Saudade Presenca do Ausente
Há momentos em que minha mente tenta entender Deus, minha alma anseia por sentir Sua presença... mas é só no espírito que eu realmente O compreendo.
Julio Cesar
A amizade verdadeira é morada discreta da alma - não precisa de presença constante, nem de muitas palavras, porque floresce onde existe cuidado, memória e afeto sincero.
Feliz dia do Amigo!
Não estar sozinho vai muito além de ter alguém ao lado. Há solidões que resistem à presença humana. Quando falo em não estar só, refiro-me à alma sem Deus, porque a ausência d'Ele é a mais profunda forma de vazio que se pode experimentar.
Não estar sozinho é mais do que ter alguém ao lado. Há vazios que nem a presença humana é capaz de preencher. Quando digo que não estejamos sós, refiro-me à comunhão com Deus, porque é Sua presença que verdadeiramente preenche a alma, e Sua ausência, o mais profundo abismo que o coração pode sentir.
O tempo não se mede apenas pelos ponteiros do relógio, mas pela presença do coração em cada batida da vida. Viver bem não é correr contra as horas — é estar inteiro em cada instante, com gratidão no peito e propósito nos passos.
Cuidado com quem você convida para sua casa
Nem todo sorriso é sincero, nem toda presença traz paz. Nossa casa é mais do que paredes e móveis é o nosso refúgio, o espaço onde recarregamos nossas energias, onde guardamos nossa intimidade, nossa história e nossa essência.
Por isso, é fundamental ter discernimento ao abrir as portas para alguém. Nem todo mundo que se senta à sua mesa deseja o seu bem. Algumas pessoas entram disfarçadas de amizade, mas carregam inveja, más intenções ou uma energia pesada que pode desequilibrar o ambiente e afetar até mesmo o seu bem-estar.
Convide quem soma, quem respeita, quem vibra com sua felicidade e entende o valor da confiança. Preservar sua casa é também preservar sua paz. E às vezes, proteger seu lar é simplesmente dizer "não" com firmeza, com amor-próprio e com sabedoria.
Invisível de Tanto Estar
Você estava ali,
sempre ali.
Presença firme,
sem alarde, sem fim.
Tão constante,
que virou paisagem,
fundo da minha
própria viagem.
Não te vi sumir,
porque nunca partiu.
Mas percebi tua falta
quando o mundo se abriu.
Era você
em cada detalhe pequeno,
em cada gesto sereno,
no silêncio que sustenta o dia.
Às vezes, quem mais cuida
é quem menos se vê.
Porque brilha tão perto...
que esquecem de perceber.
Pela manhã tens poesia
és habitação de pequenos
o vento é presença invisível
tempo de lábios fieis
o sopro de Deus!
É tumulo aberto
aos impios.
por Purificação:
"Antes que teus lábios se movam, tua presença já grita quem tu és. A postura revela o que a boca esconderia. O olhar entrega a alma antes da fala. E teu silêncio — se bem lido — vale mais que discursos."
— Purificação
"A imagem é reflexo da alma em ordem. A presença de quem domina a si mesmo fala com firmeza, mesmo em silêncio. Postura é destino. Aparência é decisão moral."
— Purificação
"Sua marca começa antes do seu cartão. Cada gesto, cada detalhe da sua presença já comunica valores, posturas e intenções. O que você cala, sua imagem revela."
— Purificação
luz que antecede a fala
"Quem tem raiz em Deus não precisa gritar presença. A luz que carrega fala primeiro. A postura revela santidade antes mesmo do nome ser dito. O Espírito Santo precede o som da voz."
— Purificação
Silêncio, presença, raízes e movimento.
Às vezes, é só sentando com a gente mesma que percebemos o quanto já florescemos mesmo nas curvas mais difíceis da vida.
Hoje, só desejo isso: viver o máximo de mim, com verdade, com inteireza, com leveza.
E da vida só quero a plenitude de saber que vivi o máximo de mim.
Chamo de "falta de emoção" aquilo que ainda não sei nomear.
É uma presença vazia, um sentimento sem forma, sem cor, sem raiz.
Não sei de onde vem, tampouco o que quer me dizer. Só sei que se instala. Silenciosamente.
E fico esperando que passe, como se a alma respirasse por impulso até que outro sentimento mais forte venha e ocupe seu lugar.
No meio desse vácuo, me torno mais analítica.
Começo a observar o mundo com olhos mais calmos, como se tudo ao redor pudesse me ensinar algo sobre mim.
Foi assim que reparei em meu gato.
E nele vi, não um animal de estimação, mas um reflexo.
Demorei a tê-lo. Não por falta de vontade, mas por resistência alheia.
Quando finalmente chegou, entendi de imediato por que sempre o desejei.
Gatos são estranhos à espera.
Amam a rotina.
Buscam afeto, mas apenas quando o silêncio pesa demais.
Percebi que éramos semelhantes.
Sou alguém que demorou a entender o que é afeto.
Guardo sentimentos em caixas seladas, como quem tenta proteger o mundo do que sente.
Mas quando a caixa cai, o estrago é incêndio: tudo arde de uma vez só.
Gatos, ao menos, não fingem.
Eles sentem e demonstram.
Se querem carinho, pedem.
Se algo muda sem aviso, se retraem.
Mas quando estão bem, vibram com uma intensidade que ninguém consegue conter.
São fiéis à própria natureza.
Talvez meu gato seja assim porque herdou a minha essência.
Talvez ele apenas a reflita com mais pureza.
Ele me ensina, com cada olhar e cada silêncio, a ser mais sincera com o que habita em mim.
E é aí que reside a beleza:
na humildade de aprender com o improvável.
Na coragem de admitir que a vida nos ensina pelos cantos.
E que crescer é, muitas vezes, parar de tentar entender tudo e apenas sentir.
Afinal, somos eternos aprendizes.
E o mundo, uma sala de aula infinita.
Aprendemos nos gestos mínimos.
E crescemos quando deixamos o orgulho ceder lugar à verdade.
Esse é o caminho:
ver com a alma,
sentir com o espírito,
e reconhecer, na simplicidade, a grandeza de viver.
Nos traços do teu sorriso sapeca,
eu me perco, me acho, me refaço.
Tua presença é brisa que me seca
as lágrimas num simples abraço.
Teus olhos têm brilho de estrela,
que guia meu peito na escuridão.
Em ti encontrei o mundo inteiro,
nos versos calmos do teu coração.
És bagunça doce, minha rima torta,
aventura linda que o destino pintou.
Sapekinha, és minha vida e porta
pro amor mais sincero que já se formou.
não é solidão.
é invasão consentida.
um tipo de presença que não pede licença
porque sabe que ainda tem a cópia da chave.
•
o lado esquerdo da cama cede.
não por hábito.
mas por teimosia do lençol.
o corpo ausente continua exigindo espaço ~
e eu cedo.
•
a toalha continua úmida.
não sei se é da última vez
ou de alguma memória que escorreu
quando eu não estava olhando.
•
o som do gelo ainda cai no copo.
como se tivesse a quem servir.
mas ninguém brinda comigo.
nem o silêncio.
•
a morte não te levou.
ela só desfez o contrato.
ficou com o nome,
com os papéis,
com a parte que convence os outros
de que você se foi.
mas o resto ficou.
os ruídos leves no corredor.
o perfume que reaparece ~ sem explicação.
essa mania absurda de eu ainda saber
o ritmo da sua respiração
mesmo sem você.
•
ninguém me disse que o luto fala baixo.
que ele deita do meu lado
e às vezes respira junto.
que eu ainda viraria de lado à noite
esperando um corpo
que aprendeu a não chegar.
•
não sei se sinto falta
ou se me converti naquilo que faltava.
na forma da ausência,
no vulto do costume,
no intervalo entre a porta abrindo
e ninguém entrando.
•
não sei mais se sinto falta.
ou se já sou feita só disso.
da tua falta com forma.
com corpo.
com tempo marcado.
com trilha sonora que insiste
em tocar quando não devia.
•
isso não é saudade.
é ocupação indevida.
com senha do wi-fi.
com chave da porta.
com espaço no armário.
uma ausência que não partiu.
só se instalou.
e tem me mantido acordada
no mesmo ponto
em que você deixou de me amar.
como se esse ponto fosse
casa.
fim.
ou castigo.
Juliana Umbelino • O Luto Sou Eu
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