Rubem Alves Jardim
Jaboticabal, espelho da gente
Por Nereu Alves
Hoje é teu aniversário, Jaboticabal.
Quase dois séculos de idade — e ainda pareces adolescente que não sabe se vai ou se volta, se cresce ou se esconde, se sonha ou se acomoda.
Aqui não há nativos.
Ninguém brotou da terra como jabuticabeira antiga.
Todos viemos de algum lugar:
gente simples, gente esperta,
gente que plantou esperança e gente que só colheu vantagem.
Fundimo-nos, como todo povo brasileiro, entre rotos e rasgados — e aqui seguimos, misturados, procriando histórias e contrastes.
Já foste um imenso Jaboticabal — no nome e nas árvores.
Hoje, a jabuticaba é quase lenda,
quase memória.
Sobrou o nome, e algumas placas.
Quase duzentos anos…
E o que fizemos com esse tempo?
Temos orgulho de quê?
Onde estão nossas matas? Nossa fauna? Nossa flora?
Tudo que um dia vestiu essa terra com dignidade e frescor?
Dizem que o progresso passou…
Mas por onde passou, levou tudo.
Levou as árvores, levou os trilhos,
levou até o senso de comunidade.
E os monumentos?
Espelhos da alma de um povo.
Mas por aqui, espelho é coisa quebrada,
e monumento virou miragem.
Temos igrejas centenárias,
mas São Benedito grita por socorro.
Cadê os católicos?
Cadê o cuidado com aquilo que se diz sagrado?
Não basta rezar de boca.
Tem que agir com as mãos.
Cadê um hospital que atenda de verdade a população?
Cadê o patriotismo que se manifesta em atitudes,
e não só em discurso de ocasião?
E o comércio local?
A cada dia mais desamparado.
Basta uma liquidação em Ribeirão ou um clique no celular,
e a cidade esvazia suas compras para longe,
esquecendo que aqui há famílias inteiras
vivendo do suor de balcões e vitrines.
Seguimos assim,
como todo povo do interior:
contraditórios, calorosos, esquecidos e resistentes.
E sim — somos todos provincianos.
Com orgulho, com vaidade, com exagero.
Com maquiagem carregada, com sotaque sem filtro,
com opiniões fortes, e memórias desordenadas.
Somos os personagens de uma cidade real —
cheia de falhas, cheia de histórias.
Jaboticabal é isso.
É terra de quem te ama, de quem te explora,
de quem te defende, de quem te ignora.
Mas jamais és indiferente.
Parabéns, Jaboticabal.
Mas não te ilude com bolo, bandeira ou discurso vazio.
Tua maior homenagem virá no dia em que o povo parar de repetir tua história…
E começar a escrevê-la com verdade, coragem e responsabilidade.
— Nereu Alves
Luís Alves
Meu Paraíso do Vale Verde
erguido por muitas gentes
e a boa gente italiana,
Luís Alves querida,
tens o nome do ilustre
morador e no peito
tu és o meu sublime amor.
Destino da Costa Verde e Mar
para o coração amar,
a tua gente hospitaleira
não canso de adorar.
Luís Alves minha amada
de lábios de cachaça
e doce como mel,
não te troco por outra
cidade porque tu me põe
sempre no coração
e me faz com que eu esteja
a cada dia mais perto do céu.
Margarida Alves
A minha marcha é
a marcha da memória
por Margarida Alves
a inesquecível heroína,
A minha marcha é
a marcha da poesia
almenara, reunida
e inevitável com a sublime
Marcha das Margaridas
persistente por melhores
e mais justos dias.
O poeta e a flor
O poeta e a flor
Se encontraram em jardim,
Fizeram um pacto contra a dor,
Que tanto machucava o jasmim.
O poeta se inspira,
Na beleza de sua flor,
Se enlouquece e suspira,
Com seu agradável odor.
Sua flor é às vezes insegura,
O poeta,outrora impaciente,
O que ela precisa é de ternura,
Frágil rosa inocente.
Rosa dos ventos,
Poeta dos versos,
Um grande momento,
Viagem ao universo.
Flor delicada,
Poeta da alvorada,
Tu és rosa vermelha,minha amada,
É um prazer ter você como namorada.
Tu és perfume,
Que alucina o meu ser,
Enlouquece os vagalumes,
És mui linda pode crer.
O poeta nada seria,
Sem você, lindo jasmim,
Não sei o que aconteceria,
Se você se retirasse de mim.
Lourival Alves
Jardim vazio
Eu encontrei um jardim vazio,
Sem cor e também sem cheiro,
Num dia cinza e sombrio,
Avistei um ilustre passageiro.
Era uma andorinha,
Que ciscava o úmido chão,
Uma lágrima do seu olho escorria,
De tristeza e solidão.
Uma andorinha sem seu par,
Em um vazio jardim,
Sem ninguém para poder amar,
Solidão,simples assim.
Banco vazio e solitário,
Com às suaves lembranças,
De um ser que lembra traquinagem,
Saudades daqueles tempos de criança.
Uma andorinha triste,
Em um triste banco,
Pesadelo que resiste,
Tanto pranto e pouco encanto.
A andorinha quer voar,
Encontrar a paz e a luz,
E o seu parceiro amar,
Um amor que nos induz.
Induz a uma felicidade,
Conectada com a extrema paz,
Caminho puro da verdade,
Tristeza nunca mais.
Lourival Alves
Eu sem você 1
Eu sem você princesa,
Sou um homem semi-morto
Sou um jardim sem beleza,
Sou um triste demagogo.
Foi muito bom mas lamento,
Você inspirava meus pensamentos,
Assim,tudo se foi ao vento,
Iniciando o ciclo do meu sofrimento.
Sofrimento por não conviver,
Sussurros noturnos à me torturar,
A solidão é um veneno letal do ser,
Um vírus criado para matar.
Mas devo continuar?
A caminhada de uma procura?
Lá na frente poder encontrar,
Uma pessoa parceira e madura.
O momento é de dor nesse deserto,
O calor é intenso e cruel,
Sinto que a tua essência está por perto,
Sentimento doce como o mel.
A tua presença me acalma,
A tua ausência me deixa preocupado,
A carrego dentro do peito e da alma,
Estou extremamente apaixonado.
Apaixonado e simplesmente feliz,
Completo e extremamente iluminado,
Tu és a mulher que eu sempre quis,
A mulher que me deixou extasiado.
Lourival Alves
Embelezam nosso jardim
Dão cores à alvorada.
Estação beleza
Primavera interior
Pela vida inteira
Alma e coração
Eterna estação
Eterno amor
EM HOMENAGEM A QUERIDAS AMIGAS
AS LINDAS FLORES DE MEU JARDIM!
A vida fora me apresentando vocês aos poucos
E assim foram entrando em meu jardim
Algumas já moram há anos
Algumas há meses
Algumas há dias
Algumas já uma vida inteira
E algumas... Uma eternidade!
Não há como não amá-las... Contempla-las.
Trazem cores... Perfumes e belezas para minha vida!
Pois cada uma tem as suas raras qualidades!
As belas flores de meu jardim!
E assim... Juntas caminhamos
Não importa o tempo e nem a distância
Pois também as carrego a cada uma
Em minhas distancias
Sinto e sou acarinhada por todas também!
São as lindas flores de meu jardim!
Autor... STELA ALVES
Obs.: Texto original escrito em 31 de Março de 2012
DESERTO
Um vale
Desconhecido
Vejo...
Um lindo
Jardim...
Depois
De anos passados
Não o vejo
Nem o encontro
Não sei
Qual foi
O seu fim...
Edilson Alves
Você
Você é flor,
Habitante do meu jardim,
És o mais ilustre morador,
O seu nome é jasmim.
Encheu a rua do amor,
Com esse perfume da paixão,
Nunca seria minha dor.
Nem tampouco a solidão.
A vida é um mistério,
Cheia de infinitas perguntas,
Solitária como um monastério,
Precisa, como um punhal nas juntas.
Não temos o que temer,
O pior já passou,
É tempo de vencer,
Tal batalha que se iniciou.
Batalha da aceitação,
É do medo de perder,
Da triste e fria solidão,
Da gélida sensação do sofrer.
Você é especial,
Jamais carregue o peso,
Nunca lhe desejarei o mal,
Sempre estará em meus desejos.
O teu desejo,
Pode não ser o meu,
Então,fico no ensejo,
De você seguir o teu.
Se for pra ser,
Então será,
Amo você,
E o futuro revelará.
Revelará tudo que se viveu,
Do quanto foi bom ou ruim,
Do novo sentimento que nasceu,
Ou daquele que chegou ao fim.
Lourival Alves
No desfio do auto se conhecer imagine-se um jardim, onde você deve pensar muito bem em cada semente que nele plantará, com a diferença que "neste" jamais poderemos arrancar todas as raízes se desejarmos recomeçar, pois as lembranças não se apagam da terra que somos feitos..
E todos os dias passeava naquele mesmo jardim
Trazendo consigo uma esperança ingênua
De encontrar a mais bela flor
De lhe ofertar toda a pureza
De um nobre e verdadeiro amor
Yara Alves
