Ruído
O que habita o interior — quando se interrompe o ruído e se olha com honestidade — é, muitas vezes, um vazio de tal profundidade que a própria velocidade da vida parece ter sido erguida para evitá-lo. Corre-se, ocupa-se, responde-se, não por excesso de vida, mas por fuga do encontro. E assim, o movimento incessante deixa de ser expressão de vitalidade e torna-se estratégia: não para viver mais, mas para não precisar ver.
"Maturidade não é ter resposta para tudo, é entender que nem todo ruído merece o gasto da sua voz; o silêncio é o luxo de quem já se explicou demais."
E lá estava, inerte, apático, imparcial...Era nada mais que um abismo, convidativo, suplicando miseravelmente que fosse possuído, consumido, perpetuado. As frias teclas do piano velho sendo delicadamente acariciadas realçavam sua magnitude, seu perfume, sua legítima grandiosidade. Éramos apenas um, em harmonia. Notas musicais e ruídos se colidiam pelo quarto. Sua apatia era esmagadora para mim, como um encantamento, profundo e soturno. Sua imagem inflexível evocava tristeza, solidão.
"Toda e qualquer interferência ao pressuposto “nada” é como um “ruído” que busca dar forma à intenção do autor e significado ao observador."
"Tudo é palavra, inclusive o silêncio e, nada grita tão alto como um olhar que, muitas vezes, pode nos dizer muito mais que mil palavras faladas."
