Saudade
Eu sei que a saudade existe porque eu estou transbordando dela. Sinto a sua falta em cada segundo, em cada pensamento. Vivo imersa nesse vazio, eu só queria que você estivesse aqui, do meu lado, mais uma vez
Não é a saudade comum das horas mortas,
Nem a dor previsível que o tempo traz.
É algo maior que habita em mim, e me devora,
Um fantasma de vida que não me deixa em paz.
Existe um mistério além do meu próprio peito,
Algo que sobrevive e pulsa no ar,
Enquanto eu me perco no labirinto imperfeito
De contar as horas sem te tocar.
O dia amanhece como uma sentença fria:
Saber que não terei o calor do teu corpo ao meu lado,
Que tua respiração mansa não vai embalar o meu dia,
E teu sorriso... Ah, teu sorriso estará guardado
Em algum lugar distante do meu alcance,
Deixando minha retina em um eclipse forçado.
Isto não cabe no molde estreito do dicionário,
Palavra nenhuma traduz a forma como me desfaço.
É um flagelo sem nome, um hábito diário,
Uma auto-tortura tecida em cada espaço.
É existir sabendo que parte de mim está em ti,
E que sem o teu toque, sou só a sobra do que sou.
Assim como a maré açoita as rochas a saudade molesta meu coração e mesmo que ele seja feito de pedra a insistência da água acaba sendo um suplício nesse dissabor de viver sem você.
Saudade
Aperto manso no peito,
eco de presenças
que o tempo levou,
mas que o coração
se recusa a esquecer.
Nildinha Freitas
Poeta Potiguar
Saudade de você
É estranho sentir saudade
de alguém que ainda está tão perto,
mas que já mora tão fundo em mim.
Às vezes, não é a distância que faz falta...
é o seu jeito,
a sua voz,
a paz que existe quando você está.
E então percebo
que saudade não é apenas querer alguém por perto.
É carregar sua presença
mesmo quando você não está.
É fechar os olhos
e encontrar você
onde ninguém mais consegue chegar.
Talvez seja isso que você fez comigo...
Sem perceber,
deixou um pouco de você em mim.
E agora,
onde quer que eu esteja,
sempre existe um lugar
onde você está.
Saudade, às vezes leve como a suavidade da brisa, outras vezes avassaladora como as tempestades em fase de devastação.
Por mais distante que a presença pareça, por mais que a saudade aperte o coração, nada nos impede de ir além da nossa imaginação. Nada nos impede de buscar um caminho que nos leve muito mais perto do sonho de estar ao lado de quem tanto desejamos.
Sinais do Silêncio
Ele, também poderia se retratar – entrar em contato, dizer que a saudade consumiu os seus dias. Que o seu corpo sentiu a mesma intensidade que o meu. Dizer que tudo não passou de um mal-entendido, explicar as suas razões, de ter sumido, talvez deixar clara a situação.
Desmontar toda essa confusão e revelar o que se passa dentro do seu coração. Esses mal-entendidos poderiam ser esclarecidos. Eu poderia tentar entendê-lo. Mostrar que tudo o que se passou foi intenso, sublime. Mostrar que fui importante.
Entendo que talvez o sentimento seja apenas de minha parte. Mas então, porque há invasão em meus pensamentos? Invasão em meus dias ternos e serenos? Tudo vira uma revolução, uma guerra interior, quando, sem permissão, ele vem - sem ser convidado.
Há pendências batendo à porta. Esse estranho caminho que me conduz por encruzilhadas desconhecidas, me mantém em alerta.
Os sinais que a vida dá são claros. Dizem tudo o que eu preciso saber. Mostram caminhos.
Rita Padoin
Escritora
AMAMOS, MESMO SABENDO QUE UM DIA SERÁ SAUDADE
Talvez uma das maiores coragens humanas seja amar sabendo que podemos perder. Sabemos disso desde o princípio, embora quase nunca tenhamos coragem de dizer em voz alta. Quem chega pode partir. Quem abraçamos hoje talvez amanhã exista apenas na memória. A voz que agora escutamos poderá um dia transformar-se em lembrança, e aquele rosto que conhecemos de olhos fechados talvez passe a habitar somente o território silencioso da saudade. Mesmo assim, amamos.
E talvez seja justamente nisso que o amor revele sua grandeza.
Porque amar nunca foi possuir. Possuir é desejar permanência; amar é compreender a impermanência e, ainda assim, permanecer enquanto for possível. Há uma espécie de loucura consciente no amor: entregamos partes de nós a pessoas que o tempo não prometeu conservar. Construímos casas sabendo que envelhecerão, fazemos planos sabendo que a vida poderá interrompê-los, criamos lembranças sabendo que algumas delas um dia doerão. Beijamos como se houvesse eternidade, embora saibamos que somos feitos de tempo.
E por que fazemos isso?
Porque talvez o contrário da perda não seja a permanência. Talvez seja nunca ter amado.
Quem tenta proteger-se de toda perda precisa proteger-se também de todo vínculo. Para jamais sentir saudade, seria necessário jamais ter alguém de quem sentir falta. Para nunca sofrer uma despedida, seria preciso nunca experimentar verdadeiramente um encontro. Para impedir que o coração se parta, teríamos que impedir também que ele se abrisse. E que espécie de vida seria essa?
Talvez seja por isso que o amor seja tão profundamente humano. Ele não exige garantias para existir. Ama-se sem contrato com o amanhã. Ama-se uma mãe sabendo, ainda que não queiramos pensar nisso, que um dia seu abraço poderá nos faltar. Ama-se um companheiro sabendo que nenhuma promessa pode derrotar completamente o tempo. Amam-se os filhos sabendo que eles crescerão, partirão e construirão caminhos onde talvez já não sejamos presença cotidiana. Amam-se amigos sabendo que a vida espalha pessoas por cidades, distâncias e destinos diferentes. Ainda assim, continuamos dizendo: fique. Venha. Sente-se ao meu lado. Conte-me sobre seu dia.
Isso é extraordinário.
Talvez Viktor Frankl estivesse certo ao perceber no amor uma das grandes possibilidades de sentido da existência. E talvez C. S. Lewis também compreendesse que amar nos torna vulneráveis justamente porque aquilo que realmente importa pode ferir-nos quando desaparece. Não existe amor profundo completamente protegido da dor.
Por isso não considero a saudade uma inimiga do amor.
A saudade é uma de suas consequências.
Só sentimos profundamente a ausência daquilo que um dia teve presença dentro de nós.
E há algo ainda mais difícil de aceitar: às vezes perderemos tudo.
Perderemos juventude, lugares, objetos, certezas, pessoas. Um dia outros entrarão nas casas onde vivemos. Nossos passos desaparecerão dos corredores. Nossos nomes serão pronunciados cada vez menos. O tempo continuará fazendo aquilo que sempre fez: passando.
Mas existe uma pergunta que o tempo não consegue responder por nós:
enquanto tivemos, nós amamos?
Talvez essa seja uma das poucas perguntas verdadeiramente importantes.
Não quanto acumulamos.
Não quanto conseguimos preservar.
Não quantas vezes vencemos.
Mas quanto estivemos presentes enquanto aquilo que amávamos ainda estava diante de nós.
Porque existe uma tragédia maior do que perder: perceber tarde demais que tivemos alguém ao nosso lado e não soubemos estar ali. Guardamos palavras para depois. Adiamos abraços. Economizamos “eu te amo”. Deixamos para amanhã uma conversa que pertencia a hoje, como se tivéssemos recebido alguma garantia secreta de que o amanhã nos seria concedido.
Não recebemos.
E talvez seja justamente por isso que o amor seja urgente.
Não uma urgência desesperada, mas consciente. A consciência de olhar demoradamente para quem amamos. De escutar um pouco mais. De perdoar quando for possível. De dizer aquilo que precisa ser dito enquanto ainda existem ouvidos para ouvir. De abraçar enquanto ainda existem braços capazes de nos devolver o abraço.
Amar é aceitar silenciosamente uma verdade terrível e maravilhosa:
isto pode acabar.
E, em vez de fugir por causa disso, aproximar-se ainda mais.
Talvez a grandeza do amor não esteja em vencer o tempo.
Talvez esteja em dar sentido ao tempo que nos foi dado.
Porque no final talvez percamos muitas coisas que julgávamos nossas.
Mas aquilo que verdadeiramente amamos terá participado daquilo que nos tornamos.
E então compreenderemos que algumas pessoas podem partir de nossas mãos sem jamais partir completamente de nossa existência.
Elas permanecem na maneira como falamos, nas coisas que aprendemos, nos gestos que repetimos sem perceber, nas histórias que contamos, nas músicas que ainda nos comovem, nas palavras que herdamos e até naquele silêncio inexplicável que às vezes chega quando uma lembrança atravessa o coração.
Talvez seja isso que reste quando tudo parece perdido.
Não a posse.
Não a presença.
Mas a transformação.
Amamos alguém e nunca mais somos exatamente a mesma pessoa.
Por isso continuamos amando, mesmo sabendo que um dia poderemos perder aquilo que amamos.
Porque a alternativa seria atravessar esta breve existência intactos, protegidos e vazios.
E talvez a maior derrota de uma vida não seja terminar com o coração marcado pelas pessoas que amamos.
Talvez seja chegar ao fim com o coração perfeitamente inteiro porque nunca tivemos coragem de entregá-lo.
0201 📜 "Lembrando dela, confirmei: certos tipos de Saudade se parecem com Sentir Fome. É vazio acentuado que precisa ser imediatamente saciado!”
*Algo estranho acontece lá fora, e eu aqui dentro não consigo dormir, não sei se é saudade o desamor, mas ambos me fazem pensar, e assim vou trocando de travesseiros e revirando na cama sem ter ao menos como sonhar.*
(Saul Beleza)
Quando a distância é longa, a saudade é cada vez mais curta
E no coração, um nó que não desata.
A mente viaja, a alma se acalma.
E no silêncio, um nome se multiplica.
A cada dia, um pouco mais perto
do momento em que vou tentar te esquecer.
A ansiedade aperta, o tempo acelera os dias.
E a saudade, um fogo que arde e não sacia.
Mas na memória, um sorriso.
E a esperança de um flerte se avança.
E mesmo sufocado, um brilho se acende.
É a certeza de que o amor não se rende.
(Saul Beleza)
Nem imagina o estrondo que saudade faz
Ecoa no peito, sem parar
Eu aqui com meus madorno, sonhos repentinos
Vendo tua imagem, sem te encontrar
A distância é um abismo, que não se cruza
Só resta a memória, e a vontade de voltar
Mas por agora, só resta sonhar
Com o reencontro, e o abraço que vai durar.
(Saul Beleza)
Sou uma hospedaria de quartos vazios
Onde a saudade é a única hóspede
Enche o vazio com lembranças, suspiros
E o silêncio é o único som que ecoa
Os quartos, antes cheios de vida e amor
Agora são túmulos de sonhos e promessas
A espera é a única companhia
E a saudade, a única que nunca vai embora.
(Saul Beleza)
Queria que a saudade fosse um véu passageiro
Para que você, mesmo na eternidade nunca se lembrasse mim, nem por engano.
Mesmo sabendo que eu te guardo inteiro,
e que meu coração, sendo prisioneiro do seu suspiro, nunca te esqueça tão ligeiro.
(Saul Beleza)
*Saudade Perfumada*
A casa limpa e perfumada,
mas existe um cantinho que não se dissimula.
O pano passou,
a vassoura dançou,
só não tirou
o cheiro que você deixou.
Vem, o sono ainda te espera.
Na cama feita, na luz que acalma,
teu espaço mora aqui,
intacto, na casa e na alma que quer sonhar ao teu lado.
(Saul Beleza)
Prefiro ser a primeira saudade,
Que te faz lembrar de mim,
Do que a última esperança,
Que te faz chorar sem fim.
Prefiro ser o teu único sonho,
Que te faz sorrir no escuro,
Do que o eterno pesadelo,
Que te faz acordar sem futuro.
Ser a luz no teu caminho,
O abrigo no teu coração,
É o que me faz viver,
E te amar sem moderação.
(Saul Beleza)
*Toda Tarde*
Todas as tardes dos meus dias
Carregam uma saudade que machuca.
Ela acorda quando tocam antigas canções,
Aquelas que têm cheiro de nós dois.
E o sol, cúmplice, vai pro horizonte
Me chamando pra ver o dia morrer.
É convite e é lembrete:
Tudo passa, mas nem tudo vai escurecer.
Hoje eu vejo: o tempo correu.
Levou meses, levou anos, levou pressa.
Mas não te levou.
Você ficou presente desde aquela tarde
Até esse agora em que escrevo.
A saudade não apagou.
Ela só aprendeu meu nome,
Sentou do meu lado no anoitecer
E me ensinou que lembrar também é forma de ficar.
Tem memória que é ferida e tem memória que é casa. E a minha parece ser as duas.
(Saul Beleza)
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