Rompendo Lacos-Carlos Drumond de Andrade
Somos responsáveis pelos vínculos que criamos ao longo da vida. Cativar... Criar laços! Infelizmente, algumas vezes abandonamos o nosso amigo, companheiro ou quem quer que tenhamos conquistado e simplesmente o esquecemos... Como se em nenhum momento houvéssemos cativado. Triste realidade...
E deixamos de perceber o quanto é maravilhoso sentir-se querido, necessário... É fantástico ouvir um: Eu preciso de você! Quanta coragem...
Seria reconfortante poder ver as pessoas expressando seus sentimentos sem medos ou travas. Sem a tal vergonha de falar o que sente por aquela pessoa que conquistou seu afeto e respeito. Sim, seria tão mais simples se a gente falasse o quanto amamos...
A razão de tal frieza é que não chegamos a compreender o essencial que é invisível aos olhos... Não entendemos o quão fundamental é ter perto de nós alguém que diga que estará conosco aconteça o que acontecer... Mesmo se errarmos, mesmo se falharmos... Não abrirá mão da gente.
Tenho certeza que se pudéssemos ter esse compromisso com quem cativamos pela vida, certamente todos seríamos um pouco mais saudáveis emocionalmente.
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas...”
Prenda-me com teus laços de amor,
Faça-me prisioneira tua, para que assim eu nunca mais possa me desprender de ti.
Para que toda a minha vida seja somente para te amar.
Laços
"Ela não consegue que ele dê a ela o que deseja dele, ela acha por isso que ele é mesquinho.
Ela não consegue dar a ele o que dela ele deseja, ela acha por isso que ele é insaciável.
Ele não consegue que ela dê a ele o que deseja dela, ele acha por isso que ela é mesquinha.
E ele não consegue dar a ela o que dele ela deseja, ele acha por isso que ela é insaciável" .
Mundinho
Hoje eu te ganharia, eu me entregaria.
Em teus braços, nossos laços, os nós que ninguém desata:
– nem nós quando fingimos querer.
Hoje rolaríamos no anti-horário desafiando o tempo,
Fazendo dos momentos o que nós fazemos como ninguém,
criando as lembranças que ninguém mais tem.
Hoje tudo seria nada e nada seria a marca daquela noite que não acaba,
Onde se perpetuam os desejos, as saudades, as verdades disfarçadas.
Hoje tudo seríamos, poderíamos e faríamos.
Voaríamos pelo espaço...
tudo isso sem sairmos do quarto.
E,
um dia a corda arrebenta!
Os,
Laços, se rompem, e se desfazem!
Os NÓS, são desatados!
E,
NÓS,
Ficamos...
SÓS!
Na tempestade do amor, uns se vão sem despedida,
Outros permanecem, laços que a alma clica.
Entre esses ventos, te encontrei, minha partida.
Teu sorriso, farol na escuridão da vida,
Teus olhos, portais de amor e guarida.
Juntos, enfrentamos a tormenta, em nossa partida.
Num ambiente líquido, imprevisível e de fluxo rápido, precisamos, mais do que nunca, de laços firmes e seguros de amizade e confiança mútua.
Desapegue do passado e recomece por criar laços com o futuro. Foi bom enquanto durou ou foi ruim por um tempo.... A palavra diz tudo foi; agora é hora de encarar a vida de frente e sem medo,planeje sua vida em quem você pretende ser de agora em diante. E nunca te esqueças à vida é feita de escolhas...
Mesmo que estando em caminhos opostos o objetivo é o mesmo...
A longevidade dos laços que foram criados..
"Cada novo dia vem nos trazendo surpresas. Só as descobre quem consegue desfazer os laços, romper amarras ... A vida vem com 'embrulho', mas nunca com cadeados."
-Aline Lopes
Amor não se embrulha
Neste final de ano,
muitos pais abriram caixas,
laços bem feitos,
sorrisos ensaiados.
Ganharam o que brilha,
o que se compra,
o que se exibe,
o que termina no uso.
Mas o que muitos desejam
não vem com etiqueta...
querem ternura sem data,
abraço que não tenha pressa.
Querem cuidado cotidiano,
presença que não negocia,
escuta que não se ausenta,
amor que não pede ocasião.
Um dia, quem hoje presenteia
também sentirá o peso do tempo,
e aprenderá, tarde ou cedo...
Que carinho verdadeiro não se embrulha.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
POEMA
A minha vida é o mar o abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita
Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará
Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento
A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada
A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e tecto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.
Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até fechar o homem: na capela útero, com confortos de matriz, outra vez feto.
