendem
E que Exu abra os caminhos do meu caminhar, removendo as pedras que castigam meus pés
Que Omulu, senhor das curas antigas,
toque em minha pele e nos meus ossos que doem
Que Nanã, senhora da lama, me faça renascer, pois foi do barro que eu vim
Que Oxum, que rege a doçura das águas, me ajude a enxergar todo o amor que eu possa reconhecer em mim
E que Oxóssi me dê a fartura da saúde, para que eu seja caçadora do futuro que eu sonho ter
Que Xangô me proteja de toda injustiça e tire o peso do meu espírito cansado
E que Iemanjá cuide da dor que o mundo não vê em mim, para que eu recomece,
sempre
Axé pra quem é de axé
Tainá Wolff Bomtempo
(Paciente fibromiálgica)
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