Saudades de Quem Mora longe

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Devoto um segredo (somente)
Aos que conhecem o degredo
Distante de casa, e do seu mundo:
A Via Láctea é a casa dos poetas,
Dos mambembes e dos vagabundos.

Envolvo com fitas de cetim,
Faço uma rosa, um enfeite,
Para colocar no cabelo,
E lado a lado do seu cetro,
Sigo em frente...

Perpetuo um sonho (persistente)
Aos que desconhecem o inexorável
Distante dos olhos, e não do íntimo:
A poesia é capaz de aquecer a frieza
De qualquer coração autoritário...

Executo o conserto derradeiro
Do destino fora do trilho,
Caminho sobre cascas de ovos,
Levanto voo, e aterrisso eternamente.

Porque eu sou dona da minha loucura,
Se a minha poesia no firmamento fulgura,
Significa que de ti jamais sairá o anseio
De voltar para acariciar-me com ternura.

O consenso democrático não significa ausência de conflito, mas possibilidade de argumentação diante do conflito.

⁠Há pessoas que mesmo distantes têm o poder de nos levantar .

A distância entre eu e meu sonho é só a minha perspectiva.

⁠"Algumas pessoas podem parecer distantes financeiramente, mas, para Deus, elas não saíram do lugar."
Algumas pessoas podem parecer sábias, mas, Deus conhece o ego da ignorância.
Deus é dono de tudo e não precisa de nada.
Deus é eterno e eu sou passageiro.
A morte é o fim para quem passou a vida tentando ser melhor que o outro.
Na porta da espiritualidade o material não entra.
O tempo está acabando para quem não está encontrando o que Deus procura.

"A única coisa que posso fazer em um aquário é sonhar."
A distância entre meu aquário e o oceano não se alcança com asas, mas com um milagre.

"Quem está perdido e não sabe a distância a percorrer, não saberá
se a informação do estranho é sobre o caminho mais curto
ou mais longo."

"Tem que estar em movimento para ultrapassar àqueles que estão na frente e se distanciar daqueles que estão atrás."

"Nunca corra atrás daquilo que lhe distancia de Deus."

"Deus não vai lhe dar o que lhe distancia dele."

Mas o mal, vai.

“A mente cria pensamentos para explicar a existência; a consciência cria distância para enxergar os pensamentos; e a alma revela que nem a existência precisava de explicação, apenas o ego.”

Nunca houve uma geração tão informada e tão pouco consciente; tão conectada e tão distante; tão cheia de opiniões e tão carente de pensamento. O problema da humanidade nunca foi apenas não saber — foi acreditar que sabe sem jamais ter pensado.

“Não transforme a ausência de uma posição em ausência de direção. Prepare-se antes que o futuro precise de você.”

“Liberdade não é ausência de limites; é consciência da margem que ainda existe entre o limite e a resposta.”

A mente produz pensamentos. O discernimento produz distância dos pensamentos. A consciência permite enxergá-los. A escolha define quais merecem tornar-se ação. E o protagonismo nos responsabiliza por aquilo que fazemos com eles.

A ausência de si

Talvez exista uma forma de ausência que nunca percebemos.

Estamos presentes fisicamente, cumprimos compromissos, conversamos, trabalhamos, produzimos, conquistamos, respondemos mensagens e continuamos funcionando.

Mas funcionar não significa necessariamente estar presente.

Podemos comparecer a todos os lugares e ainda faltar dentro de nós mesmos.

Talvez essa seja a ausência de si.

Não é desaparecer do mundo.

É permanecer nele durante tanto tempo respondendo ao que esperam de nós que já não sabemos distinguir aquilo que fazemos por escolha daquilo que fazemos por repetição.

Existem pessoas extremamente ocupadas que talvez estejam, na verdade, ocupando-se para não se encontrarem.

Porque o silêncio produz perguntas que o barulho consegue adiar.

Quanto mais barulho fazemos do lado de fora, menos ouvimos aquilo que continua falando do lado de dentro.

Produzir pode ser realização.

Mas também pode ser fuga.

Trabalhar pode representar propósito.

Mas também pode evitar encontros internos.

Ajudar os outros pode ser generosidade.

Mas, algumas vezes, cuidar permanentemente de todos pode ser uma maneira sofisticada de nunca precisar olhar para quem cuida.

Por isso, nem toda produtividade significa evolução.

Há pessoas construindo grandes coisas enquanto silenciosamente deixam de construir a si mesmas.

Talvez tenhamos aprendido a medir demais aquilo que fazemos e muito pouco aquilo que estamos nos tornando enquanto fazemos.

Perguntamos:

Quanto produzi?

Quanto ganhei?

Quantas pessoas alcancei?

Quantas metas cumpri?

Mas raramente perguntamos:

Quem estou me tornando enquanto conquisto aquilo que desejo?

Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes do desenvolvimento humano.

Porque nenhuma conquista chega sozinha.

Toda conquista também constrói o conquistador.

Cada caminho modifica aquele que caminha.

Cada escolha repetida transforma-se gradualmente em comportamento.

Cada comportamento repetido participa da construção de uma identidade.

Por isso, talvez exista algo anterior ao sucesso.

Não basta perguntar se estamos chegando. Precisamos perguntar quem está chegando conosco.

Podemos alcançar o destino e perder partes fundamentais de nós durante o percurso.

E existe uma ironia nisso:

passamos anos tentando construir uma vida melhor para nós mesmos e podemos acabar construindo uma vida na qual já não existe espaço para nós.

Uma agenda cheia também pode esconder uma existência vazia de presença.

Talvez o contrário de vazio não seja preenchimento.

Talvez seja presença.

Porque preencher todos os espaços não significa habitar nenhum deles.

Podemos preencher a agenda, a casa, a conta bancária, o currículo, as redes sociais e até os relacionamentos e, ainda assim, permanecer ausentes da própria experiência.

Por isso proponho outra ideia:

Presença não é estar onde o corpo está. É conseguir existir conscientemente onde a vida está acontecendo.

E a vida sempre acontece agora.

Não ontem.

Não depois da próxima conquista.

Não quando tudo estiver resolvido.

Agora.

Talvez tenhamos desenvolvido uma extraordinária capacidade de registrar momentos que já não sabemos experimentar.

Fotografamos antes de observar.

Publicamos antes de sentir.

Compartilhamos antes de compreender.

Transformamos experiências em conteúdo e, algumas vezes, deixamos de transformar experiências em consciência.

Nunca registramos tanto a vida e talvez nunca tenhamos precisado tanto aprender a vivê-la sem registro.

Não se trata de rejeitar tecnologia, trabalho, ambição ou progresso.

Trata-se de impedir que os instrumentos criados para ampliar nossa existência acabem ocupando o lugar dela.

Porque existe uma diferença entre possuir ferramentas e ser conduzido por elas.

Entre utilizar o tempo e ser utilizado pelas urgências.

Entre construir reconhecimento e depender dele para reconhecer a própria existência.

Talvez liberdade não seja fazer tudo aquilo que desejamos.

Talvez exista uma liberdade ainda mais rara:

não precisar demonstrar permanentemente que estamos vivendo para conseguir sentir que nossa vida possui valor.

Quando a existência depende excessivamente do olhar externo, podemos começar a viver como espectadores de nós mesmos.

Perguntamos como parecerá antes de perguntar como será vivido.

Escolhemos aquilo que poderá ser mostrado.

Construímos uma versão publicável de nós.

E, gradativamente, podemos começar a confundir visibilidade com existência.

Mas ser visto não significa ser conhecido.

Ser conhecido não significa ser compreendido.

Ser admirado não significa estar realizado.

E ser seguido por milhares não impede alguém de ter perdido o caminho para dentro de si.

Visibilidade é quando muitos conseguem nos encontrar. Presença é quando ainda conseguimos encontrar a nós mesmos.

Talvez essa distinção se torne cada vez mais necessária.

Porque o mundo continuará disputando nossa atenção.

Empresas querem nossa atenção.

Redes querem nossa atenção.

Pessoas querem nossa atenção.

Problemas querem nossa atenção.

Objetivos querem nossa atenção.

Mas existe uma pergunta anterior:

quanto da nossa própria atenção ainda permanece disponível para nós?

Aquilo para o qual entregamos repetidamente nossa atenção participa silenciosamente da construção da nossa consciência.

Talvez, portanto, atenção seja muito mais do que concentração.

A atenção é uma forma silenciosa de autoria: aquilo que escolhemos observar começa, pouco a pouco, a participar daquilo que nos tornamos.

Se entregarmos nossa atenção apenas ao barulho, o barulho passará a habitar nosso interior.

Se entregarmos nossa existência apenas às urgências, poderemos passar uma vida inteira resolvendo aquilo que precisava ser feito sem descobrir aquilo que precisava ser vivido.

Talvez o verdadeiro desenvolvimento não consista somente em acrescentar competências.

Talvez também exija recuperar presença.

Voltar a habitar as próprias escolhas.

Voltar a escutar as próprias perguntas.

Voltar a perceber aquilo que sentimos antes de explicar aquilo que sentimos.

Voltar a existir antes de representar que existimos.

Chamo isso de presença consciente:

a capacidade de participar da própria existência enquanto ela acontece.

Porque talvez exista uma tragédia maior do que perder alguma coisa durante a vida.

É chegar ao final e perceber que estivemos presentes em quase todos os acontecimentos, mas ausentes de nós mesmos enquanto eles aconteciam.

Não permita que sua existência se transforme apenas em evidência de que você existiu.

Esteja nela.

Porque uma vida pode ser longa em anos, enorme em realizações e repleta de acontecimentos…

e ainda assim ter sido pouco habitada.

A maior distância que alguém pode percorrer talvez seja aquela que, sem sair do lugar, o afasta de si mesmo.

E talvez uma das maiores conquistas humanas seja exatamente o caminho contrário:

voltar a estar presente na própria existência.

Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026

“Discernimento é a capacidade de criar uma distância entre aquilo que pensamos e aquilo que decidimos continuar pensando.”

A distância entre pensar e acreditar

Discernimento é a capacidade de criar uma distância entre aquilo que pensamos e aquilo que decidimos continuar pensando.

Porque pensar alguma coisa não significa que aquilo seja verdade.

Pensamentos surgem de experiências, medos, desejos, lembranças, crenças, condicionamentos e interpretações. Alguns nasceram em nós. Outros foram colocados em nós antes mesmo que tivéssemos consciência suficiente para questioná-los.

O problema começa quando transformamos todo pensamento em verdade simplesmente porque ele aconteceu dentro da nossa própria mente.

Pensamos e acreditamos.

Acreditamos e repetimos.

Repetimos e nos convencemos.

Depois de algum tempo, já não sabemos se aquela ideia é verdadeira ou se apenas se tornou familiar.

A repetição pode dar aparência de verdade até mesmo àquilo que nunca foi questionado.

É justamente nesse pequeno espaço entre pensar e acreditar que o discernimento precisa existir.

Discernir não significa impedir a mente de pensar.

Significa impedir que todo pensamento tenha autoridade para nos governar.

É conseguir olhar para aquilo que pensamos e perguntar:

Isso é um fato ou uma interpretação?

É uma convicção ou um condicionamento?

É prudência ou medo?

É aquilo que penso hoje ou apenas aquilo que aprendi a pensar ontem?

Talvez liberdade intelectual não seja poder pensar qualquer coisa.

Liberdade intelectual é poder questionar até aquilo que pensamos livremente.

Porque algumas das prisões mais difíceis de perceber não possuem grades. Possuem certezas.

E algumas das ideias que mais limitam nossa existência não foram impostas por alguém.

Foram repetidas tantas vezes dentro de nós que deixamos de perceber que poderiam ser revistas.

Por isso, desenvolver discernimento também significa desenvolver uma espécie de intervalo consciente.

Um espaço entre o pensamento e a crença.

Entre o impulso e a decisão.

Entre aquilo que aparece na consciência e aquilo que receberá nossa autorização para permanecer nela.

Talvez não possamos escolher todos os pensamentos que chegam.

Mas podemos aprender a escolher quais pensamentos continuarão encontrando morada em nós.

Pensar é um acontecimento da mente. Continuar pensando também pode ser uma decisão da consciência.

É nessa distância que começamos a deixar de ser apenas consequência daquilo que pensamos para nos tornarmos também autores daquilo que decidimos cultivar.

Porque amadurecer não é parar de mudar de pensamento.

É exatamente o contrário.

É adquirir consciência suficiente para perceber quando um pensamento já não merece continuar sendo nosso.

Discernimento é a capacidade de criar uma distância entre aquilo que pensamos e aquilo que decidimos continuar pensando.

E talvez seja justamente nessa distância que comece uma das formas mais profundas de liberdade:

a liberdade de não precisar continuar acreditando em nós mesmos apenas porque fomos nós que pensamos.

Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026

“Questionar não destrói a verdade. Destrói apenas aquilo que precisava da ausência de perguntas para parecer verdadeiro.”

“Discernimento é criar distância entre o que pensamos e o que decidimos continuar pensando.”

Carlos Eduardo Balcarse