Sagrado

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"Viver em mundo onde não existe nada de sagrado é literalmente o inferno , imagina não ter nada de sagrado no mundo, não ter nada nesse mundo separado , não ter nada Nesse mundo intocável, não ter nada nesse mundo puro, não ter nada nesse mundo mais elevado e superior , não ter nada venerável e o mais respeitável, a vida reduzida a só matéria e um intestino com cérebro."

Todo segredo guardado com amor acaba se tornando sagrado, o sagrado é apenas um segredo que o coração decidiu venerar. ​Entre o segredo e o sagrado, mora o que a alma não consegue explicar...Mesmo se pudéssemos, não explicariamos, apenas continuaríamos vivendo.

DeBrunoParaCarla

https://debrunoparacarla.blogspot.com/

O que é sagrado a gente não conta, guarda como o mais profundo segredo.


DeBrunoParaCarla

Vocês que nos cercam com maldade, que conspiram e que tentam apagar o que é sagrado: cuidado com o que desejam. Se a vossa intenção é nos destruir, saibam que eu sou o guardião do portal que vocês não querem atravessar. Se for necessário para proteger a paz da minha Rainha, eu mesmo levarei as vossas almas para onde a luz nunca alcança. Eu conheço os caminhos do submundo porque já os percorri para garantir que nenhum demônio externo chegasse perto de Carla. Não testem a minha paciência; a minha proteção não tem limites e a minha vingança não conhece o cansaço. Para onde eu posso levar quem a fere, não existe retorno.

⁠AO DIVINO ASSASSINO

Uma litania ante o Sagrado Coração
concebida em Paray-le-Maulnier, tempos
depois do acidente fatal de Anecy Rocha

Senhor, Senhor, o Teu anjo terrível
é sempre assim? Não tensumrefratário
à hora do massacre–ummais sensível

que atrasasse o relógio, o calendário?
Ao que parece a todos tanto faz
por quem o sino dói no campanário.

Começa a amanhecer e uma vez mais
rebelo-me, mas sei que a minha vida
não tem como ou por que voltar atrás.

Aceito que a mais dura despedida
é bem mais que metáfora do nada
a que se inclina o chão; que uma ferida

e a papoula sangrenta da alvorada
pertencem ao mundo sobrenatural
tanto quanto uma lágrima enxugada

à beira de um caixão. Mas afinal,
Senhor, amas ou não a humanidade?
Não fui ao escandaloso funeral

e imaginá-la em Tua eternidade
dói demais! Vou passar mais este teste,
sim, mas protesto contra a insanidade

com que arrancas à muque o que nos deste!
Tu sabes que a soberba da família
era maior que a dela e eu tinha a peste–

pai e mãe apartavam-me da filha
e o irmãozão nem falar… E hoje, coitados,
como hão de estar? Aqui é a maravilha,

as genuflexões… Os potentados
e os humildes, a nata da esperança,
todos chegam por cá meio esfolados,

sangrando como a luz. Não só da França,
toda a Europa rasteja até aqui
esfolando os joelhos, não se cansa

de ensangüentar-se até chegar a Ti
e ao menos a um pixote do Além Tejo
restituíste a vista; eu quando o vi

solucei– mas que o cego e o paraplégico
saiam aos pinotes, que o Teu coração
se escancare e esparrame um privilégio

aqui e outro acolá na multidão,
só me faz perguntar: E ela? E ela…?
Não consigo entender que a um aleijão

concedas tanto enquanto a uma camélia
Tu deixas despencar… Por que, Senhor?
Olho tudo do vão de uma janela,

mas vejo a porta de um elevador
escancarar-se sobre um outro vão,
um vão sem chão… E a seja lá quem for

aqui absurdamente dás a mão!
Me pões trêmulo, gago, estupefato,
pasmo, Senhor– mas consolado não.

A mesma mão que fez gato e sapato
da minha doce Musa, cura e guia,
cancela as entrelinhas do contrato,

Dominus dixit… Mas quem merecia
mais do que uma açucena matinal
um manso desfolhar-se ao fim do dia,

quem mais do que uma flor, Senhor? Igual
nunca viram os mais alvos crisantemos,
tinha direito a um fim mais natural,

à morte numa cama, em casa ao menos…
Mas não– tinha que ser total o escândalo!
Por que, se nem nos circos mais extremos

Teus mártires andaram despencando
sobre os leões, se nem o lixo cai
de oito andares aos trancos, Santo Vândalo?

Não vim denunciar o Filho ao Pai
ou o Pai ao Filho, não vim dar razão
aos que recusam e usam cada ai

contra a humildade; vim porque a Paixão
me chamou pelo nome e a alma obedece
e aceita suar sangue– como não?

Mas não sei mais unir o rogo à prece
do que a elegia ao hino de louvor,
não sei amar-Te assim… Caso o soubesse

teria que ficar aqui, Senhor,
aqui, arrebentando-me os joelhos,
esfolando-me todo ante um amor

que vai tornando sempre mais vermelhos,
mais duros os degraus do Teu altar.
Tu, que tudo consertas, dos artelhos

que desentortas e repões a andar
até às pupilas mortas de um garoto,
do cachoupinho que me fez chorar;

Tu, que a este lhe dás a flor no broto
e àquele o lírio pútrido do pus;
Tu, que passas por um de quatro e a um outro

pegas no colo e entregas a Jesus;
Tu que fazes jorrar da rocha fria;
Tu que metaforizas Tua luz

ao ponto de fazer de uma agonia
um puro horror ou a morna mansuetude–
que hás de fazer, Senhor, comigo um dia?

Quando eu agonizar, boiar no açude
das lágrimas sem fundo… Quando a fonte
cessar de soluçar e uma altitude

imerecida me enxugar a fronte…
Como há de ser, Senhor? Oxalá queiras
que a mim me embale a barca de Caronte

como o fazia a velha Cantareira,
o azul da travessia… A Irrecorrível
arrasta a cada um de uma maneira

e a quem quer que se abeire ao invisível
recordas a promessa: aquele a escuta
e este a recusa porque a dor é horrível,

mas, se a todos a última permuta
terá sempre o sabor da anulação,
o travo lacrimoso da cicuta,

a ela Tu negaste o próprio chão,
deixaste-a abrir a porta sem querer!
Nunca falou na morte, e com razão,

intuía, quem sabe, o que ia ver…
Sentença Tua? Em nome da promessa
não há negar Teu duro amanhecer–

mas quando arrancas mais uma cabeça
como saber que és Tu, que não mentia
O que ressuscitou? Talvez na pressa,

no pânico de Pedro, eu negue um dia
e trate de escapar, mas hoje não;
hoje sofro com fé e, sem poesia,

metrifico uma dor sem solução,
mas não vim negar nada! Faz efeito
essa dor: faz sangrar, mas faz questão

de defender-me como um parapeito
contra a queda e a revolta… Um Botticelli
despedaçou-se todo, mas que jeito,

se por Lear enforcam uma Cordélia
e encarceram a Ariel por Calibã…?
Alvorece, a manhã beata velha

enfia agulhas no Teu céu de lã,
tricoteia Paray-le-Maulnier *
e eu penso: ela morreu… Hoje, amanhã,

enquanto Te aprouver e até que dê
a palma ao prego e o último verso à traça,
vai doer– mas Amém! Não há por que

amar a morte, mas que venha a Taça,
aceito suar sangue até ao final,
como não… Tudo dói, menos a graça,

mata, Senhor, que a morte não faz mal!

Da Festa do Sagrado Coração em Julho de 1979 até aos
26 de Outubro de 1997.

Meu Moçambique, hoodoo sagrado,
Terra de rios que murmuram segredos,
Montanhas com ossos de reis antigos,
E veias cheias de ouro, promessas e luto.
Teus olhos brilham — não de esperança —
Mas quando te vendem por trocados,
Trocando terra por silêncio,
Minas por memórias apagadas,
Heranças por contratos estrangeiros.
Ó meu belo Moçambique… tão roubado, tão calado.




Ó Moçambique de tambores calados,
Povo sem cultura, disseram —
Pois ensinaram-te a temer teus deuses,
A negar teus sonhos, teus espíritos.
Chamaram profetas de bruxos,
Chamaram sabedoria de maldição.
E tu, em silêncio, aceitaste:
O sagrado virou pecado,
O curandeiro virou ameaça,
E a alma se escondeu na sombra.




Há grilhões que não se veem,
Mas ainda arrastam teu corpo.
Escravidão não é só corrente,
É esquecer teu próprio nome.
Não serás livre enquanto negares
O dom de andar entre dois mundos,
De falar com os ventos,
De entender o tempo pelo tambor.
Moçambique, não florescerás
Enquanto ajoelhares para um Deus imposto
E um Jesus que te foi reescrito.




Hoodoo, Belo Moçambique,
De incensos e raízes,
De chuva e palavra viva.
Renasce entre os teus,
Grita com tua voz inteira,
Ergue tua sombra e tua luz.
Meu Belo Moçambique…
Desperta.

⁠"Da Janela, o Silêncio"

Por Prof. Cranon

Há algo de profundamente sagrado nas pausas que a vida oferece.
Um instante onde o tempo não corre — apenas respira.

A caneca fumegante repousa, silenciosa, como quem guarda segredos de manhãs que não precisam ser apressadas. O vapor que se eleva desenha no ar uma dança invisível, quase uma prece efêmera, que se desfaz antes mesmo de ser compreendida.

Sobre o caderno, repousa uma caneta. E, mais do que tinta, ela carrega possibilidades. Palavras ainda não ditas, pensamentos por nascer, universos inteiros à espera de um simples gesto de coragem: escrever-se.

Do lado de fora, a vida segue — árvores, vento, luz, sombras e um verde que não se cansa de existir. O mundo não grita lá fora. Ele sussurra. E é justamente nesse sussurro que a alma encontra abrigo.

A janela, aberta, não é só moldura para o olhar. É também convite. Convite para atravessar as paredes invisíveis do hábito, do barulho interno, das urgências que sequestram nossos dias.

Ali, naquele pedaço de madeira aquecido pelo sol, mora um acordo tácito entre o ser e o estar. O ser que contempla. O estar que se permite.

Perceba: não há ruído. Só o som da respiração, do vento que toca as folhas e, talvez, do próprio pensamento sendo reorganizado em silêncio.

O café esfria, o sol se move, o tempo passa — e, paradoxalmente, tudo permanece.
Porque há momentos em que a vida não exige respostas, nem pressa. Só presença.

E talvez isso seja o suficiente:
Uma caneca, um caderno, uma janela aberta...
E a sutil, mas poderosa, decisão de simplesmente... existir.

⁠Chamam o sangue de sagrado como se DNA fosse diploma de caráter. Que tradição elegante: cobrir o egoísmo com a toalha da família, servir ignorância em porcelana e chamar obediência de amor. A mesa parece um altar, mas funciona como tribunal; todos falam de união enquanto escolhem, cuidadosamente, quem deverá carregar a culpa. Minha rebelião não grita — chega vestida de preto, ajusta os punhos e pergunta quem lucra com tanto silêncio. Pago pelos meus erros porque assumir o preço é mais digno do que falsificar inocência, embora até inocentes sejam condenados quando a família precisa preservar sua própria mentira. Ainda assim, nenhuma sentença doméstica supera a misericórdia de Deus. E nenhuma criança nasce culpada: venha do ventre ou de um laboratório, existir não é pecado. A ciência apenas transformou impossibilidade em nascimento — escândalo suficiente para quem confunde ignorância com fé. Quem vê profanação numa criança, mas não enxerga crueldade no próprio julgamento, não protege moral alguma; protege apenas o prazer de condenar. Eu não destruo verdades: retiro o medo que as mantinha de pé. Se desabarem, nunca foram verdades — eram somente tradições bem vestidas.


— Dr. Jeff Marconis | Marconismo

O propiciatório não pôde ser tocado. O sagrado da Aliança é a fronteira invisível onde a culpa humana sangra o seu próprio silêncio para que a razão possa, enfim, fazer as pazes com o mistério do perdão.
Reno Fioraso

A sabedoria é a finalidade do pensamento, entre o sagrado e o profano;

⁠Fisicamente o coração não é prioridade de ninguém, mas sentimentalmente é o altar sagrado da afetividade;

O sagrado não se anuncia em trombetas, mas no leve estremecer da alma diante do simples: uma folha que cai, a água que corre, o olhar que acolhe; é nesse quase nada que o infinito se esconde, esperando ser percebido.

O sagrado
Tem te esperado
E confiado
Por todo lado

Se não existe o sagrado


Se não existe o sagrado
O lobo não corre na tempestade, uivando no vento


Se não existe o sagrado
O céu não tinge os olhares intrigados na noite


Se não existe o sagrado
O luar não se derrama pelos trigais amarelos


Se não existe o sagrado
O silêncio nada inspira aos amantes


Se não existe o sagrado
Não há o frescor do orvalho sobre o cansaço da ciência


Se não existe o sagrado
A fúria do mar não nos deixa introspectivos


Se não existe o sagrado
O infinito não é misterioso e revela-se a qualquer tolo

A Linha do Extremo


Há uma espécie de agonia em viver entre o sagrado e o profano.


De um lado, tudo aquilo que escolhi preservar.
Do outro, aquilo que, em silêncio, me chama para além dos meus próprios limites.


Eu não quero me jogar ao extremo.
Aprendi a desconfiar dos excessos, a respeitar as fronteiras que construí dentro de mim.


Mas também descobri que viver eternamente recuada pode ser outra forma de ausência.


Porque há momentos em que a gente precisa negociar com o próprio limite.
Não para abandoná-lo, mas para descobrir até onde ele pode ceder sem deixar de ser nosso.


E talvez seja essa a parte mais inquietante:


saber que existe desejo,
saber que existe vontade,
saber que existe um abismo logo depois da margem...


e ainda assim permanecer ali, na beira, sentindo o corpo pedir passagem enquanto a alma pergunta se é seguro atravessar.


Não quero alguém que me arraste para o extremo.


Quero alguém diante de quem eu mesma tenha vontade de chegar até ele.


Devagar.
Consciente.
Sem perder quem sou no caminho.


Porque talvez a verdadeira entrega não esteja em ultrapassar todos os limites.


Talvez esteja em encontrar alguém com quem até o limite se sinta seguro para negociar.

Quando você erra, você não está apenas pecando, você está entregando o seu lugar sagrado para o inimigo.

A instrumentalização da fé para fins eleitorais corrói o sagrado. Ao transformar o púlpito em palanque e decretar a vontade de Deus em contagens de votos, lideranças neopentecostais não apenas erram previsões:
elas rifam a credibilidade da própria mensagem bíblica. Quando o sagrado vira cabo eleitoral, a frustração das urnas se torna uma dolorosa crise de fé para milhares de fiéis traídos.
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O Vale Sagrado é o espelho reverso da divisão temporal: ali, a ambição humana cavou as profundezas da terra para que o cosmo pudesse esconder a sua própria eternidade.
Reno Fioraso

Há um lugar sagrado na consciência de quem se doou por inteiro. Ser pai é aprender a amar no silêncio, a abrigar na tempestade e a aceitar ser o porto seguro para onde todos voltam quando a corda aperta. Nesse sentimento, enxergo a própria imagem do Criador: Aquele que tudo nos deu, que tantas vezes é esquecido, mas cuja porta nunca se fecha."
— Ginho Peralta

Sabendo que a verdade revelada a todos se torna posse de ninguém, o sagrado não habita nos templos de pedra, mas na ferida aberta da própria dúvida. Por isso, aceita-se o exílio do mundo dos homens para salvar a pureza de sua busca. Afinal, o verdadeiro abismo não é a ausência de fé, mas sim a coragem de moldar a própria transcendência longe dos olhos de qualquer juiz.
Reno Fioraso