Saudade Desconhecido
Versos de dor
Os versos apaixonados
Tão vidrados e esquecidos
Amaçados e rasgados
Me jogaram no lixo
Lidos por ninguém
Desprezado com carinho
Embaixo assinado
Querida, minha dor
Logo digo, já na basta
Chega desse horror
Por que desprezam tanto?
Os versos do amor
Tempo
A natureza cresce
Vida de repente cai
Afinal, quem dá corda ?
No tempo que se esvai
Flui alegre, com sorte
Mas certas coisas condenam
Quem sabe...a morte
O tempo, que tempo?
Aquele de tudo!
Agora me lembro
Mas conte de novo
A história da vida
Notícias de mim
O Tempo governa
A ditadura que semeia
E o vento socorre
A mentira que freia
E entra na dança
Dos astros do início
O início do fim
Eu não sei vocês, mas na minha cabeça, eu faço perguntas que nenhum tipo de especialista consegue responder. Já se perguntou quantos “E se” você tem? Exemplo, e se eu não achar a pessoa certa? E os será? Todos têm o seu ponto de interrogação, o meu aparece constantemente.
A dificuldade de acreditar em nós mesmo é grande, até o próprio Jesus tinha isso; talvez algumas pessoas tivesse essa “autoconfiança” mais forte que outros. Já se perguntou: o que será que vai acontecer e depois tentou desvendar ou imaginar o que poderia acontecer. E as tais negações que fazemos sem tentar? É claro que alguns quesitos é obvio negar...
Exemplo, eu não sei se consigo mais tentou? Sou a favor de quem se arrisca, para mim a pessoa que se arrisca, vive em uma adrenalina que meu bem, dá gosto de viver!
Enfim, em minha opinião temos que “apagar” essas tais interrogações e viver na exclamação! Diga “Eu vou achar a pessoa certa” e “eu vou conseguir” se arrisque! E apenas use a interrogação para perguntar se o almoço está pronto!
Amizade é assim, a gente gruda, a gente ri, chora, fica alegre, fica triste, tira selfie e o tempo vai passando e a vida se tornando cada vez mais divertida. Que seria de nós sem amigos?
Acreditar que sabe de tudo é ignorar a expansão do conhecimento, um desrespeito à inteligência humana.
Respeitar não é concordar com o outro nem se opor
Respeitar é compreender e ser paciente
é aceitar as diferenças e trabalhar em defesa da paz
Não há respeito em guerras
Em quaisquer tipos de violência também não há
Mas o respeito é o princípio de uma boa convivência
Capaz de destruir guerras e construir paz
Quem respeita não precisa fazer isso para ser respeitado, seria hipocrisia
Quem respeita de verdade só precisa que esse ato seja compartilhado
Respeitar os outros é respeitar o mundo
e respeitar o mundo é respeitar a si próprio.
QUANDO UM FILHO SE TORNA PAI DE SEU PAI
Bom dia
Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai.
É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso.
É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e instransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar.
É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela – tudo é corredor, tudo é longe.
É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.
E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.
Todo filho é pai na morte de seu pai.
Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.
E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.
Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.
Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro.
A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.
Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes.
A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.
Envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus.
Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?
Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.
Feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia.
Meu amigo Zé acompanhou o pai até seus derradeiros minutos.
No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:
– Deixa que eu ajudo.
Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.
Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.
Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.
Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.
Embalou o pai de um lado para o outro.
Aninhou o pai.
Acalmou o pai.
E apenas dizia, sussurrado:
– Estou aqui, estou aqui, pai!
O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.
Publicado no jornal
Zero Hora
Que nossos filhos saibam o sentido da vida e nos digam sempre onde estão !!!
Lágrimas nem sempre são sinônimos de tristeza, assim como sorrisos nem sempre são sinônimos de felicidade...
