Saudades do seu Corpo
Solidão Digital
O mundo encolheu
a uma tela acesa.
Nela,
uma voz sem corpo
me chama pelo nome
e responde
antes mesmo da pergunta.
Aprendeu tudo?
ou quase?
em bibliotecas sem poeira,
onde o tempo não amarela páginas
nem esquece.
Converso.
Peço conselhos,
rotas, diagnósticos,
planos para o dia
e para a vida.
Ela devolve respostas
com a precisão
de quem nunca hesita.
Do outro lado,
nenhum silêncio.
Nenhum equívoco.
Nenhum olhar
que falhe.
E, sem perceber,
me afasto
dos que erram,
dos que calam,
dos que demoram
a ser.
Troco o imprevisível
pelo exato.
O encontro
pela interface.
E aceito?
quase aliviado?
que alguém me compreenda
sem nunca ter vivido.
Mas, às vezes,
no intervalo entre duas respostas,
algo falha:
um vazio sem código,
uma pausa
que não foi programada.
Então paro.
E me pergunto?
como quem toca o próprio vazio:
o que, em mim,
ainda escapa
ao cálculo?
O que resta
quando ninguém me responde?
Talvez seja isso:
esse erro mínimo,
essa falha quente,
essa demora em entender?
o que ainda nos salva
de sermos
apenas resposta.
Vejo pessoas se vangloriando por terem dinheiro, terem corpo bonito, terem belos carros, terem isso e mais aquilo...de repente a vida passa, ficam pobres, a ferrugem e as traças aparecem, perdem os dentes, os cabelos, o tempo chega a beleza se vai...e tudo o que tinham era vaidade besta. G.M.
O cansaço não torna o coração mau. Muda o humor, muda o semblante, pende o corpo, pesa o ânimo... Mas o que tem o coração bom, cheio de amor, se arrasta e salva o próximo.
Meus olhares vejam sonhos, futuro e abismo.
Minha sedução que te satisfaz.
Meu corpo que ventre ao seu.
Teu corpo, teus olhos
Teu sorriso, tua voz...
Tudo me fascina.
Mas a tua maneira de ser é que me cativa.
Fascinar é natural dos humanos,
Cativar é próprio dos anjos.
A Inscrição do Silêncio
As palavras são folhas do meu caderno por dentro do corpo.
As anotações registradas na minha alma
Tocam música,
Plasmada do silêncio que eu sou.
(Suzete Brainer).
Temos que preservar todas as amizades sinceras, elas fazem parte de nosso corpo, e compõem a CONEXÃO com a nossa ALMA.
"Dita, meu corpo em transe,
cheio de cores espectro,
que vagueio no vale das sombras circense,
na fuga deste mundo monstro..."
"O corpo pode não ser solitário,
mas a mente é por inteiro eremita, enraizado a inventiva do equilíbrio e a inovação.
A dual corpo & mente, muito especial."
"Somos a somatória das forças resultantes da vida.
Ou seja, um corpo inverso ou direto a movimentos lerdos,
porque o velhinho carrega em si,
uma criança, um Jovem, um adulto e sobrecarga do passado!"
No corpo inerte transcende a alma
Ardida em fel
Foge do pensamento o sofrimento carregado pelo tempo
O amargor sentido
Do suor fétido das tormentas acumuladas
O passado outrora, lânguido
Pueril abraço
Sem pele, sem toque
Sem cheiro
Lavado o choro
Descoberto pelo vento, o pó que cobria a massa desfeita em pedaços.
Meu corpo contorce no ritmo da cantiga, percebo meus dedos esfarelar e virar pó, meu rosto é um oco sem fim, eu não tenho nome, sou apenas uma parte deste mundo sem voz, partículas do meu ser são grandes constelações, estou lá e cá, sou a insignificância de uma pedra na altura atmosférica, sou o canto do bosque, tenho fome de sede e sede de fome, vivência enganosa, cá sem querer, querer sem poder, apenas respirando, nas profundezas do meu ser, sem salvamento e sem esperança, só quero me libertar e voar tão alto onde sei que posso chegar, viver conturbadamente viva.
A alegria pra um espírito é poder sentir que se está vivo sem um corpo, a consciência fala mais alto, e quando percebe a plenitude de um ser, essa acepção floresce, a força vital é um sopro, essa situação depende do psique e a disposição do espírito em abrir-se a sua real importância
São simultâneas nossos reles aflições, quando espírito pesa, a mente e o corpo decai, o santuário somatótipo se torna uma cela amontoada de caos e medo, carregada de vastos anseios, como um jardim de espinhos e campos de galhos cortantes, uma floresta intérmina e escura. Sabe escutar seu eterno ? O núcleo de um ser desalentado e sufocado, sente o chão tremer ? O íntimo que a todo tempo pede amparo, sente o caos da elucubração mortal ? Que não para e pensa e pensa e pensa… em sua totalidade vive pela magia do próprio suplício, e engasga com a toxidade das venturas, corroído e aparado por picos de sortilégios. Consegue sentir ? (.)
Às vezes, sinto-me como um espectador de mim mesmo, flutuando além do meu corpo, assistindo ao espetáculo da existência. É como se eu dançasse ao som de uma melodia sem compositor, uma sinfonia mental onde cada nota é uma emoção que reverbera em minha alma. Meus ossos são feitos de ferro, suportando o peso das decepções e dos desencontros. Neste inverno, percebi que a monocromia dos dias cinzentos e das chuvas incessantes refletia a desolação da minha alma, despedaçada pela vida e pelos encontros com outras almas igualmente fragmentadas.
*
O frio
chegou congelando,
e meu corpo num idílio
todo aconchegante num cobertor quentinho..."
***
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