Saudade do que não Aconteceu
Romance: narrativa de uma história que não aconteceu, poderia ter acontecido, não acontecerá e que, se for bem contada, será interpretada como mais acontecida do que muito acontecimento.
A Vida Entre o Quase e o Aconteceu
Existe uma curiosidade sobre a vida que só percebemos quando olhamos para trás.
Quando somos crianças, acreditamos que tudo é possível. O mundo parece pequeno diante da nossa imaginação. Um cabo de vassoura vira cavalo, uma caixa de papelão transforma-se em castelo, e uma simples tarde de chuva é suficiente para criar aventuras que nem os adultos conseguem compreender.
Nessa época, os sonhos não conhecem limites.
Queremos ser astronautas, jogadores de futebol, cantores, heróis ou qualquer coisa que nos faça sentir especiais.
O mais bonito é que acreditamos de verdade.
Mas o tempo passa.
E a infância, sem pedir licença, entrega lugar à adolescência.
Talvez seja aí que os primeiros desencontros aconteçam.
O espelho começa a mostrar alguém diferente.
O coração passa a bater mais forte por motivos desconhecidos.
Surge aquele amor impossível pela menina da escola, pelo rapaz da sala ao lado, por alguém que muitas vezes nem sabe da nossa existência.
Passamos horas ensaiando palavras que nunca serão ditas.
Criamos diálogos perfeitos que jamais acontecem.
Vivemos encontros imaginários e colecionamos desencontros reais.
Mas seguimos em frente.
Porque a juventude tem essa estranha capacidade de transformar decepções em combustível.
Então chega a fase em que acreditamos que já sabemos tudo.
Escolhemos profissões.
Fazemos planos.
Desenhamos o futuro como quem traça uma estrada reta em um mapa.
Só esquecemos de um detalhe.
A vida raramente segue o mapa.
Ela prefere os atalhos.
As curvas.
Os desvios inesperados.
Muitos encontram o emprego dos sonhos.
Outros descobrem que o emprego dos sonhos não era exatamente aquilo que imaginavam.
Há quem encontre o amor cedo.
Há quem espere anos por ele.
Alguns constroem castelos.
Outros precisam aprender a reconstruí-los depois que desabam.
E assim vamos colecionando experiências.
Os anos passam.
Os encontros continuam acontecendo.
Novos amigos surgem.
Outros seguem caminhos diferentes.
Algumas pessoas chegam para ficar.
Outras apenas passam, deixando ensinamentos que só compreenderemos muito tempo depois.
Também existem as frustrações.
A promoção que não veio.
O negócio que não deu certo.
O namoro que terminou.
O projeto que ficou pela metade.
A oportunidade perdida por poucos segundos.
São momentos difíceis.
Porque ninguém cresce imaginando os "nãos" que ouvirá pelo caminho.
Mas eles chegam.
E quando chegam, doem.
Porém existe algo curioso nas derrotas.
Elas quase sempre ensinam aquilo que as vitórias nunca conseguem explicar.
Então a vida continua.
Casamos.
Criamos filhos.
Mudamos de cidade.
Mudamos de opinião.
Mudamos de sonhos.
E, sem perceber, vamos mudando a nós mesmos.
Chega uma fase em que passamos mais tempo lembrando do que planejando.
As conversas ficam mais profundas.
As prioridades mudam de lugar.
Aquilo que parecia indispensável perde importância.
E coisas simples passam a valer ouro.
Um almoço em família.
Uma ligação inesperada.
Uma tarde tranquila.
Um abraço sincero.
Percebemos que a felicidade nunca esteve tão longe quanto imaginávamos.
Ela apenas se escondia nos detalhes.
Mesmo assim, a vida continua nos surpreendendo.
Porque sempre existe algo por acontecer.
Um novo amor.
Um novo trabalho.
Um novo projeto.
Uma nova amizade.
Uma nova chance.
Talvez seja esse o grande segredo.
A esperança.
Ela é a única companheira que atravessa todas as fases da nossa existência.
Está presente na criança que sonha.
No adolescente que ama.
No jovem que planeja.
No adulto que trabalha.
E também naquele que já viveu muito e continua acreditando que o amanhã pode ser melhor.
A esperança não envelhece.
Não se aposenta.
Não desiste.
Ela permanece sentada em algum canto do coração, esperando o momento certo para nos lembrar que ainda há páginas em branco para serem escritas.
E talvez a vida seja exatamente isso.
Uma sucessão de encontros e desencontros.
De expectativas e frustrações.
De planos que dão certo e de caminhos que precisam ser refeitos.
Mas, acima de tudo, uma jornada onde a esperança nunca deixa de caminhar ao nosso lado.
Porque enquanto houver esperança, sempre existirá um novo capítulo esperando para acontecer.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
Algumas Ilusões — Menino Confuso | Paulo Fernando
Não sei se já aconteceu com vocês, mas comigo sempre acontece.
Eu começo a me envolver com a pessoa e passo a sentir muito por ela. E tem gente que não sabe lidar com isso. Promete céu, terra e mar… mas você já entende, no fundo, que aquilo não vai passar de palavras bonitas.
Mesmo assim, você acredita. E acaba mergulhando de cabeça nesse começo de relação.
Passa o primeiro mês e tudo parece maravilhoso. Um sonho mesmo. Você conversa até o sol aparecer e só para quando o cansaço chega. Abraça, beija, sente demais.
Mas os dias passam… e tudo começa a mudar.
O tempo que era muito vira pouco. A atenção vai se afastando aos poucos. E aquela pessoa que prometeu céu, mar e terra já não está na mesma sintonia que você.
E então as lágrimas começam a cair.
A pessoa parece não se importar. E o pior: ela diz que você “não é pra ela”, que “não está no momento”, que “está confusa com tudo isso”.
E vocês terminam aquilo que nem deveria ter começado.
Passam 30 dias depois do término… e você ainda sente.
Porque sentimento não passa como dor que se resolve com um simples remédio. Não é rápido assim.
E então você, sem muita força, pergunta:
“Você ainda gosta de mim?”
Você espera uma resposta positiva. Mas, na verdade, a pessoa finge não entender:
“O quê? Como assim?”
Engraçado como algumas pessoas mudam depois de conseguirem o que querem.
Você fica arrasado, claro. Quem gostaria de se sentir esquecido por alguém que amou?
Acho que ninguém.
Mas uma coisa é certa: nem tudo precisa ser do jeito que a gente quer.
Quando você vira sua própria prioridade, esse tipo de pessoa deixa de ser amor… e vira só uma ilusão.
E como ela mesma disse:
“Eu estou vivendo, e você também. Você está bem, e eu estou ótimo.”
Guarde isso: você não precisa de um namorado agora. Você precisa de você mesmo.
De conhecer seus gostos, suas manias, seu cheiro, seu silêncio.
Lembra: quando você começa a deixar de lado o que tanto queria, você começa a receber sem precisar correr atrás.
Bom… acho que é isso.
Qualquer coisa, me chama. Vamos conversar.
— Paulo Fernando | Menino Confuso
Eu deitei com você. Eu sonhei com você, sonhei por você... E o pesadelo aconteceu quando eu acordei e vi que estava sozinho.
Rap da Convocação
Helaine Machado
Não acredito no que aconteceu,
Lancelote deixou Pedro de fora outra vez,
pra Neymar voltar querendo ser rei,
como se a Copa fosse palco da própria lei.
Esquece que Copa não é exibição,
é raça no peito, suor e pressão,
não basta nome nem fama na televisão,
tem que honrar a camisa e carregar a nação.
O povo debate na rua e no bar,
cada convocação faz o Brasil parar,
uns defendem, outros começam a criticar,
porque a esperança do hexa faz todo mundo falar.
Helaine machado
Rap da Convocação
Helaine Machado
Não acredito no que aconteceu,
Lancelote deixou Pedro de fora outra vez,
pra Neymar voltar querendo ser rei,
como se a Copa fosse palco da própria lei.
Esquece que Copa não é exibição,
é raça no peito, suor e pressão,
não basta nome nem fama na televisão,
tem que honrar a camisa e carregar a nação.
O povo debate na rua e no bar,
cada convocação faz o Brasil parar,
uns defendem, outros começam a criticar,
porque a esperança do hexa faz todo mundo falar.
Posso até morder minha língua depois,
e comemorar gritando junto com vocês,
mas espero que o cai, cai não faça outra vez
o brasileiro passar vergonha no fim do campeonato
Chega de sete a um na memória nacional,
aquilo foi ferida num país emocional,
o silêncio no estádio parecia funeral,
um pesadelo transmitido em rede nacional
Helaine machado
E talvez o verdadeiro sentido da vida
não esteja no que aconteceu conosco,
mas no que fazemos
com aquilo que nos feriu.
— Helaine Machado
Tudo acontece com algum propósito
Se aconteceu foi por algum motivo lógico
E se veio foi por alguma permissão
E se foi embora também teve alguma razão;
Sinceramente, eu sou viciado em falar de amor, e isso aconteceu depois que te conheci. Como não falar de amor ao ver esse sorriso maravilhoso? Como não falar de amor ao ver esse olhar que fascina... Como não falar de amor estando tão perto de um infinito poço de inspirações? Impossível, assim como é impossível te ver e não te amar.
Apesar de tudo que aconteceu e todos aqueles que passaram pela minha vida, você foi quem eu mais amei. Na verdade, você é o único que eu já amei de verdade. Não foi fácil para mim ficar sem você. Durante esse tempo que permanecemos afastados, tivemos que aprender e amadurecer. Descobrimos que precisamos conviver com as nossas diferenças e ceder de vez em quando. Mesmo com todas as dificuldades e problemas, eu percebi que é muito mais difícil quando você não está aqui. Podemos brigar, separar e até nos estranhar, mas no fundo, sabemos que é sempre melhor quando estamos juntos. Muitos podem passar pela minha vida, mas você é diferente, você marcou muito mais, e é exatamente por isso que eu te amo tanto. O que eu senti por você eu nunca senti por ninguém.
Ainda é um pouco difícil falar sobre o que aconteceu. Os anos se passaram, mas eu lembro todos os dias de você. Quando eu soube que você partiu desse mundo, tentei mentir para mim mesma. Eu já estava em em um momento complicado e se eu me permitisse sentir mais essa dor, eu teria desabado. Tentei falar que tudo não passava de um pesadelo. Mas não adianta, a realidade é sempre mais forte. E eu demorei para tentar processar o que aconteceu. Eu mal conseguia olhar nossas fotos. Elas me trazem lembranças lindas, mas muito dolorosas para quem nunca soube lidar com essa partida. Eu demorei anos para voltar ao local que mais marcou nossa juventude. Pela primeira vez, me permiti viver a dor da sua partida. Chorei toda a mágoa que tinha acumulada ao longo desses anos. Eu tentei evitar o luto, pois tudo era muito forte para mim. As lembranças, suas fotos, a dor que eu sentia quando lembrada de você. Eu até cheguei a me afastar das pessoas que me faziam lembrar de você. Não foi fácil para ninguém. Você era tão jovem, tinha tanta coisa para viver, aprender. Mas com o tempo, eu tive que encarar minha dor. Tive que encarar a dor da sua partida. E hoje, depois de tanto tempo, eu tomei coragem para ver um vídeo nosso. Tantas lembranças incríveis surgiram. Pedi tanto a Deus para que você esteja em paz. Venha me visitar em um sonho, por favor, para me dizer que está bem e que eu já posso seguir em paz. Que você entende minhas razões.
Às vezes, a gente só precisa colocar pra fora — não pelo que aconteceu, mas pelo significado que aquilo tinha dentro da gente.
Às vezes não existe “o que aconteceu”.
Existe só alguém que escolheu ir embora sem conseguir sustentar conversa adulta de encerramento.
Às vezes, a gente aprende no silêncio do que não aconteceu.
No intervalo entre o querer e o desistir, mora um tipo de verdade que ninguém ensina,
só se sente.
Tem coisas que não florescem, não por falta de cuidado,
mas porque não eram raízes para o nosso chão.
E tudo bem.
Nem tudo que chega é para ficar,
e nem tudo que vai leva embora o que fomos.
Há partidas que devolvem a gente para si.
No fim, a vida não é sobre segurar tudo,
mas sobre reconhecer o que merece ser permanência dentro da gente.
Chega de inventar desculpas esfarrapadas e fingir que não aconteceu nada, porque você fez de propósito e sabia muito bem o que estava a fazer!
Ontem à noite aconteceu algo que me fez parar por alguns minutos e simplesmente observar.
Eu estava no banheiro quando meus olhos pousaram sobre o meu braço. Havia várias cicatrizes antigas ali. Algumas já tão apagadas pelo tempo que quase não podiam mais ser vistas. Fiquei olhando para elas em silêncio.
Então uma pergunta surgiu dentro de mim.
De quantas dessas violências eu ainda me lembro?
A resposta foi dolorosa.
De poucas.
Não porque não aconteceram. Não porque não foram graves. Mas porque foram tantas que a minha própria memória deixou algumas para trás.
O corpo, porém, não esqueceu.
As cicatrizes continuam lá.
Há algum tempo, meu esposo fazia uma massagem em minhas pernas quando começou a observar marcas espalhadas por ambos os lados. Eram muitas. Algumas pequenas. Outras mais visíveis. Ele perguntou sobre elas.
Então expliquei que aquelas marcas eram consequências das violências que sofri durante a infância e a adolescência.
Enquanto falava, percebi algo que nunca havia pensado profundamente antes.
Existem agressões que a memória não consegue catalogar individualmente.
Quando a violência se torna rotina, os episódios se misturam. Os dias se confundem. Os acontecimentos perdem suas datas.
Mas o corpo registra tudo.
Cada cicatriz é um documento silencioso de uma história que aconteceu.
Cada marca é uma testemunha que continua existindo mesmo quando a lembrança desaparece.
Achei curioso perceber que existem sofrimentos dos quais já não consigo me recordar claramente. Não consigo dizer qual foi o dia, qual foi o motivo ou qual foi a situação exata. Mas a cicatriz continua ali, como uma pequena assinatura do passado gravada na pele.
E foi nesse momento que compreendi algo importante.
Durante muitos anos, olhei para essas marcas como evidências da dor.
Hoje, começo a enxergá-las também como evidências da sobrevivência.
Porque cada cicatriz representa um dia que eu suportei.
Um dia que não me destruiu.
Um dia que eu atravessei.
As marcas contam uma história que o tempo tentou apagar, mas não conseguiu apagar completamente.
Elas contam a história de uma menina que viveu situações que nenhuma criança deveria viver.
Mas contam também a história de uma mulher que continuou caminhando.
Uma mulher que construiu sua própria liberdade.
Uma mulher que conseguiu proteger aqueles que amava.
Uma mulher que, apesar de tudo, não se tornou aquilo que tentaram transformá-la.
Hoje, quando olho para essas cicatrizes, não vejo apenas violência.
Vejo resistência.
Vejo a prova física de que sobrevivi a capítulos que poderiam ter me quebrado.
O passado deixou marcas em minha pele.
Mas não levou a minha capacidade de amar.
Não levou a minha fé.
Não levou a minha esperança.
E talvez seja essa a maior vitória de todas.
Porque algumas pessoas passaram anos tentando me ferir.
Mas nenhuma delas conseguiu apagar quem eu realmente sou.
As cicatrizes permanecem.
Mas eu também permaneci.
24 de junho de 2026 14:22
Eu achei que tivesse perdido a inspiração.
Mas, com tudo o que aconteceu, eu renasci com minhas palavras, da forma mais forte possível.
Aquilo que foi tarde demais aconteceu há poucos instantes, portanto, sejamos rápidos em nossas reavaliações e arrependimentos.
