Saber Cuidar - Leonardo Boff
Mude uma palavra de um poema alheio
Cultivando-a em versos próprio
Ponha-a para tomar olhares
Regue-a compartilhado
Quando olhares neles pousares
Leve pelo açúcar que há
Levará na orelha
Versos
Mude palavras
Cultivando...
Salve a poesia incendiando o pensar
Esse grito queimando
Pede iluminar
Cultivar palavras
Para educar
E não arrancar do
Coração a moral da história
Vai xandão salva a Amazônia
Plant/ e boca é tigela e açaí
(Leonardo Mesquita)
Pousando uma após outra o bando de letras formam a frase
migrando de outras palavras
chegam a estas imagens
cada letra enche o papo
provocando um fértil
imaginar; essas letras
tomaram essas palavras
teceram seus ninhos
colocaram seus ovos
e em rápida leitura
pintam no rosto
um bando
(Leonardo Mesquita)
Sufocou a língua para não lê as palavras
que entende que não lhe possa chegar por
tal coração, o mugango mudo do orgulho
rouba seu rosto do assunto e as palavras
encontra tal língua sempre de porta fechada...
Se a língua não conversa com os olhos
palavras não entram na casa e o ouvir não
se arruma para a festa do coração...
O rosto de quem ama reflete à presença
do amado. Ouvir é um lugar onde a
língua encontra sempre aberta a porta
do coração então palavras cumprem sua
função — beber da realidade do lê
que desce do monte.
(Leonardo Mesquita)
Letras são formiguinhas elas carregam palavras pro poema armazenando uma cena, elas cortam pra atenção pra poesia pra força que tem uma palavra
garregando todo um contexto.
Essas operárias levam o olhar curioso
palavras adentro na imaginação do sujeito num poema profundo desse jeito
todo isso ocorrendo na galáxia da voz atenta e o peso da cena leve leve
tais operárias tiram de letra.
Um poema bom mesmo
não fica na frase
cai na boca, se prende na mente
freia a gente
reaviva marcas, tem a bala de prata...
nisso a gente se amarra
se armar e, atirar na calma
sem perder o alvo
com a palavra certa
parar o leitor no poema da gente...
A poesia e eu... ah, a poesia! É o sangue que pulsa em minhas veias, o tema inescapável de meus versos.
Ela nasce no âmago do coração, irradia o calor que inflama o peito, uma explosão da alma que se manifesta na pele arrepiada e transborda pelos olhos em lágrimas cristalinas, pela boca em palavras sussurradas e pelas mãos que, guiadas pela inspiração, fazem da pena uma bailarina sobre o papel.
Sou um devoto da beleza que a natureza nos oferece, uma alma que se deleita em cada sopro de vento e em cada raio de sol que beija a Terra.
“Toda vocação acende uma chama, mas também projeta uma sombra: a dependência daquilo que ilumina.” — Leonardo Azevedo.
Sob sua armadura havia um homem com um coração frágil e gentil, disposto a amar apesar de todo medo, sofrimento e dor que lhe causaram.
Apesar dessa falsa sensação de que nada muda, tudo está sempre mudando. A gente sempre muda. Escrever sempre foi um exercício de autoconhecimento, uma busca pelo meu eu interior. Hoje, é engraçado parar e reler algumas coisas escritas no passado. É engraçado perceber o quanto fui frágil, amável e completamente vulnerável na adolescência — um completo clichê. Mas, apesar da estranheza, é confortável olhar para o passado e reconhecer o quanto fui doce, porque isso me lembra que, apesar das mudanças, ainda carrego parte dessa essência. Amar nunca foi, nem jamais será banal.
Quase 30, Leonardo Sequim.
Meio-termo não aquece, não ferve e tão pouco faz transbordar. Isso vai de amizades a amores. E não adianta jogar lenha na fogueira não, não adianta desperdiçar combustível com quem não aquece o corpo, ferve o ser e faz transbordar a alma.
Ainda dói
Lembrar de você, do seu sorriso largo e marcante que irradiava qualquer lugar ao chegar.
Lembrar da sua personalidade típica de ariana, expansiva, cheia de si, vestida de uma bravura inspiradora (que despertava invejas).
Lembrar das conversas que varavam madrugadas, do colo e do afago que recebi — e que nunca mais terei enquanto ainda respirar.
Dói lembrar dos sonhos compartilhados que viverei sem você — e como dói.
Eu gosto de gente que gosta de gente. Que tem interesse não na superfície do ser, mas no que está além da carcaça social que vestimos no dia a dia.
