Saudades de Prima
"As vezes pensamos que a dor do luto nunca vai passar. É que a gente tenta se acostumar a viver com ela, mas sempre que relembramos nossa história, é como se a ferida fosse reaberta e a dor se torna mais intensa, quando na verdade precisamos entender que elaborar o luto é esperar até que Deus venha cicatrizar nosso coração, encerrando esse sofrimento."
Não se leva em conta, mas a falta e as lembranças vão doer bem mais que suportar os defeitos e a chatice de daquelas pessoas que amamos.
Um dia a dor que sinto que hoje incomoda, será o motivo da minha glória.
As minhas palavras que causam coceiras nos ouvidos, serão tratados de sabedoria.
As minhas canções de ninar destonadas que enojam, serão como as cantadas por anjos.
Os meus sonhos que são insanos, serão os mais belos projetos de um homem.
Os meus beijos e abraços rápidos, medidos pra não causar abusos, serão desejados nos suspiros de saudades.
Atinar que se é melhor quando morrer, revela a fragilidade humana.
O AMOR NUNCA ACABA...
Na vida os motivos de ir são sempre mais que os de ficar. A insatisfação biológica sempre encontra e cria justificativas para partir. Somente a gestão emocional, impede-nos de jogar tudo para o alto e partimos sem rumo certo! Somente o discernimento de causas, circunstâncias e ponderações de consequências, livra-nos de descartar pessoas quando não são mais úteis ou não correspondem com as nossas expectativas.
Uma boa lembrança não pode afagar um ente querido, mas serve como lareira a queimar a lenha da saudade
Para o saudosista, muitas vezes o passado representa um presente negligenciado, que agora tratou de ter importância
O saudosismo é uma sensação tão poderosa, ao ponto de projetar na existência humana, uma extrema necessidade de acreditar em uma realidade paralela onde o esquecimento, a morte, a dor e o sofrimento não existam, por mais que isso seja uma vã e tola ilusão do eu. Os pressupostos de pós-vida são muletas Metafísicas de subterfúgio de sentido existencial, fruto do desespero mediante o desamparo e separação dos entes que amamos.
Quisera
Quisera não poder,
Amar-te como te amo agora,
Quisera não te perder,
Em nenhuma hora,
Nem por um segundo,
Quisera eu te deixar,
Mas fazes parte de outro mundo,
E devo a teu amor renunciar.
Quisera eu ser o motivo,
De tua felicidade,
Mas nem vi teu sorriso,
Pra mim restou à saudade.
Quisera eu que o brilho,
De alegria em teus olhos,
Fosse para mim,
Restou-me apenas,
Lágrimas de carmim,
E um coração partido,
Mortalmente ferido.
Autor: Agnaldo Borges
23/09/2014 - 22:45
SINTO FALTA I
Sinto falta de muita coisa ou de quase nada,
Sinto falta do que era simples, inocente,
Sinto falta do que não entendia
e de contos de fada,
Sinto falta da poesia,
Do sol poente.
Sinto falta de Castro Alves a Manoel Bandeira,
Sinto falta de Gonçalves Dias a Tom Jobim,
Sinto falta dos frutos de minha goiabeira,
Sinto falta da inocência que chegou ao fim.
Sinto falta de poemas e versos,
Que um dia fiz e hoje perdidos ou dispersos,
Sinto falta de amigos, de minha mãe e de meu pai,
Sinto falta de sonhos e tenho saudades que do coração não sai.
Autor: Agnaldo Borges
24/04/2005
APENAS
Deixe-me apenas te abraçar,
Num breve espaço de um momento,
E sentir teu coração pulsar junto ao meu.
Deixe-me apenas te amar,
Num breve espaço da imortalidade,
E sentir teus lábios junto aos meus.
Deixe-me apenas te demonstrar,
Num breve espaço de uma vida,
O quanto te quero entre meus braços.
Deixe-me apenas fazer ondas em teus cabelos,
Num breve espaço de um segundo,
E torne-se meu mundo.
Deixe-me apenas entrar em teu coração,
Num breve espaço da eternidade,
Pra nunca mais existir em mim a saudade.
Autor: Agnaldo Borges
27/06/2017 – 19:00
AMOR
O primeiro amor é inocente,
O último amor é maturidade.
O primeiro amor é tímido,
O último amor é valente.
O primeiro amor é saudade,
O último amor é ausência.
O primeiro amor é vontade,
O último amor é vivência.
O primeiro amor é passageiro,
O último amor é o condutor.
O primeiro amor é guerreiro,
O último amor é pacificador.
O primeiro amor é memória,
O último amor faz história.
O primeiro amor é paixão,
O último amor soma a razão.
O primeiro amor é sofreguidão,
O último amor é compaixão.
O primeiro amor é sonho,
O último amor é risonho.
O primeiro amor é tudo isso,
O último amor também.
O primeiro amor é nada disso,
O último amor vai além.
O primeiro amor é indescritível,
O último amor é incrível.
O primeiro amor é pra sempre,
O último amor é pra agora.
O primeiro amor explode,
O último amor sacode.
O primeiro amor são todas as horas,
O último amor todos os segundos.
Autor: Agnaldo Borges
15/08/2017 - 02:07
Sou
Como filho que um pai perdeu;
Como irmão sem irmão;
Como amigo que já viu outro partir;
Como cônjuge abandonado por seu par;
E o coração assim do peito se desprendeu,
E ficou o gosto amargo da desilusão,
De não poder ver nenhum de seus rostos mais sorrir.
E o que mais doeu,
O que mais dói,
É esse sentimento que corrói,
Chamado saudade,
Que é o misto de carinho e amizade,
Ternura e cumplicidade.
E o que é essa tal de saudade que me causa dor,
Na resposta de uma criança descobri,
E assim veio a esperança e ternamente sorri,
E deixo a dica:
Saudade é o amor que fica.
E o que é o tempo?
E o que é o tempo?
É aquele momento dum beijo que me tira o fôlego
e se eterniza no coração!
Mas também são as horas de sofrimento em solidão,
que me deixa triste e trôpego.
O que é o tempo?
São as horas corridas
em folguedos e alegrias!
Mas também são os minutos transcorridos pela ansiedade
entre a tua partida e a tua chegada
Minha amada!
O que é o tempo?
É a saudade que teima em ficar,
Pois o amor sofre com a distância e com a ausência,
Pois ele só sabe e pode duas coisas: amar e perdoar.
O que é o tempo?
Pode ser linear ou ciência,
Talvez eu não o saiba conceituar.
Apenas sei que ele passa, passará.
Mas eu continuo a te amar.
Autor: Agnaldo Borges 04/03/2018 - 22:51
DEPOIS DA CURVA, HÁ UM RIO
Pouco importa o sol ardente,
O rosto molhado e a garganta seca;
Pouco importa a poeira da estrada,
Os pés descalços e as pedras no caminho;
Pouco importa o andamento sem fim,
As pernas cansadas e o quase parar;
Pouco importa as quedas sofridas,
Os laços desfeitos e o tempo perdido;
Pouco importa o pensamento distante,
A saudade no peito e a incerteza constante;
Pouco importa se a vida é dura,
Os sonhos são muitos e o tempo é pouco;
Depois da curva, há um rio.
Após longos anos de ausência, perguntei ao meu velho avô:
- O que aconteceu por aqui? Por que nossos campos já não são mais belos?
Com a mesma simplicidade de sempre, ele respondeu-me, sem demonstrar qualquer espanto:
- Não houve nada, meu filho. Foi você que cresceu tanto, que já nem consegue mais ver as coisas que antes sentia.
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