Sangue

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A Crueldade da Poesia


A poesia me abriu o peito
e pediu meu sangue.
Quando a entreguei,
ela leu em silêncio, sorriu
e foi embora.


Fiquei ali,
com o coração pingando,
verbo amputado, sem sentido,
entendendo — tarde demais —
que a poesia não consola,
nem o poeta, nem a musa.
Poeta não é herói:
ela o consome,
o destrói.

Deus faz um machado de ferro boiar nas águas e faz um pecador se salvar no sangue do Cordeiro.

⁠O maior seguro de vida é feito no sangue do Cordeiro e selado pelo Espírito Santo.

Trate a Deus como seu Patrão superior: Ele paga bem e já pagou com o sangue de Seu Filho na cruz para dar a recompensa que você tanto merece.

​O sangue carrega a mesma água que assistiu ao início dos tempos.
Se a própria pureza aprendeu a destruir,
abrace tanto os seus deuses quanto os seus monstros.
Modele com eles uma nova existência ou devore todos eles.
No fim, tudo deve servir de alimento para a sua ascensão.⁠

As pessoas entregam sua liberdade, seu sangue e seus anos a deuses construídos por homens, morrendo em nome de uma promessa enquanto seguram as mesmas chaves que poderiam libertá-las.

Mas você não consegue ver o seu sangue.
Não é nada além de sentimentos
Que este velho cão despertou.
​Tem chovido desde que você me deixou,
Agora estou me afogando no dilúvio.
Sabe, eu sempre fui um lutador,
Mas sem você, eu desisto.
​E eu te amarei, querida, sempre,
*E eu estarei lá, para sempre e mais um dia, sempre.
Estarei lá até as estrelas deixarem de brilhar,
Até os céus explodirem e as palavras não rimarem.
Sei que quando eu morrer, você estará em minha mente,
*E eu te amarei, sempre. *
​Se você me dissesse para morrer por você, eu morreria.
Dê uma olhada no meu rosto,
Não há preço que eu não pague.

O sangue ferve na mesa de jantar. Irmãos de leite viram as costas uns para os outros, casamentos de décadas desmoronam em gritos e amizades antigas são sepultadas em um clique de bloqueio. Tudo por causa de nomes estampados em santinhos políticos, por figuras distantes que vestem ternos sob medida e sorriem em palanques iluminados. Enquanto o cidadão comum perde o sono, a saúde e os seus laços mais sagrados defendendo esses supostos salvadores da pátria, os mesmos líderes brindam juntos nos bastidores. Eles jantam nos mesmos restaurantes caros, fecham acordos com risadas sonoras e compartilham uma indiferença absoluta pelo destino de quem os colocou lá. Para eles, o povo não passa de um degrau, uma massa de manobra estatística útil a cada quatro anos.
Essa cegueira coletiva alimenta o monstro do egoísmo contemporâneo. As pessoas trancaram-se em bolhas ideológicas intransigentes, onde a empatia foi completamente extinta. Julga-se o caráter de um pai de família ou a dignidade de uma mãe trabalhadora unicamente pela cor da bandeira que eles defendem. Virou rotina apontar o dedo com crueldade, destilar ódio nas redes sociais e desejar o pior para quem pensa diferente. A solidariedade virou artigo de luxo. Ninguém quer saber se o vizinho está passando fome, se falta o remédio da criança ou se a depressão está corroendo aquela alma; importa apenas saber em quem ele votou para decidir se ele merece ou não um pingo de respeito.
Essa hipocrisia social disfarçada de falso moralismo é uma doença que consome a nossa humanidade. Discursa-se sobre justiça, igualdade e amor ao próximo com a boca cheia, mas desvia-se o olhar quando um necessitado estende a mão na calçada. Criamos barreiras invisíveis para isolar quem nos incomoda. Esquecemos que o teto de vidro da vida é frágil demais e o mundo dá voltas caprichosas. Aquele que hoje se sente poderoso no topo de sua arrogância partidária, humilhando quem discorda, pode amanhã acordar desamparado na fila de um hospital sucateado, descobrindo da pior forma que nenhum político vai abandonar o conforto do gabinete para segurar sua mão na hora da dor.
A grande lição que a existência nos impõe, muitas vezes pelo sofrimento, é que a nossa única salvação real está no cuidado mútuo. Os governantes passam, as promessas evaporam e as estruturas de poder mudam, mas a dor do seu semelhante continua ali, real e pulsante. Quando o sopro da vida se esvaziar, não restará o orgulho das discussões vencidas, muito menos o aplauso de militantes virtuais. Restará apenas o vazio desesperador do afeto que economizamos e o peso dos corações que quebramos pelo caminho.
Olhe nos olhos das pessoas ao seu redor hoje mesmo, antes que o tempo apague as oportunidades. O seu familiar, o seu colega de trabalho ou o desconhecido na rua não são inimigos a serem abatidos; eles são o espelho da sua própria capacidade de amar. Enquanto houver mais prazer em defender privilégios de tiranos distantes do que em estender a mão para aliviar o fardo de quem está perto, continuaremos sendo apenas uma sociedade de estátuas de sal: rígidas, frias e estéreis. Mude o foco da sua indignação. Deixe de ser escudo para quem já tem tudo e passe a ser o cais de proteção para quem perdeu o chão.

O sangue apenas dita quem tem o mesmo DNA; o caráter dita quem merece o seu respeito. A maior mentira social é achar que o sobrenome anula a maldade.

O sangue pode até ser igual, mas o tratamento muda conforme o seu bolso. Parentes hipócritas são os primeiros a te humilhar pela sua classe social e os últimos a estender a mão no sufoco.

Antes sozinho e em paz do que cercado por parentes soberbos, que transformam o laço de sangue em um tribunal de classe social e chamam o próprio preconceito de conselho familiar.

O que toca na lingua no sangue fica.

A poesia reconstrói cidades bombardeadas com lágrimas, sangue, amor e terra.

Eu sei que o sangue foi derramado e o preço foi pago. Por isso, quero uma vida de verdade — e consumir o meu próprio assombro.

Diante da unção de Deus,
Até a sua mentira pesará como sangue. De nada vale seu testemunho, são apenas palavras...

Não tenho tempo pra inveja, aplaudo até mosquito que vem sugar meu sangue.

“Já dei o sangue pra um objetivo e alcançei um sucesso que não era meu! Imagine do que sou capaz quando for minha vez de provar o meu verdadeiro valor!”

Ode ao Vinho Eu Ofereço


Ó vinho, sangue da terra e do sol,
líquido rubi que dança no copo,
filho da videira que o tempo moldou
e a mão do homem elevou a ouro.


Nasce no silêncio das colinas,
amadurece sob o olhar do céu,
guarda no seio o fogo das estações
e o sussurro dos ventos antigos.


Quando te abro, o mundo se dilata:
o tinto queima como paixão antiga,
o branco canta leve como brisa,
o rosé sorri entre o dia e a noite.


Tu és memória e esquecimento juntos:
trazes à mesa os amigos distantes,
apagás as feridas do dia cansado
e acendes no peito a chama da festa.


Ó vinho, companheiro dos poetas,
aliado dos amantes e dos sábios,
tu que fazes o tímido falar
e o solitário sentir-se povoado.


Levanto o cálice e te saúdo:
saúde à terra que te deu a seiva,
saúde às mãos que te cultivaram,
saúde a quem te bebe com respeito.


Que cada gole seja uma oração
à vida que passa e ao prazer que fica.
Viva o vinho,
viva quem o ama,
viva a mesa onde ele reina.

Arrítmica


A arritmia
Ora tira o ar
Ora arde e alumia


O sangue esquenta
Pulsa até arrefecer
Lança chama nas veias
Como o sol no alvorecer


Se na vida te acelera
No ocaso te sepulta
Se o tempo não te espera
Do luto corre à luta




(Fernanda Santoro)

Enquanto o mundo adorna-se
com conflitos, maledicências,
sangue e escândalos,


exibindo suas feridas
como diversão, hábito corriqueiro,
esporte preferido
e espetáculo cotidiano...


minh’alma poética,
simplesmente,
se veste de verde.
✍©️@MiriamDaCosta